A Passion UA viu sua campanha na Roman Imperium Cup V chegar ao fim nesta sexta-feira, 21 de fevereiro de 2026, após ser derrotada pela Gentle Mates por 2 a 0. A equipe, que chegou aos playoffs após uma campanha irregular na fase de grupos, não conseguiu superar o time franco-espanhol e deixa o torneio sem premiação em dinheiro, terminando entre a 5ª e 8ª posições. O resultado, porém, é apenas um capítulo em uma história de transição mais complexa para a organização.

Uma campanha de altos e baixos

A jornada da Passion UA no torneio foi, para ser sincero, um pouco instável. A estreia não foi das melhores, com uma derrota para a Rebels. Mas eles se recuperaram de uma forma inusitada: uma vitória por W.O. (walkover) contra a ALGO. Esse resultado deu um fôlego necessário, permitindo que eles buscassem a revanche contra a Rebels. E conseguiram! Essa vitória foi crucial para carimbar a passagem para os playoffs. No entanto, o nível encontrado nos mata-matas foi outro. Enfrentando a Gentle Mates, um time consolidado com jogadores experientes como mopoz e dav1g, a Passion UA não encontrou espaço.

Os mapas foram Overpass (13x10) e Nuke (13x11). As estatísticas mostram uma equipe que brigou, mas foi superada em momentos decisivos. Enquanto a Gentle Mates teve performances mais equilibradas, com mopoz liderando o rating (1.39) e sausol fazendo 21 eliminações em Nuke, a Passion UA dependeu muito de Kvem, que teve o maior ADR (87.3) e rating (1.15) do lado perdedor. Do outro lado do espectro, nicx teve uma atuação abaixo do esperado, com rating 3.0 de 0.80 e um saldo negativo de 16 abates. Em um cenário competitivo onde a consistência é tudo, uma oscilação individual tão grande pode custar caro.

Mais do que uma eliminação: um time em transição

Aqui está um ponto crucial que muitos podem perder ao olhar apenas o placar. Esta não era exatamente a formação definitiva da Passion UA. Eles disputaram a LAN com Michael "Grim" Wince, mas o jogador norte-americano já tem seu destino traçado: uma transferência para a NRG. É um daqueles movimentos que acontecem nos bastidores e afetam completamente a dinâmica de um time, mesmo antes de ser oficializado. A mente dos jogadores e da equipe técnica já está, em parte, no futuro.

E o futuro tem nome: Azbayar "Senzu" Munkhbold. O substituto de Grim já foi contratado, chegando por empréstimo, mas ainda não vestiu a camisa da Passion UA em competições oficiais. Isso coloca a equipe em uma posição estranha, competindo em um torneio importante com um jogador que está de saída. Você já tentou fazer um trabalho importante sabendo que um colega de equipe crucial vai embora na semana seguinte? A atmosfera é diferente. A estratégia pode ficar comprometida. É um desafio mental enorme.

Então, como analisar essa eliminação? Foi apenas uma derrota para um time melhor, ou foi o reflexo de uma instabilidade institucional? Na minha opinião, um pouco dos dois. A Gentle Mates era, no papel, favorita. Mas a situação de transição da Passion UA certamente não ajudou. Eles estavam jogando com um pé no presente e outro em uma nova formação que ainda precisa ser testada.

O que vem pela frente?

Agora, a atenção se volta para a integração de Senzu. Um jogador por empréstimo sempre carrega uma pressão adicional – precisa provar seu valor em tempo limitado. Como ele se encaixará no sistema tático? A comunicação, principalmente em momentos de alta pressão, será fluida? A Passion UA demonstrou resiliência para se recuperar de uma derrota inicial e se classificar, o que é um ponto positivo. No entanto, a consistência e a capacidade de competir contra os melhores no topo do tablão ainda parecem ser um degrau a ser conquistado.

O cenário competitivo de CS2 é implacável. Times que passam por mudanças de elenco, especialmente no meio de uma temporada ou de compromissos em LAN, frequentemente enfrentam um período de adaptação doloroso. A eliminação na Roman Imperium Cup V pode ser o primeiro capítulo dessa fase de ajustes. A verdadeira prova de fogo para essa nova Passion UA, com Senzu no lugar de Grim, ainda está por vir. Será que a nova peça do quebra-cabeça trará a solidez que faltou nos mapas decisivos contra a Gentle Mates? O tempo, e os próximos torneios, dirão.

Falando em Senzu, vale a pena dar uma olhada mais de perto no que ele traz para a mesa. O jogador mongol não é exatamente um novato no cenário – ele tem experiência em times como TheMongolz e já mostrou lampejos de individualidade bruta. Mas, cá entre nós, substituir um jogador como Grim, que tem uma trajetória consolidada na cena norte-americana e internacional, é uma tarefa hercúlea. Não se trata apenas de números ou de habilidades mecânicas; é sobre presença, sobre aquele "peso" que um jogador experiente carrega em situações de pressão. Grim saía para tentar plays agressivas que mudavam o ritmo do jogo. Será que Senzu terá a mesma liberdade, ou a mesma sagacidade, para fazer isso?

E isso nos leva a uma questão tática interessante. A Passion UA, durante a Roman Imperium Cup, parecia às vezes um pouco previsível. Contra a Gentle Mates, especialmente em Nuke, as execuções no ataque eram frequentemente contidas. A Gentle Mates leu bem os movimentos. Com um novo jogador, a equipe tem a chance – ou a necessidade – de repensar algumas de suas abordagens. Talvez a chegada de Senzu force uma renovação nos playbooks, introduzindo novas estratégias ou dinâmicas que os adversários ainda não estudaram. É um risco, mas também uma oportunidade de surpreender.

O peso do cenário competitivo e a busca por identidade

O que mais me chama a atenção, no entanto, vai além do elenco. A Passion UA parece estar em uma busca constante por sua identidade como organização. Eles não são um time estabelecido no topo do cenário europeu, mas também não são uma equipe completamente nova. Estão nesse limbo competitivo onde cada resultado é amplificado – uma vitória pode parecer o começo de uma ascensão, e uma derrota como a de hoje pode levantar dúvidas sobre a direção do projeto.

E o cenário atual de CS2 não perdoa. A concorrência está feroz. Times como a Gentle Mates, a Falcons, a MOUZ Academy e tantos outros na cena europeia de tier 2 estão constantemente se reforçando, treinando e disputando cada torneio online com uma fome imensa. Para a Passion UA se firmar, não basta apenas trocar um jogador. É preciso desenvolver uma cultura de jogo, uma mentalidade que resista aos altos e baixos. A resiliência que mostraram para se classificar é um bom começo, mas precisa se tornar a regra, não a exceção.

Lembro-me de conversar com um analista que costumava dizer: "Times em transição são como navios trocando a tripulação no meio da tempestade." A metáfora é perfeita. A tempestade é o calendário competitivo apertado, a pressão por resultados e a qualidade dos adversários. Trocar um membro-chave da tripulação exige que todos os outros se adaptem imediatamente às novas funções, ao novo estilo de comando, enquanto tentam manter o barco estável. Algumas jogadas que funcionavam com Grim simplesmente não vão funcionar com Senzu. Os timings vão ser diferentes. As sinergias dentro do jogo, também.

E então surge outra pergunta: qual é o objetivo real para o restante de 2026? Será a consolidação no cenário europeu? Conseguir uma vaga em um RMR? Ou será um ano de experimentação, de dar minutos de jogo para essa nova formação e aceitar que os resultados podem ser inconsistentes no curto prazo? A resposta a isso define tudo – a paciência da organização, a pressão sobre os jogadores e a estratégia de participação em torneios.

Olhando para os próximos compromissos

Os próximos torneios serão um termômetro crucial. Não adianta muito especular sobre a química do time sem vê-los em ação oficial. Cada mapa jogado com a nova formação vai gerar dados valiosos: como eles reagem a eco rounds? Como se comunicam após perderem uma rodada que consideravam ganha? A Gentle Mates explorou falhas de comunicação na Passion UA. Será que com Senzu, talvez com uma energia nova e um desejo de provar seu valor, essa comunicação pode se tornar um ponto forte?

Além disso, há o fator psicológico de jogar por empréstimo. Senzu sabe que esta é uma vitrine. Cada eliminação, cada clutch, cada round vencido pode ser o passaporte para um contrato permanente ou para uma oportunidade ainda maior. Esse tipo de motivação pode ser uma faca de dois gumes. Pode gerar performances incríveis, com o jogador buscando se destacar a qualquer custo, mas também pode levar a decisões individualistas que quebram a estrutura coletiva. Cabe à equipe técnica e ao IGL (in-game leader) da Passion UA canalizar essa energia da forma certa.

E não podemos esquecer dos outros quatro jogadores que permanecem. Como Kvem, que foi o mais consistente na LAN, e nicx, que teve uma atuação abaixo do esperado. Eles agora têm a tarefa de integrar um novo parceiro, de ajudá-lo a se adaptar não apenas às táticas, mas à cultura do time. É um reset parcial. Os papéis dentro do jogo podem ser redistribuídos. O que era responsabilidade de Grim agora pode cair no colo de outro jogador. Essa redistribuição de funções é um processo delicado e que raramente é resolvido da noite para o dia.

Enquanto isso, a Gentle Mates segue sua caminhada no torneio, mostrando a solidez que a Passion UA almeja. A derrota, vista de perto, serve justamente como um espelho. Mostra o nível necessário para competir nas fases mais avançadas. Mostra a importância de ter um *bench* de estratégias profundo e de ter jogadores que, mesmo em um dia não brilhante individualmente, conseguem contribuir de outras formas para a vitória coletiva. A Passion UA teve momentos bons, mas a Gentle Mates teve *constância*. E no cenário competitivo atual, a constância muitas vezes vale mais do que picos de genialidade isolados.

O caminho pela frente é, portanto, de muito trabalho. A eliminação na Roman Imperium Cup V não é um ponto final, mas uma vírgula. Uma vírgula que separa uma fase da próxima. A história deste time em 2026 está sendo escrita agora, e os próximos capítulos dependem de como eles vão aprender com os erros contra a Gentle Mates, de como vão absorver Senzu no sistema e de como vão construir, de fato, uma identidade que os torne mais do que apenas participantes de playoffs, mas verdadeiros candidatos a títulos nos torneios em que disputarem. A janela de transferências pode ter se fechado para essa mudança, mas a janela de oportunidade para crescimento está mais aberta do que nunca.



Fonte: Dust2