
Arnold Hur, Diretor de Operações (COO) da Gen.G Esports, previu o fim da era das franquias e parcerias nos esports, alertando que apenas equipes autossustentáveis, com estruturas de negócios sólidas, sobreviverão à próxima fase da indústria.
A notícia vem de relatos traduzidos do Inven.
Como a primavera depois do inverno
“A era das franquias acabou e a era das parcerias acabou”, disse Hur durante uma sessão de mídia online organizada pela eSports Foundation em 27 de abril. “No futuro, um pequeno número de equipes fortes, com uma estrutura de negócios sólida e trabalhando em estreita colaboração com as editoras, será a chave para a sobrevivência.”
Os comentários marcam uma mudança significativa de pensamento para uma indústria que passou os últimos anos construída em torno de modelos de franquia e parceria. As ligas LCS e LEC da Riot Games, a Overwatch League da Activision-Blizzard e o sistema de parceria da LCK operaram sob a premissa de que vagas garantidas e compartilhamento de receita criariam estabilidade. Mas, na prática? Nem tanto.
Você já parou para pensar por que tantas organizações estão saindo das ligas franqueadas? Pois é, o modelo que parecia o futuro dos esports está mostrando suas rachaduras. E quem melhor para apontar isso do que alguém que está na linha de frente?
O fim franquias esports Gen G Arnold 2026: O que está por trás da previsão?
Hur não está apenas especulando. A Gen.G, uma das organizações mais bem-sucedidas do cenário, tem se preparado para esse cenário há algum tempo. A empresa diversificou suas operações, investindo em áreas como entretenimento, educação e até mesmo em jogos mobile. A ideia é clara: não depender exclusivamente de uma única fonte de receita.
“As organizações que não conseguirem se adaptar a essa nova realidade vão desaparecer”, continuou Hur. “Não é mais sobre ter uma vaga em uma liga. É sobre construir um negócio que faça sentido financeiramente, com ou sem o apoio da publisher.”
Isso me lembra de uma conversa que tive com um amigo que trabalha com gestão de equipes de esports. Ele dizia que o modelo de franquias era uma faca de dois gumes: dava segurança, mas também criava uma falsa sensação de estabilidade. As organizações relaxavam, achando que o dinheiro sempre viria. E quando as receitas de patrocínio caíram e os investidores ficaram mais cautelosos, o castelo de cartas desabou.
O que esperar do futuro dos esports?
Se Hur estiver certo — e eu acredito que ele está —, veremos uma consolidação do mercado. As equipes que sobreviverem serão aquelas que:
- Tiverem múltiplas fontes de receita (patrocínios, merchandising, conteúdo, educação)
- Mantiverem uma relação próxima e transparente com as publishers
- Conseguirem engajar suas comunidades de forma genuína
- Operarem com custos enxutos e eficiência financeira
É um cenário que, de certa forma, me lembra o que aconteceu com as empresas pontocom no início dos anos 2000. Muita gente queimou dinheiro em modelos insustentáveis, e só os mais sólidos sobreviveram. A diferença é que, nos esports, o produto é o entretenimento ao vivo, e a paixão dos fãs ainda é um trunfo poderoso.
Mas, sinceramente, não acho que seja o fim do mundo. Pelo contrário. Pode ser o início de uma era mais saudável, onde as organizações são forçadas a inovar e a se conectar de verdade com seu público. Afinal, quem não gosta de ver um time que luta, que tem história, e que não depende apenas de um cheque gordo no final do mês?
A Gen.G, por exemplo, já está colhendo os frutos dessa visão. A organização tem parcerias com marcas como Nike, Puma e até mesmo com a Universidade de Stanford. E não para por aí. Eles estão investindo em programas de treinamento para jogadores, em conteúdo educacional e em iniciativas de diversidade e inclusão.
O que me pergunto é: as outras organizações vão conseguir acompanhar esse ritmo? Ou vamos ver uma nova leva de times fechando as portas nos próximos anos?
O impacto nas ligas regionais e no cenário competitivo
Quando Arnold Hur fala sobre o fim das franquias, não é difícil imaginar o efeito dominó que isso pode causar. Pense na LCK, por exemplo. A liga coreana sempre foi vista como o padrão ouro dos esports, com uma base de fãs apaixonada e jogadores de altíssimo nível. Mas até lá, as coisas estão mudando. Times tradicionais como T1 e Gen.G continuam fortes, mas equipes menores estão lutando para se manter à tona. E não é só na Coreia.
Na América do Norte, a LCS já viu várias organizações saírem ou reduzirem seus investimentos. A Echo Fox, a OpTic Gaming, a CLG — todas tiveram seus momentos de glória, mas também enfrentaram dificuldades financeiras. E na Europa? A LEC ainda respira, mas com times como a Misfits Gaming vendendo sua vaga, fica claro que o modelo de parceria não é tão dourado quanto parecia.
O que me intriga é: será que as publishers vão realmente deixar as franquias morrerem? A Riot Games, por exemplo, investiu pesado no modelo de parceria para a LCS e a LEC. Será que eles vão simplesmente abandonar o barco? Ou vão criar um novo sistema híbrido, com menos times, mas mais sustentável?
Hur parece acreditar que sim. “As publishers vão se concentrar em um número menor de equipes, mas com relacionamentos mais profundos”, ele disse. “Não é sobre ter 10 ou 20 times em uma liga. É sobre ter 5 ou 6 que realmente funcionam.”
O papel dos investidores e o dinheiro inteligente
Outro ponto que Hur tocou, e que merece atenção, é o papel dos investidores. Nos últimos anos, vimos uma enxurrada de dinheiro entrando nos esports. Fundos de venture capital, celebridades, até mesmo empresas tradicionais como a BMW e a Coca-Cola. Mas esse dinheiro está ficando mais escasso.
“Os investidores estão mais cautelosos agora”, explicou Hur. “Eles querem ver retorno. Não estão mais dispostos a queimar dinheiro em equipes que não têm um plano de negócios sólido.”
E isso é um problema, porque muitas organizações cresceram rápido demais, contratando jogadores com salários astronômicos e montando estruturas de staff que não se sustentavam. Lembro de uma vez em que visitei a sede de uma equipe de médio porte nos EUA. Era um prédio enorme, com salas de streaming, academia, cozinha gourmet... Mas quando perguntei sobre o faturamento, o CEO desconversou. Seis meses depois, a equipe fechou as portas.
A Gen.G, por outro lado, parece ter aprendido a lição. Eles não estão apenas sobrevivendo; estão prosperando. E a pergunta que fica é: o que eles estão fazendo de diferente?
Diversificação: a palavra-chave para a sobrevivência
Hur deixou claro que a Gen.G não é mais apenas uma organização de esports. Eles são uma empresa de entretenimento, educação e tecnologia. E isso faz toda a diferença.
“Nós temos divisões que vão desde a produção de conteúdo até programas de treinamento para jovens”, disse Hur. “Isso nos dá uma estabilidade que outras organizações não têm.”
Por exemplo, a Gen.G lançou recentemente uma plataforma de educação online focada em habilidades para jogadores e profissionais de esports. Cursos de inglês, gestão de carreira, saúde mental — tudo pensado para preparar os atletas para a vida dentro e fora do jogo. E isso não é apenas filantropia; é um negócio que gera receita.
Além disso, a organização tem uma parceria com a Universidade de Stanford para pesquisas sobre performance e bem-estar de jogadores. Isso não só agrega valor à marca, mas também cria um ecossistema que vai além das competições.
E você, leitor, já parou para pensar no que sua organização favorita está fazendo para se preparar para o futuro? Será que ela tem um plano B, ou está apostando todas as fichas em uma única liga?
O que isso significa para os jogadores e fãs?
Se o modelo de franquias realmente acabar, os jogadores serão os primeiros a sentir o impacto. Sem a segurança de uma vaga garantida, os salários podem cair, e a competição por vagas em times de elite vai se intensificar. Por outro lado, times mais enxutos e focados podem significar ambientes mais saudáveis e profissionais.
Para os fãs, a mudança pode ser agridoce. Por um lado, menos times significa menos jogos e menos diversidade. Por outro, times mais estáveis e bem geridos podem oferecer uma experiência de melhor qualidade, com mais transparência e engajamento.
Eu, particularmente, acho que os fãs vão se beneficiar no longo prazo. Times que dependem de paixão e comunidade, em vez de apenas dinheiro de investidores, tendem a criar laços mais fortes com seu público. É como torcer para um time de futebol da sua cidade, em vez de um clube comprado por um bilionário estrangeiro.
Mas, claro, isso é apenas uma opinião. O futuro dos esports ainda está sendo escrito, e cada um de nós — jogadores, organizações, publishers e fãs — tem um papel nessa história.
Fonte: Esports Net










