A BESTIA está classificada para a semifinal do Circuit X Curitiba #3, e nos bastidores, o treinador Gustavo "tge" Motta abriu o jogo sobre as contratações que moldaram o novo elenco. Em entrevista à Dust2 Brasil, ele detalhou por que escolheu André "drop" Abreu e Kaue "kauez" Kaschuk para a lineup, além de destacar o papel crescente de Nicolás "buda" Kramer como capitão.
Confesso que sempre fico curioso para entender a cabeça de um treinador na hora de montar um time. Não é só juntar cinco nomes bons — é encaixar funções, personalidades e ritmos. E foi exatamente isso que o tge deixou claro na conversa.
Por que drop foi a primeira escolha do TGE na BESTIA?
Segundo o treinador, a chegada de drop não foi por acaso. A BESTIA buscava uma voz ativa, alguém que pudesse dividir a responsabilidade com buda e assumir o papel de playmaker.
"A primeira mudança foi o drop. Como time, estávamos buscando bastante uma voz ativa que pudesse ajudar o buda, que pudesse organizar, ser o nosso playmaker. Vi o perfil do drop, que encaixa perfeitamente para mim, por mais que ele estivesse fazendo um role de IGL no time passado, ele tem essa função que já fez na FURIA quando eles jogavam com o arT."
É interessante notar como o tge valoriza essa experiência prévia. O drop já atuou em alto nível ao lado de arT, e isso traz um repertório que poucos jogadores têm. Na minha visão, essa bagagem pode ser decisiva em momentos de pressão — algo que a BESTIA certamente vai enfrentar na semifinal.
Kauez e a questão de função: o que pesou na decisão?
Já no caso de kauez, o critério foi um pouco diferente. O treinador destacou a convivência anterior e a dedicação do jogador como fatores-chave.
"O kauez também foi escolhido por uma questão de função também. É um jogador que tive a experiência de jogar junto, sei o quão dedicado ele é, o tão importante que é. Fomos pelas funções e acredito que tomamos uma boa decisão."
Olha, isso me lembra uma coisa que ouvi de um técnico de esports uma vez: "Você não contrata estatísticas, você contrata pessoas." E parece que o tge pensa parecido. Conhecer o kauez de trabalhos anteriores deu a ele a confiança necessária para apostar no encaixe.
Buda como IGL: a evolução que o TGE destaca
Antes mesmo de reencontrar drop e kauez, o tge já havia iniciado os trabalhos na BESTIA ao lado de buda. Os dois já se conheciam da época da 9z, mas com uma diferença importante: naquele tempo, buda não era o IGL.
"Quando trabalhava com o buda, ele não era IGL, então ele tinha um papel muito importante na equipe. Acho que com o tempo, agora a versão do buda é bem mais madura..."
Essa transição de papel não é trivial. Assumir a liderança in-game exige não só conhecimento tático, mas também jogo emocional. E o tge parece confiar que o argentino está pronto para esse passo.
O que esperar da BESTIA no Circuit X Curitiba #3?
Com a classificação para a semifinal já garantida, a BESTIA agora tem a chance de testar esse novo elenco em um cenário competitivo real. As escolhas do tge — drop como playmaker, kauez pela função e buda como IGL — formam um quebra-cabeça que só o tempo dirá se está completo.
Eu, particularmente, fico de olho em como essa dinâmica vai funcionar em mapas mais táticos. A semifinal deve ser um bom termômetro.
E você, o que achou das escolhas do tge? Acha que drop e kauez são os nomes certos para levar a BESTIA mais longe?
O contexto do Circuit X Curitiba #3 e o peso da semifinal
Vale lembrar que o Circuit X Curitiba #3 não é só mais um campeonato no calendário brasileiro. É um daqueles torneios que servem como laboratório — e ao mesmo tempo como vitrine. Times em reformulação costumam usar esse tipo de evento para testar química, validar funções e, claro, mostrar serviço para possíveis patrocinadores e organizações maiores.
Para a BESTIA, chegar à semifinal já é um sinal de que o trabalho do tge está no caminho certo. Mas eu diria que o mais interessante não é nem o resultado em si, e sim como o time está jogando. Um playmaker como drop precisa de espaço para errar e acertar, e um IGL em transição como buda precisa de respaldo. Se a semifinal servir como esse espaço seguro de experimentação, o aprendizado pode valer mais do que qualquer troféu.
Drop, kauez e buda: três perfis, uma engrenagem
Pensando friamente na composição, dá para enxergar uma lógica bem clara nas escolhas do tge. Não é um time montado por hype, é um time montado por encaixe funcional. E isso, convenhamos, é raro no cenário nacional, onde muitas vezes a gente vê lineups sendo montadas por amizade ou por números de HLTV.
- drop — traz a voz ativa e a experiência de ter jogado em alto nível ao lado de arT. É o cara que pode chamar a responsabilidade quando o jogo aperta.
- kauez — chega pela função e pela confiança construída em trabalhos anteriores com o próprio tge. Dedicação, segundo o treinador, foi um fator decisivo.
- buda — assume o papel de IGL em uma versão mais madura, depois de anos atuando em funções importantes mas sem a liderança in-game.
Sinceramente? Gosto desse tipo de construção. Ela me lembra um pouco o que times como a própria FURIA fizeram em determinados momentos — apostar em perfis complementares em vez de simplesmente empilhar talento individual.
O que a experiência de drop na FURIA pode ensinar à BESTIA
Um ponto que o tge tocou de leve, mas que merece mais atenção, é a passagem do drop pela FURIA ao lado de arT. Quem acompanha o cenário sabe que jogar com o arT não é para qualquer um. O estilo dele é agressivo, imprevisível e exige que os companheiros leiam o jogo em uma velocidade acima da média.
Ter vivido isso dá ao drop um repertório que vai além do aim. Ele aprendeu a jogar em um sistema caótico, a tomar decisões rápidas e a conviver com a pressão de ser cobrado publicamente. Na minha opinião, esse tipo de bagagem é ouro para um time que ainda está se encontrando.
Claro, existe o outro lado da moeda: adaptar-se a um novo sistema, com um IGL diferente e uma cultura diferente, nunca é instantâneo. Vai levar tempo. E é aí que a paciência do tge vai ser testada de verdade.
Kauez e a tal da "questão de função"
Quando o tge fala em "questão de função", ele está tocando em um ponto que muita gente fora do competitivo não entende. No CS, função não é só posição no mapa — é ritmo, é timing, é saber quando segurar e quando explodir. Um jogador pode ter um aim absurdo e ainda assim não encaixar, simplesmente porque joga em um ritmo que não conversa com o resto do time.
O fato de o tge já ter trabalhado com o kauez antes dá a ele uma vantagem enorme nesse aspecto. Ele não precisa descobrir do zero como o jogador reage a pressão, como ele se comunica, como ele lida com críticas. Isso encurta o processo de adaptação — e em um cenário onde os torneios acontecem quase toda semana, tempo é luxo.
Eu arriscaria dizer que essa escolha diz menos sobre o kauez como jogador individual e mais sobre o tge como treinador. Ele está montando um time à imagem do que ele acredita, não do que o mercado dita.
Buda IGL: a aposta de longo prazo
A transição do buda para IGL é, talvez, a parte mais delicada de toda essa reformulação. Não porque ele não tenha capacidade — pelo contrário. Mas porque assumir a liderança in-game significa abrir mão de parte do próprio desempenho individual em nome do coletivo.
Nem todo jogador consegue fazer essa transição bem. Alguns brilham como IGL, outros acabam perdendo a identidade. O que o tge parece ter percebido é que o buda já vinha exercendo uma liderança informal antes mesmo de receber o título. Isso muda tudo.
Quando o cara já é ouvido naturalmente pelo grupo, formalizar o papel é quase uma consequência. E a maturidade que o tge menciona provavelmente vem justamente daí — de anos acumulando experiência, errando, aprendendo e construindo respeito.
O que eu vou observar de perto na semifinal
Se eu pudesse dar uma dica de olhar para quem vai acompanhar a BESTIA na semifinal, seria essa: esqueça o placar por um instante. Olhe para a comunicação. Olhe para como o drop se posiciona nos rounds de eco. Olhe para as decisões do buda em situações de 3v5.
São esses detalhes que vão mostrar se o quebra-cabeça do tge está realmente se encaixando. Resultado é consequência — e em um time em construção, ele pode enganar tanto para o bem quanto para o mal.
E aí, você concorda que função pesa mais que estatística na hora de montar um time? Ou acha que o tge poderia ter apostado em outros nomes disponíveis no mercado?
Fonte: Dust2









