O streamer Itz Ivan, conhecido por transmissões de Counter-Strike, foi preso nesta quarta-feira (26) sob a acusação de envolvimento em um golpe que lesou vítimas em R$ 800 mil. A prisão aconteceu em Florianópolis, para onde o criador de conteúdo se mudou após o crime, e faz parte de uma investigação da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (DRACO) de Roraima.

O caso, que chocou a comunidade de jogos, tem um detalhe que parece roteiro de filme: o golpe envolveu uma falsa abordagem policial. Segundo as investigações, o grupo usou armas, distintivos, roupas semelhantes às da Polícia e até uma viatura oficial descaracterizada para simular uma operação e roubar 30 kg de ouro.

Como funcionava o golpe de Itz Ivan

Itz Ivan atuava como intermediador na venda de ouro. O streamer recebia o minério de garimpeiros e realizava a venda para compradores interessados, recebendo uma comissão pela transação. Na ocasião, Ivan cometeu o crime contra as duas partes: ficou com o ouro e com o dinheiro dos compradores.

A pureza exata ou a quantidade de quilates dos 30 kg de ouro roubados não foi divulgada. Até a última atualização da investigação, o destino do minério e do valor em espécie ainda não havia sido localizado. É um rombo considerável, e a polícia segue trabalhando para rastrear esses ativos.

Desdobramentos e novas prisões

O desdobramento da investigação resultou na prisão de mais duas pessoas nesta quarta-feira. A Polícia Civil de Roraima decretou a prisão preventiva de um delegado e um investigador da Polícia Civil do Amazonas, suspeitos de envolvimento no crime ocorrido em março. A participação de agentes de segurança no esquema levanta questões sérias sobre a confiança no sistema.

Após a realização do crime, Ivan Luiz se mudou para Florianópolis. Apontado como operador financeiro do esquema de lavagem de dinheiro, o streamer foi preso durante uma operação da DRACO. A mudança de estado não foi suficiente para escapar da investigação, que monitorava seus passos.

Quem é Itz Ivan no cenário dos games

Itz Ivan possui 18,3 mil seguidores no Instagram e 4,3 mil na Twitch. Jogador de Counter-Strike e outros jogos, como League of Legends e Tibia, o criador de conteúdo costumava transmitir partidas no modo Premier na plataforma. Para quem acompanhava as lives, a notícia da prisão pegou todos de surpresa — a imagem pública do streamer não combinava com o que as investigações revelaram.

O caso serve como um alerta sobre a necessidade de verificação em transações de alto valor, especialmente em mercados como o de ouro, onde a informalidade ainda é comum. A investigação continua em andamento, e novas informações podem surgir a qualquer momento.

O caso ganhou ainda mais repercussão nas redes sociais, especialmente entre a comunidade de Counter-Strike, onde Itz Ivan era conhecido por suas partidas competitivas e por interagir com outros jogadores. Muitos fãs demonstraram incredulidade, enquanto outros relembraram sinais que, em retrospecto, pareciam suspeitos. Alguns relatos de ex-parceiros de jogo mencionam que o streamer evitava falar sobre sua vida pessoal e que, em determinado momento, passou a exibir um padrão de vida incompatível com o que se esperava de um criador de conteúdo iniciante.

De acordo com o delegado responsável pela operação, a participação de Itz Ivan não se limitava apenas à intermediação da venda. Ele teria sido o responsável por atrair as vítimas, utilizando sua imagem pública para dar credibilidade ao negócio. A estratégia era simples, mas eficaz: o streamer se apresentava como um vendedor confiável, com contatos no garimpo, e os compradores, confiantes na reputação dele, não desconfiavam da armadilha.

O golpe, que aconteceu em março, foi meticulosamente planejado. A falsa abordagem policial ocorreu em uma estrada isolada, onde os criminosos interceptaram o veículo que transportava o ouro. As vítimas, que acreditavam estar lidando com uma fiscalização de rotina, foram surpreendidas pela violência da ação. Além do ouro, os criminosos levaram pertences pessoais das vítimas, o que dificultou ainda mais a identificação imediata do crime.

O que chama a atenção é a ousadia do esquema. Não é todo dia que um grupo criminoso monta uma operação com viatura descaracterizada e distintivos falsos para roubar minério. Isso mostra um nível de organização que, segundo especialistas em segurança pública, é característico de facções com atuação em regiões de garimpo. A Polícia Civil de Roraima acredita que o grupo tenha ligação com outras ocorrências semelhantes na região Norte do país.

Enquanto isso, a comunidade de games se divide entre a comoção e a curiosidade. Fóruns e grupos de discussão sobre Counter-Strike estão repletos de especulações sobre o envolvimento de Itz Ivan. Alguns usuários apontam que o streamer teria vendido sua conta na plataforma pouco antes da prisão, o que pode indicar uma tentativa de fuga ou de ocultação de provas. Outros, no entanto, defendem a inocência do criador de conteúdo até que todas as provas sejam apresentadas.

Do ponto de vista jurídico, a situação de Itz Ivan é delicada. A prisão preventiva foi decretada com base na gravidade do crime e no risco de fuga, já que ele havia se mudado para outro estado. A defesa do streamer ainda não se manifestou publicamente, mas é provável que tente negociar um acordo ou apresentar um habeas corpus. O fato de ele ser um operador financeiro do esquema, e não apenas um intermediador, pode aumentar sua pena, que, em casos de roubo qualificado, pode chegar a 15 anos de reclusão.

O caso também reacendeu o debate sobre a segurança em transações de alto valor no mercado de ouro. Especialistas recomendam que compradores e vendedores utilizem canais oficiais, como bancos e corretoras credenciadas, e que evitem negociações informais, especialmente quando envolvem grandes quantidades de minério. A falta de regulamentação nesse setor é um dos principais fatores que facilitam a atuação de golpistas.

Para os fãs de Itz Ivan, a notícia é um choque. O streamer, que parecia levar uma vida tranquila em Florianópolis, agora enfrenta um futuro incerto. A investigação, que segue em andamento, pode revelar novos detalhes sobre a participação de outras pessoas no esquema. A DRACO de Roraima já adiantou que novas prisões não estão descartadas, e que o rastreamento do ouro roubado é uma prioridade.

Enquanto isso, a cena de e-sports brasileira observa o caso com atenção. Apesar de Itz Ivan não ser um jogador profissional, sua presença na comunidade era ativa, e sua queda serve como um lembrete de que a fama nas redes sociais não está imune a escândalos. A pergunta que fica é: quantos outros casos como esse estão escondidos atrás de perfis aparentemente inofensivos?



Fonte: Dust2