Em 21 de agosto de 2026, a torcida da 9z provou que a rivalidade fica de lado quando a região está em jogo. Os "órfãos" da 9z, eliminados da EWC pela Magic, decidiram adotar a Legacy como seu novo time no campeonato — e a festa nas arquibancadas francesas foi contagiante.
O grupo de superfãs argentinos viajou até a França para acompanhar o evento, mesmo sem seu time na disputa. E a escolha do novo time para torcer não poderia ser mais natural: a Legacy conta com o argentino try no elenco, e a conexão entre os países sul-americanos falou mais alto.
Superfãs da 9z encontram novo time para torcer na EWC 2026
O Super Fan Program, iniciativa que cobre viagem, acomodação e ingressos para torcedores, foi originalmente destinado às parceiras brasileiras Alpha7, Fluxo e FURIA. Mas isso não impediu que a Legacy aproveitasse o apoio espontâneo dos argentinos.
"Nós fomos eliminados pela Magic, estamos aqui na França e aproveitando do evento. Viemos acompanhar os nossos compadres da Legacy e da FURIA, especialmente a Legacy. Primeiro pelo try, estou muito feliz que ele esteja na organização", disse Nahuel "Blake", superfã da 9z que veio da Argentina.
E não foi só Blake que sentiu essa conexão. Martin "Tincho", outro torcedor argentino, explicou a lógica por trás do apoio:
"Torcemos pela Legacy pelo Santi (try), que é argentino, então nós argentinos vamos sempre torcer. Mesmo que não tivesse o try, nós sempre torcemos pela nossa região, somos irmãos. Quando jogamos contra somos rivais, mas quando estamos jogando com o Brasil do outro lado, mesmo com a FURIA, torcemos pela FURIA, pelo Professor, nós amamos o Professor na Argentina. Por isso estamos com a Legacy".
Festa argentina nas arquibancadas da EWC
A presença dos torcedores não passou despercebida. Tanto no confronto contra a NAVI quanto contra a Falcons, os gritos com sotaque castelhano se misturaram aos brasileiros na arquibancada, criando uma atmosfera única no evento.
A organização da Legacy até agradeceu publicamente o apoio nas redes sociais, reconhecendo a força dessa torcida que cruzou fronteiras para apoiar o time.
O que mais me impressiona nessa história é como o cenário sul-americano se une quando a competição é internacional. É quase como se, fora da América do Sul, todos fossem um só time — e isso fica evidente na forma como esses fãs abraçaram a Legacy como se fosse sua própria casa.
E você, já imaginou ver sua torcida adotando outro time em um campeonato internacional? A cena na França mostra que, no fim das contas, a paixão pelo esporte fala mais alto que qualquer rivalidade regional.
E essa energia contagiante não é novidade para quem acompanha o cenário sul-americano de CS2. A rivalidade entre Brasil e Argentina nos servidores é histórica — dos tempos de FURIA contra 9z em finais emocionantes até os confrontos recentes na EWC. Mas quando o adversário é europeu ou norte-americano, a história muda completamente.
Os próprios jogadores da Legacy sentiram esse calor nas arquibancadas. Durante uma entrevista pós-jogo, o capitão do time mencionou que ouvir o coro argentino misturado ao brasileiro deu uma energia extra para a equipe. "É surreal", disse ele, visivelmente emocionado. "A gente sabe que tem gente que viajou milhares de quilômetros para estar aqui, e isso não tem preço."
O que o Super Fan Program revela sobre a comunidade
O Super Fan Program, que originalmente cobriria apenas as parceiras brasileiras, acabou se tornando um símbolo de como a comunidade sul-americana se mobiliza. A 9z, mesmo eliminada, não deixou seus torcedores órfãos — eles encontraram um novo lar na Legacy, e isso diz muito sobre a maturidade da cena.
Vale destacar que a Magic, que eliminou a 9z, também tem sua parcela de torcedores argentinos. Mas a escolha pela Legacy não foi aleatória. Além do try, há uma conexão histórica entre as organizações. A 9z e a Legacy já se enfrentaram em diversos campeonatos, e sempre houve um respeito mútuo entre os elencos. Quando o try se transferiu para a Legacy no início de 2026, muitos fãs da 9z prometeram seguir o jogador — e parece que cumpriram a promessa.
Nas redes sociais, o movimento ganhou tração com a hashtag #LegacyDa9z, que ficou entre os trending topics da América do Sul durante o primeiro dia da EWC. Os memes não perdoaram: tinha argentino abraçando brasileiro, bandeiras cruzadas e até um grupo de torcedores cantando músicas em espanhol com sotaque carregado de português.
O impacto dentro e fora do servidor
Dentro do servidor, o apoio extra pode ter feito diferença. No confronto contra a NAVI, a Legacy venceu por 2 a 1 em uma série decidida nos detalhes. Os jogadores creditaram a atmosfera como um fator importante nos momentos de pressão. "Quando você olha para a arquibancada e vê gente que não te conhece pessoalmente, mas está torcendo por você como se fosse da família, isso muda tudo", comentou um dos atletas após a partida.
Fora do servidor, o movimento reforça uma tendência que venho observando há algum tempo: a união da América do Sul em competições internacionais. Não é só no CS2 — no Valorant, no League of Legends e até no Dota 2, os times sul-americanos costumam receber apoio mútuo quando enfrentam adversários de outras regiões. É como se houvesse um pacto não escrito: "fora de casa, somos todos hermanos".
E essa história ainda pode render mais capítulos. A Legacy segue viva na EWC, e os superfãs da 9z já anunciaram que vão acompanhar todos os jogos restantes. Alguns até brincaram que, se a Legacy for eliminada, eles vão adotar a FURIA — mas só se o Professor prometer fazer uma dancinha na frente da câmera.
O que fica claro é que, no fim das contas, o que move o esporte eletrônico não são apenas os prêmios ou os títulos. São as pessoas que lotam arquibancadas, que viajam continentes e que transformam uma partida em uma celebração da cultura sul-americana. E enquanto houver torcedores como Blake e Tincho, o cenário competitivo continuará tendo alma.
Fonte: Dust2










