O tão esperado reencontro entre LOUD e Saadhak aconteceu na última sexta-feira (18). Mesmo diante da derrota da KRÜ Esports na estreia pelo VALORANT Champions Tour 2026 - Americas Stage 2, o jogador argentino falou, em entrevista exclusiva ao THESPIKE Brasil, sobre a sensação de ter enfrentado a organização brasileira pela primeira vez. Ele, no entanto, deixou claro que o sentimento foi apenas pelo nome da LOUD e não pela atual lineup de VALORANT que lá está.

“Cara, é uma LOUD diferente, né? Não tem jogadores que eu já joguei antes junto, né? cauanzin foi o último e agora não está mais nesse split, então, para mim foi, tipo, enfrentar a LOUD pelo nome. E isso, sim, obviamente, foi muito especial porque a LOUD, pô, foi minha casa por muitos anos, conquistamos muitas coisas e sempre é legal. Poder enfrentar agora um time que antes eu estive, obviamente”, disse Saadhak.

Saadhak enfrentar LOUD VCT 2026: O que mudou na KRÜ com heat?

Além disso, Saadhak também explicou qual a diferença entre a KRU com heat e com silentz, que jogou o VALORANT Champions Tour 2026 - Americas Stage 1. Segundo o capitão da equipe, o novo reforço consegue jogar melhor de Operator e também influenciar em outras questões de composições, agentes e até mesmo de táticas.

“O heat acho que é uma pessoa que primeiro consegue fazer uma Operator um pouco melhor, né? A gente estava tendo um pouco de dificuldade nisso no Stage 1. Esse foi um dos propósitos também de trazer o heat, que também se mostrou muito, né, que jogou muito de Operator. Tirando isso, acho que também tem alguns detalhes de composição, tem alguns detalhes de agentes, de flexibilidade tática que fomos entender que o heat ia ser um melhor encaixe para nós”, opinou o argentino.

Leia mais sobre o VCT 2026

Por fim, Saadhak foi perguntado sobre em qual patamar a KRU, com heat e companhia, se encontra neste momento. Sem definir isso, ele afirmou que o time ainda está em processo de adaptação e que o foco é evoluir a cada partida. “Ainda estamos nos conhecendo, entendendo os pontos fortes e fracos. O importante é crescer como equipe e chegar forte nos playoffs”, completou.

E essa adaptação, claro, não acontece da noite para o dia. Quem já jogou VALORANT em um nível competitivo sabe que trocar um jogador não é só questão de encaixar uma peça nova — é como trocar o motor de um carro enquanto ele ainda está correndo. A KRÜ, que já tinha uma identidade bem definida com silentz, agora precisa se reinventar com heat. E olha, não é fácil.

O próprio Saadhak reconheceu que o time ainda está longe do ideal. “A gente está trabalhando muito nos treinos, mas o palco é diferente. A pressão, o barulho da torcida, a adrenalina... tudo isso muda. Contra a LOUD, sentimos que faltou um pouco de sincronia em alguns rounds, mas são coisas que vamos ajustar com o tempo”, comentou.

E você já parou para pensar no peso que é enfrentar uma organização que foi sua casa por tanto tempo? Saadhak construiu boa parte da sua carreira na LOUD. Foram títulos, memórias, amizades. Mas, como ele mesmo disse, a LOUD de hoje não é a mesma que ele deixou. A lineup mudou, a comissão técnica mudou, até a energia parece diferente. “É estranho, porque você olha para o lado e não vê mais os mesmos rostos. Mas, ao mesmo tempo, é bonito ver como a organização cresceu”, refletiu.

No jogo em si, a KRÜ mostrou lampejos do que pode vir a ser. Teve rounds em que a comunicação parecia afiada, com o heat fazendo jogadas de Operator que lembravam seus melhores dias na MIBR. Mas também teve momentos de desconexão — aqueles rounds em que você sente que o time está pensando em coisas diferentes. É normal, claro. Mas no VCT, onde cada ponto vale ouro, esses erros custam caro.

Uma coisa que me chamou a atenção foi a postura do Saadhak pós-jogo. Diferente de outros capitães que ficam na defensiva após uma derrota, ele foi aberto, quase didático. Explicou os erros, apontou o que precisa melhorar, mas sem jogar a culpa em ninguém. “Perdemos porque fomos inconsistentes. Não dá para culpar um round ou um jogador. O time perde e o time vence”, disse.

E essa mentalidade, acredito, é o que vai fazer a diferença para a KRÜ nesta temporada. Não é sobre vencer agora, mas sobre construir algo que dure. O VCT 2026 está apenas começando, e o caminho é longo. A LOUD, por exemplo, já mostrou que está mais entrosada, mas será que consegue manter o ritmo? E a KRÜ, com heat, vai conseguir encontrar a química ideal a tempo dos playoffs?

Outro ponto que Saadhak abordou foi a questão do meta. Com as mudanças recentes no jogo — nerfs em agentes como Skye e buffs em outros —, as composições estão se reinventando. “A gente testou várias coisas nos scrims. Umas funcionaram, outras não. Contra a LOUD, optamos por uma composição mais agressiva, mas eles souberam ler nossos movimentos. Talvez precisemos ser mais flexíveis”, analisou.

E é aí que entra o papel do heat. Diferente de silentz, que era mais focado em suporte e utilidade, o heat traz uma agressividade que pode desequilibrar partidas. Mas, como tudo no VALORANT, isso tem um preço. “Com heat, a gente ganha em poder de fogo, mas perdemos um pouco em consistência tática. É um trade-off que estamos aprendendo a gerenciar”, explicou Saadhak.

No fim das contas, a KRÜ não está morta. Longe disso. Uma derrota na estreia não define uma campanha. O que define é como o time reage, como absorve as lições e volta mais forte. E, pelo que Saadhak mostrou, a cabeça está no lugar certo. “Vamos para o próximo jogo com a mesma fome. Não tem tempo para lamentar. É corrigir, treinar e mostrar nosso valor”, finalizou.



Fonte: THESPIKE