12 de agosto de 2026 às 16:03 — Escrito por vitoriavonb
O MIBR de Lucas "nqz" Soares estreou com uma derrota na EWC. Esse é o segundo grande campeonato do awper com seu novo time. Em entrevista à Dust2 Brasil, nqz explicou sua saída da paiN, revelando que houve divergências internas, e também contou por que escolheu ir para o MIBR. A declaração mais marcante? "Aqui tenho mais liberdade para expressar o que eu quero."
Por que nqz deixou a paiN?
"De uma maneira bem resumida, aconteceram divergências dentro do jogo e também divergências com a organização. Aconteceram algumas infelicidades, algumas coisas com as quais não concordei e por isso eu decidi que meu ciclo tinha encerrado na paiN. Para mim foi uma escolha que fez sentido."
Essa transparência é rara no cenário competitivo de CS2. Muitos jogadores preferem respostas evasivas quando mudam de equipe, mas nqz foi direto ao ponto. E essa honestidade parece ser exatamente o que ele valoriza agora no MIBR.
A atração pelo projeto MIBR e a parceria com insani
nqz também contou que recebeu outras propostas, mas disse que sempre quis jogar com Felipe "insani" Yuji. A conexão entre os dois não era exatamente uma amizade próxima, mas existia um respeito mútuo e um desejo compartilhado de formar dupla.
"Chegaram (outras propostas). Eu sempre tive uma relação, não de amizade muito próxima, mas de conversar com o insani, e sempre compartilhamos esse desejo de jogar juntos. Apareceu a oportunidade e não tenho nem o que falar em relação à tag do MIBR. O projeto também me atraiu muito, e a questão da comunicação em inglês é um desafio que eu queria ver muito como seria e entender. Todos os meninos aqui, não só o insani, fizeram muito meu olho crescer para o projeto. Acredito que eu posso entregar muito para eles, assim como eles podem entregar muito para mim."
É interessante notar como nqz fala sobre o projeto como um todo, não apenas sobre o time. A estrutura do MIBR, a história da organização e o potencial de crescimento parecem ter pesado bastante na decisão.
O desafio da comunicação em inglês
O capitão do MIBR é o sueco Linus "LNZ" Holtäng, e por isso o time se comunica em inglês. nqz contou que ainda está tendo algumas dificuldades com a comunicação em inglês, mas que está se adaptando bem.
Essa adaptação é crucial. Em jogos de alto nível, frações de segundo fazem diferença, e não entender perfeitamente um call pode custar uma rodada inteira. Mas nqz parece encarar isso como parte do crescimento — e não como um obstáculo intransponível.
Vale lembrar que a EWC (Esports World Cup) é apenas o segundo grande torneio dessa formação. O time ainda está em fase de construção, e resultados imediatos nem sempre refletem o potencial real do elenco.
A derrota na estreia pode preocupar alguns torcedores, mas a postura de nqz mostra maturidade. Ele não está fugindo das dificuldades — pelo contrário, parece abraçá-las como parte do processo.
E você, o que acha dessa mudança? Será que a liberdade criativa que nqz encontrou no MIBR vai se traduzir em resultados dentro do servidor? O tempo vai dizer, mas a confiança do awper no projeto é evidente.
Mas será que essa liberdade toda vem com um preço? No cenário competitivo atual, onde a estrutura tática muitas vezes sufoca a criatividade individual, ver um jogador do calibre do nqz priorizando exatamente isso é, no mínimo, intrigante. A paiN, por outro lado, sempre foi conhecida por um estilo de jogo mais rígido, quase cirúrgico. A diferença de filosofias, que ele mesmo admitiu, pode ser o motivo pelo qual a adaptação ao MIBR, apesar da derrota, pareça tão natural para ele.
E tem outro detalhe que pouca gente está comentando: a sinergia com o insani. Não é só sobre jogarem juntos, é sobre como eles se complementam dentro do servidor. Enquanto o insani é explosivo, muitas vezes abrindo espaços com agressividade, o nqz tem aquele estilo mais calculista, segurando ângulos e esperando o erro do adversário. É uma combinação que, se funcionar, pode dar ao MIBR uma versatilidade tática que faltava nas últimas versões do time.
O peso da tag MIBR e a pressão da torcida
Não dá para falar de MIBR sem mencionar a torcida. A camisa pesa, e nqz sabe disso. Ele mesmo mencionou que a tag do MIBR atraiu ele, mas o que ele não disse é que essa tag vem com uma cobrança implícita. A torcida brasileira é apaixonada, mas também é impaciente. Derrotas na estreia de campeonatos internacionais geram críticas imediatas nas redes sociais, e a pressão por resultados pode ser sufocante.
No entanto, a postura do awper sugere que ele está preparado para isso. Ele não está se escondendo atrás de desculpas como "time novo" ou "falta de entrosamento". Pelo contrário, ele está assumindo o desafio de frente, reconhecendo as dificuldades com a comunicação em inglês, mas também mostrando confiança no processo. Essa maturidade é algo que muitos veteranos não têm, e ver isso em um jogador que ainda está em fase de afirmação na carreira é, no mínimo, promissor.
E o que dizer da escolha de jogar com o LNZ como capitão? É uma aposta ousada. Ter um IGL sueco comandando um time majoritariamente brasileiro em inglês é um experimento que pode dar muito certo ou muito errado. Mas, pelo que nqz indicou, a comunicação não é um problema para ele — é um desafio que ele quer superar. E, sinceramente, acho que essa é a mentalidade certa. Em um cenário globalizado como o CS2, dominar o inglês é quase tão importante quanto dominar o AWP.
Fica a pergunta: será que a liberdade que ele encontrou no MIBR vai ser suficiente para superar a falta de estrutura tática que a paiN oferecia? Porque, convenhamos, liberdade criativa é ótima, mas em campeonatos como a EWC, onde os adversários estudam cada movimento, a disciplina tática ainda é o que ganha campeonatos. Talvez o equilíbrio entre esses dois mundos seja o verdadeiro desafio do nqz nessa nova fase.
O tempo vai mostrar se essa aposta vai dar certo. Mas, por enquanto, é revigorante ver um jogador tão jovem priorizando sua própria identidade dentro do jogo, mesmo que isso signifique sair de uma zona de conforto. E, no fim das contas, é exatamente isso que separa os bons jogadores dos grandes nomes do cenário.
Fonte: Dust2










