21 de julho de 2026 às 20:00 — Escrito por vhporto

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Uma das vozes da IEM Rio, Nessy reforçou que as oportunidades de narração estão escassas, porém ainda tem aberturas interessantes, como com as vindas da ESL para o Brasil.

"Porém, não acho que estas oportunidades sejam suficientes para que você viva só disso. Hoje em dia, você ser só narrador de CS, é impossível. Você tem que ter uma outra fonte de renda.

Você pode ser criador de conteúdo, você pode também fazer Watch Party, pode trabalhar como roteirista, como repórter. Mas você tem que ter outra coisa. Só como narrador, hoje, eu acho que não dá para manter com as oportunidades que a gente tem dentro do jogo, não", opinou.

Narradores CS profissão em queda 2026: o pior ano até agora

Nessy busca ser otimista e aponta que, para 2027, pode acontecer o movimento inverso do que vem acontecendo e o público pode se tornar mais fã de assistir as transmissões com as narrações. No entanto, reforça a fase ruim.

"Se olharmos o panorama do ano retrasado para o ano passado e depois para esse ano, 2026 com certeza foi o pior. Foi o ano com menos oportunidades de narração. E eu não falo isso só por mim, não. Falo isso como uma pessoa que tem muitos amigos na área de narração, que vê muita gente saindo, muita gente que parou. Então acho que vai piorar. Eu acho que o narrador hoje tem que se diversificar se ele quiser se manter nos esports. Tem sido muito difícil", completou.

Crise narração CS2 soluções: diversificação como caminho

Para quem está começando ou pensando em entrar na área, a mensagem é clara: não dá para depender apenas da narração. A crise narração CS2 soluções passa por explorar outras habilidades — seja criando conteúdo para YouTube ou Twitch, atuando como repórter de eventos, ou até mesmo migrando para outras áreas dentro dos esports.

Nessy menciona que, apesar do cenário desanimador, ainda há esperança. "Acho que o público pode voltar a valorizar mais as transmissões com narração. Mas, para isso, precisamos de mais eventos e mais investimento das organizações."

O futuro dos narradores de CS2, segundo ele, depende de uma combinação de fatores: maior demanda por transmissões ao vivo, crescimento de torneios regionais e, claro, a capacidade dos próprios profissionais de se reinventarem.

Profissão narrador CS2 em declínio: o que esperar?

A profissão narrador CS2 em declínio não é um fenômeno isolado. Outros jogos também enfrentam desafios semelhantes, mas no CS2 a situação parece mais crítica devido à concentração de eventos em poucas organizações e à falta de novas oportunidades no mercado brasileiro.

"Se você quer ser narrador, prepare-se para ter um plano B. E um plano C também", brinca Nessy, antes de concluir: "O importante é não desistir, mas também não colocar todos os ovos na mesma cesta."

Mas será que essa crise é exclusiva do CS2? Conversando com outros profissionais do setor, fica claro que o problema é sistêmico. A verdade é que o mercado de narração esportiva sempre foi volátil — e nos esports, isso é ainda mais evidente.

Pegue o caso do Gabriel "Biro" Birochi, por exemplo. Ele começou narrando partidas de CS:GO em campeonatos menores, ganhava por evento e complementava a renda com freela de edição de vídeo. Hoje, ele migrou completamente para a produção de conteúdo no YouTube. "Narração sempre foi minha paixão, mas não pagava as contas. Tive que escolher entre continuar sonhando ou ter estabilidade", me disse em uma conversa recente.

E não é só no Brasil que isso acontece. Na Europa, narradores de CS2 também enfrentam dificuldades, embora o cenário seja um pouco menos árido. Lá, a ESL e a BLAST mantêm calendários mais robustos, mas ainda assim, a maioria dos profissionais precisa ter múltiplos empregos. O americano Henry "HenryG" Greer, que já foi narrador e depois manager de equipe, sempre alertou: "Se você quer viver de narração, esteja preparado para ser um empreendedor de si mesmo."

O papel das plataformas de streaming na crise

Outro fator que muitos ignoram é como as plataformas de streaming mudaram o jogo. Antigamente, assistir a uma partida de CS era quase uma experiência coletiva — você ligava a transmissão oficial e ouvia os narradores. Hoje, com a popularização das Watch Parties, muitos fãs preferem acompanhar o jogo pela visão de um streamer que, muitas vezes, não é narrador profissional.

Isso fragmenta a audiência. E menos audiência significa menos patrocínio para as transmissões oficiais, que por sua vez contratam menos narradores. É um ciclo vicioso. E olha que eu nem estou falando do impacto dos algoritmos — o YouTube e a Twitch favorecem criadores que já têm público, dificultando a entrada de novos talentos na narração.

"A gente compete não só com outros narradores, mas com qualquer pessoa que tenha um microfone e uma opinião", desabafou Nessy durante a IEM Rio. "E o pior é que o público muitas vezes prefere a informalidade de um streamer do que a qualidade técnica de uma narração profissional."

O que as organizações podem fazer?

Se a crise narração CS2 soluções depende de diversificação para os profissionais, do lado das organizações, a responsabilidade é outra. Será que a ESL, a BLAST e a Valve estão fazendo o suficiente para fomentar novos talentos?

Na minha opinião, falta investimento em categorias de base. Não estou falando só de jogadores, mas de talentos da transmissão. Quantos programas de treinamento para narradores existem hoje no Brasil? Pouquíssimos. A maioria aprende na prática, em campeonatos amadores que pagam mal ou nem pagam.

Um exemplo positivo é o que a Gamers Club faz com seus campeonatos abertos — eles dão espaço para narradores iniciantes ganharem experiência. Mas ainda é pouco. Precisamos de mais iniciativas como essa, e de um compromisso maior das grandes ligas em contratar talentos locais quando vêm para o Brasil.

A IEM Rio, por exemplo, trouxe narradores brasileiros para a transmissão em português, o que foi ótimo. Mas são eventos pontuais. O que acontece nos meses entre um torneio e outro? Os narradores voltam ao limbo.

E a Valve, o que diz?

A Valve sempre foi conhecida por sua postura de "mãos leves" em relação ao cenário competitivo. Diferente da Riot Games, que investe pesado em produção e talentos para o League of Legends e Valorant, a Valve deixa o ecossistema do CS2 crescer organicamente. Isso tem vantagens — como a liberdade criativa — mas também desvantagens claras.

Sem um suporte direto da desenvolvedora, os narradores dependem exclusivamente dos organizadores de torneios. E quando esses organizadores apertam os cintos, quem sofre são os profissionais da ponta. Não seria hora da Valve repensar essa estratégia? Talvez um fundo de apoio para talentos de transmissão, similar ao que existe para criadores de conteúdo no Steam, pudesse ajudar.

Mas, conhecendo a Valve, não espere mudanças radicais tão cedo. Enquanto isso, os narradores seguem se virando como podem.

O lado humano da crise

Por trás de cada estatística e análise de mercado, existem pessoas. Pessoas que dedicaram anos de suas vidas a aperfeiçoar a arte de narrar — estudando entonação, ritmo, vocabulário, e a química com os colegas de cabine. Pessoas que sonharam em estar nos maiores palcos dos esports.

Lembro de uma conversa com o narrador "Leco", que já passou por momentos difíceis no início da carreira. Ele me contou que chegou a dormir no carro para poder cobrir um evento. "A paixão pelo jogo é o que mantém a gente de pé. Mas paixão não paga aluguel", ele disse, com um sorriso amarelo.

Essa realidade é dura, mas precisa ser dita. O glamour dos grandes eventos esconde uma base frágil. E se nada mudar, corremos o risco de perder vozes importantes — vozes que ajudaram a construir a história do CS competitivo no Brasil.

O que me preocupa é que, sem renovação, o nível das transmissões pode cair. E aí, quem perde é o público. Porque, no fim das contas, uma boa narração transforma uma partida comum em uma experiência memorável. Ela cria momentos épicos. Ela conecta o espectador ao jogo de uma forma que nenhum streamer solitário consegue.

Será que estamos dispostos a abrir mão disso?



Fonte: Dust2