Co-fundador da Riot chama MMO de League of Legends de busca pelo 'Santo Graal', 5 anos após anúncio

A Riot Games, desenvolvedora de League of Legends, continua trabalhando em seu MMO, que o co-fundador Mark Merrill descreveu recentemente como a "busca pelo graal" do estúdio.

A Riot anunciou seu MMO há cinco anos, em agosto de 2021. Desde então, o projeto passou por diversas mudanças e viu vários desenvolvedores de alto perfil deixarem a equipe. Mas,

" rel="noindex nofollow" target="_blank">em conversa com Greg Miller, da Kinda Funny Games, na PAX, Merrill insistiu que o jogo ainda está em desenvolvimento.

"Sabemos quais são as esperanças e sonhos dos jogadores", disse ele. "A responsabilidade é nossa, como equipe: conseguiremos ter sucesso na execução?"

Merrill revelou que a Riot brinca, chamando o MMO de "graal", porque "muitos cavaleiros corajosos vão morrer na busca pelo graal. Mas que se dane, é o graal, então vamos nessa".

"Esse é o pensamento que realmente tentamos cultivar. E isso é difícil de fazer em escala", continuou. "Mas acho que estamos fazendo um trabalho razoável. E acredito que o futuro é incrivelmente brilhante."

É justo dizer que os comentários de Merrill foram recebidos com uma dose saudável de ceticismo, particularmente por parte dos fãs de jogos de luta. A Riot anunciou recentemente que seu jogo de luta baseado em League of Legends, 2XKO, encerrará o desenvolvimento ativo no final deste ano devido à falta de jogadores. O jogo só foi lançado no final de 2025, então dá para entender de onde vem esse sentimento.

"Eles estão fazendo hype para esse MMO como se não fossem abandoná-lo depois de seis meses..."

E essa desconfiança não é injustificada. O histórico recente da Riot com projetos fora do eixo de League of Legends e Valorant é, no mínimo, turbulento. Enquanto o MMO segue sendo um mistério, o estúdio já demonstrou que não tem medo de cortar investimentos quando algo não atinge as expectativas — o caso do 2XKO é apenas o exemplo mais fresco.

Mas será que a comparação entre um MMO e um jogo de luta é justa? Em termos de escopo, certamente não. Um MMO é um ecossistema vivo, que depende de uma base de jogadores massiva e engajada por anos. O 2XKO, por outro lado, era um título de nicho dentro de um gênero já consolidado. Ainda assim, a decisão de encerrar o desenvolvimento ativo tão cedo após o lançamento acendeu um alerta na comunidade: se a Riot não teve paciência com um jogo de luta, terá com um MMO que leva anos para ser construído?

Vale lembrar que o projeto do MMO já passou por um recomeço significativo. Em 2022, a Riot anunciou que estava reiniciando o desenvolvimento do jogo, com uma nova direção criativa. Desde então, o silêncio tem sido ensurdecedor. Não há gameplay, não há arte conceitual oficial, não há previsão de lançamento. Apenas promessas vagas e a certeza de que o projeto continua existindo.

O que sabemos, no entanto, é que a Riot está contratando ativamente para o projeto. Uma olhada nas vagas de emprego do estúdio revela posições para designers de sistemas, engenheiros de servidores e especialistas em narrativa. Isso sugere que o jogo está, pelo menos, em fase de produção — não apenas em pré-produção ou conceito. Mas, convenhamos, depois de cinco anos, os fãs esperavam algo mais concreto do que vagas de emprego e metáforas sobre cavaleiros.

Há também a questão do cenário competitivo. Enquanto o MMO não sai do papel, outros jogos do gênero estão prosperando. Títulos como Throne and Liberty e o sempre presente World of Warcraft continuam atraindo jogadores. E, claro, não podemos esquecer do Ashes of Creation, que promete ser um concorrente direto no nicho de MMOs com foco em ação e mundo aberto.

O que me intriga é a abordagem da Riot. Em vez de tentar competir com os gigantes do gênero, o estúdio parece estar apostando em algo diferente. Merrill mencionou que a equipe está ciente das "esperanças e sonhos dos jogadores". Isso pode significar que o MMO de League of Legends não será um MMO tradicional, mas sim uma experiência que mistura elementos de Runeterra com mecânicas inovadoras. Ou pode ser apenas retórica corporativa para ganhar tempo.

Outro ponto que merece atenção é o envolvimento de Merrill. Ele é um dos co-fundadores da Riot e, historicamente, não costuma falar publicamente sobre projetos em desenvolvimento. O fato de ele ter abordado o assunto na PAX, em um painel com Greg Miller, sugere que a empresa quer mostrar confiança no projeto. Mas será que isso é suficiente para acalmar os ânimos dos fãs que esperam há meia década?

E há também a questão do universo expandido. League of Legends já tem uma série animada de sucesso, Arcane, que expandiu a lore de Runeterra para além do jogo base. Um MMO poderia ser o próximo passo natural para explorar esse universo de forma mais profunda. Imagine poder caminhar pelas ruas de Piltover ou explorar as masmorras de Noxus. O potencial é imenso. Mas potencial, como sabemos, não é entrega.

No fim das contas, a declaração de Merrill é um lembrete de que o MMO ainda é uma prioridade para a Riot. Mas também é um reflexo da ansiedade que cerca o projeto. Cinco anos é muito tempo, especialmente em uma indústria onde ciclos de desenvolvimento de três a quatro anos já são considerados longos. A pergunta que fica é: até quando a Riot pode manter essa narrativa de "estamos trabalhando duro" antes que os jogadores percam completamente o interesse?



Fonte: IGB BRASIL