O agente mais recente de VALORANT, Miks, ainda não conseguiu conquistar seu espaço no circuito VALORANT Champions Tour (VCT). Apesar de toda a expectativa em torno do seu lançamento, o personagem teve uma presença praticamente inexistente nesta segunda metade do cenário competitivo, sendo escolhido apenas uma vez em todas as regiões do mundo. É um número que, sinceramente, me surpreendeu quando vi os dados.
Para quem acompanha o competitivo de perto, a ausência de um agente novo nos picks costuma ser um sinal claro: ou ele não se encaixa no meta atual, ou os times ainda não encontraram uma composição que justifique sua entrada. No caso de Miks, parece ser uma combinação dos dois fatores.
O único uso de Miks no segundo split do VCT 2026
A única vez em que Miks apareceu na segunda etapa de todas as ligas do VCT foi nas mãos de f0rsakeN, na partida entre Paper Rex e T1, válida pela fase de grupos do VALORANT Champions Tour 2026 - Pacific Stage 2. O jogo foi disputado no dia 18 de julho e ficou marcado pela derrota por 2 a 1 da Paper Rex.
No entanto, foi justamente com o Miks de f0rsakeN que a Paper Rex conseguiu vencer o único mapa da série: a Ascent. Naquela partida, o próprio jogador terminou com um registro curioso de 16/16/16 — um KDA perfeitamente equilibrado que, convenhamos, tem seu charme estatístico.
Vale lembrar que f0rsakeN é, atualmente, o único jogador do mundo a ter utilizado todos os agentes do VALORANT em partidas competitivas. Ou seja, se alguém ia dar uma chance ao Miks, esse alguém seria ele. É quase uma assinatura pessoal do jogador: testar o que ninguém mais quer testar.
Quem é Miks e por que o pick rate é tão baixo?
Lançado no dia 18 de março, Miks é o 30º agente de VALORANT e integra a classe dos Controladores. Natural da Croácia, o personagem chegou ao FPS da Riot Games com um conjunto de habilidades baseado em energia sonora — um conceito interessante no papel, mas que aparentemente não traduziu bem para o ritmo do jogo competitivo de alto nível.
Controladores costumam ter um papel essencial nas composições, mas o espaço já está bem ocupado por agentes consolidados como Omen, Viper e Astra. Quando um novo controlador chega, ele precisa oferecer algo que os outros não têm — e, pelo visto, os pro players ainda não enxergaram esse diferencial no Miks.
Será que é questão de tempo até alguém descobrir uma composição que funcione? Ou o agente vai ficar marcado como um dos lançamentos mais ignorados do VCT 2026? São perguntas que ficam no ar, especialmente com o meta mudando a cada patch.
O que isso diz sobre o equilíbrio de agentes no VCT 2026
Um pick rate de praticamente zero em todas as regiões não é só um problema do Miks — é um termômetro de como o balanceamento do jogo está funcionando. Quando um agente novo mal aparece, geralmente significa que o custo de oportunidade de usá-lo é alto demais.
Alguns pontos que valem a reflexão:
- Os times preferem composições testadas e aprovadas em scrims, especialmente em fases decisivas;
- Agentes com utilidade sonora podem ser mais difíceis de coordenar em equipe;
- O ciclo de patches pode não ter dado tempo suficiente para os times explorarem o potencial do personagem;
- O meta do segundo split favoreceu estilos mais agressivos, onde controladores tradicionais já bastavam.
Na minha visão, é frustrante ver um agente com identidade tão distinta ficar encostado. Mas também é compreensível: no competitivo, ninguém quer arriscar uma vaga em playoffs testando algo que ainda não provou seu valor.
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O que os pro players dizem sobre o Miks (e o que eles não dizem)
Curiosamente, o silêncio em torno do Miks é quase ensurdecedor. Não houve declarações públicas de jogadores explicando por que evitam o agente, nem mesmo depois da única aparição dele no segundo split. Isso, por si só, já diz muita coisa. No competitivo de alto nível, quando um agente novo não emplaca, ninguém perde tempo falando sobre ele — simplesmente ignoram.
Já vi esse filme antes com outros lançamentos. Lembra do Vyse? Demorou um bom tempo até alguém arriscar. E o próprio Miks, sendo um Controlador, enfrenta uma barreira extra: a função exige coordenação fina de smokes e walls, e errar uma cortina no momento errado pode custar um round inteiro. Em scrims, treinadores tendem a priorizar consistência. É compreensível, ainda que um pouco decepcionante para quem esperava ver o agente brilhar.
Por outro lado, tem uma questão que ninguém comenta abertamente: será que o kit do Miks é simplesmente chato de jogar? Digo isso sem ironia. Agentes com mecânicas sonoras podem parecer interessantes no papel, mas na prática exigem um timing que poucos dominam. E convenhamos, pro player nenhum quer passar horas treinando um agente que talvez nem chegue aos playoffs.
O caso f0rsakeN: colecionador de agentes ou visionário?
Voltando ao f0rsakeN, a escolha dele pelo Miks naquela partida contra a T1 não parece ter sido um acaso. O jogador da Paper Rex tem um histórico de testar composições fora da curva, e isso faz parte da identidade do time. A Paper Rex sempre foi conhecida por seu estilo caótico e imprevisível — então, se alguém ia quebrar a barreira do Miks, faz todo sentido que fosse alguém de lá.
Mas aí vem a pergunta que não quer calar: será que o resultado da série — a derrota por 2 a 1 — desencorajou outros times? É especulação, claro, mas o timing é sugestivo. Quando o único time a usar um agente perde a série, o recado que fica para os demais é: "não vale a pena". É injusto, porque uma única partida não define o potencial de um personagem, mas o competitivo funciona assim, na base da percepção.
Eu particularmente acho que o f0rsakeN merece crédito só por tentar. A maioria dos jogadores nem cogita sair da zona de conforto em partidas oficiais. Ele fez, e ainda venceu o mapa em que usou o Miks. Isso, para mim, já é uma pequena vitória.
O que o futuro reserva para o Miks no competitivo
Olhando para frente, algumas possibilidades se desenham. A primeira é a mais óbvia: um buff no kit do agente. A Riot tem histórico de ajustar personagens que não performam bem no competitivo, e não seria surpresa ver mudanças no Miks em patches futuros. Afinal, um agente lançado em março que mal aparece em julho é um sinal de alerta para o time de balanceamento.
A segunda possibilidade é mais orgânica: alguém, em algum lugar, descobre uma composição que funciona. Isso já aconteceu com agentes que pareciam mortos e, de repente, viraram meta. O próprio Viper teve altos e baixos antes de se consolidar. Então, nunca diga nunca.
E tem uma terceira via, menos otimista: o Miks pode simplesmente virar um daqueles agentes de nicho, usados em mapas específicos ou situações muito particulares. Não seria o fim do mundo, mas também não é o que a Riot esperava quando o lançou.
No fim das contas, o caso do Miks no VCT 2026 é um lembrete de que nem todo lançamento vira sucesso instantâneo. O competitivo tem suas próprias regras, e elas nem sempre seguem a lógica dos desenvolvedores. É frustrante para quem gosta do personagem, mas é a realidade do cenário.
Resta saber se algum time vai ter coragem de apostar nele antes do fim da temporada. Se depender do histórico, a resposta provavelmente é não. Mas o VALORANT já nos surpreendeu antes, e não seria a primeira vez que um agente ignorado vira peça-chave de uma campanha vitoriosa.
Fonte: THESPIKE








