Falar sobre a carreira de kaplan sem mencionar a Sentinels é praticamente impossível. Ele ajudou a liderar uma das escalações mais populares do mundo. Porém, 2026 trouxe uma mudança significativa com sua ida para a M80, um novo desafio que transformou sua abordagem como treinador. Em uma conversa com a THESPIKE durante o Media Day do VALORANT Champions Tour 2026 - Americas Stage 2, o head coach discutiu a mudança para o Tier 2 e como essa experiência o fez se apaixonar pelo VALORANT novamente. Ele também falou sobre as expectativas da equipe, a escalação da M80 e seus pontos fortes, além do desejo de se tornar um treinador melhor a cada dia.

Por que kaplan não vê a M80 como um downgrade

Para muitos fãs, sair de um time Tier 1 tão popular quanto a Sentinels para uma organização Tier 2 pode parecer um retrocesso na carreira de kaplan. Mas ele nunca sentiu que estava entrando em um projeto menos ambicioso.

"Nunca tive reservas em descer do Tier 1. Contanto que eu estivesse treinando um bom time com boas pessoas, uma boa mistura de personalidades, e todos quisessem vencer, eu sabia que amaria o trabalho e seria feliz fazendo isso, independentemente das circunstâncias."

Para o head coach, seus três anos no Tier 1 foram um período intenso que o fez questionar o que realmente queria seguir daqui para frente. "Mentalmente e pessoalmente, depois de três anos no Tier 1 e uma saída bastante intensa, precisei de um tempo para pensar no que queria. A M80 estava interessada em trabalhar comigo, mas precisei pedir uma semana extra. Aluguei uma van, levei meu cachorro e fui acampar por uma semana. Foi incrível que eles tenham sido pacientes comigo. Obviamente, voltei pensando: 'Não há nada melhor no mundo do que ser treinador'. Eu estava pronto para continuar."

M80 tem o que é preciso para competir no VCT Americas

THESPIKE: Em que momento você percebeu que essa equipe da M80 poderia realmente competir com os times do VCT?

Kaplan: "Foi quase instantâneo. Eu soube desde os scrims que tínhamos um bom grupo, embora nossa primeira partida tenha sido um pouco conturbada. Nosso desempenho online..."

O treinador destacou que a química do elenco foi um fator decisivo. A equipe construiu uma sinergia rápida, algo raro no cenário competitivo atual. Ele acredita que a mistura de veteranos com jovens promessas cria um ambiente de aprendizado constante.

"O que mais me impressiona é a vontade de evoluir. Cada jogador traz uma perspectiva única, e isso torna o trabalho tático muito mais rico. Não é apenas sobre mecânica; é sobre entender o jogo em um nível mais profundo."

Kaplan também comentou sobre a importância do suporte da organização. "A M80 me deu todas as ferramentas necessárias. Eles acreditam no projeto e isso faz toda a diferença. Não me sinto em um time menor; me sinto em um time com um propósito claro."

Quando questionado sobre seus objetivos pessoais, ele foi direto: "Quero ser um treinador melhor amanhã do que sou hoje. Cada dia é uma oportunidade de aprender algo novo, seja sobre o jogo ou sobre as pessoas ao meu redor. Essa é a mentalidade que me move."

A entrevista revela um profissional renovado, que encontrou na M80 não apenas um novo emprego, mas uma nova paixão pelo esporte. A jornada de kaplan mostra que, às vezes, dar um passo atrás pode ser a melhor forma de avançar. E ele parece pronto para provar isso no VCT Americas.

A construção do elenco: como a M80 encontrou o equilíbrio certo

Uma das perguntas que todo mundo faz quando um time Tier 2 monta uma escalação é: como eles conseguiram reunir tantos talentos? No caso da M80, a resposta parece estar em uma combinação de paciência e visão de longo prazo. Kaplan explicou que o processo de seleção foi minucioso, muito além de simplesmente olhar estatísticas ou highlights.

"A gente não queria apenas os melhores jogadores individuais. A gente queria pessoas que se encaixassem no que estávamos tentando construir. Isso significa olhar para a comunicação, para a ética de trabalho, para como cada um reage a críticas. É um processo muito mais humano do que as pessoas imaginam."

E essa abordagem parece ter funcionado. A equipe rapidamente encontrou uma identidade própria, algo que kaplan considera essencial para qualquer time que almeja chegar ao topo. "Identidade não é algo que se cria da noite para o dia. É algo que se constrói com o tempo, com as vitórias e derrotas, com os momentos difíceis. E eu vejo isso acontecendo aqui de forma muito natural."

O treinador também fez questão de destacar o papel dos veteranos no elenco. "Ter jogadores experientes é fundamental, mas não no sentido de que eles vão carregar o time. É mais sobre eles saberem como navegar por situações adversas. Eles já passaram por isso antes, então conseguem manter a calma e guiar os mais jovens. Isso é algo que não aparece nas estatísticas, mas faz toda a diferença."

O desafio de competir no Tier 2 e a mentalidade de crescimento

É fácil subestimar o nível do Tier 2, especialmente quando você vem de uma organização como a Sentinels. Mas kaplan foi enfático ao falar sobre a competitividade do cenário. "As pessoas não percebem o quão difícil é o Tier 2. Cada série é uma batalha. Os times são bem treinados, os jogadores são talentosos e todos estão famintos por uma chance de subir. Não existe jogo fácil."

Essa mentalidade de crescimento é algo que ele carrega consigo desde o início da carreira. "Eu sempre fui alguém que busca evoluir. Quando eu era jogador, eu queria ser o melhor. Agora, como treinador, quero que meus jogadores sejam os melhores. E isso exige que eu também esteja sempre aprendendo."

Ele contou um pouco sobre como funciona sua rotina de estudos. "Eu assisto muito VOD, não só dos nossos jogos, mas também de outros times. Gosto de ver como eles abordam situações específicas, como eles se adaptam. E também leio bastante sobre psicologia e liderança. Acho que um treinador precisa entender de gente, não só de jogo."

Quando perguntado sobre o que ele aprendeu com a experiência na Sentinels que aplica hoje, kaplan foi sincero: "Aprendi que a comunicação é tudo. Não importa o quão bom seja o seu plano, se você não conseguir passar isso para os jogadores de uma forma que eles entendam e comprem a ideia, não vai funcionar. Na Sentinels, tive a oportunidade de trabalhar com jogadores incríveis, e isso me ensinou a importância de adaptar minha comunicação para cada pessoa."

Essa adaptabilidade é algo que ele leva muito a sério. "Cada jogador é um mundo. Alguns precisam de mais incentivo, outros precisam de mais pressão. Alguns respondem bem a feedback direto, outros precisam de uma abordagem mais sutil. Meu trabalho é descobrir isso e usar da melhor forma possível."

E é essa abordagem que ele espera que faça a diferença no VCT Americas. "A gente sabe que não somos favoritos. Mas também sabemos que temos potencial para surpreender. E é isso que me motiva todos os dias."

O caminho da M80 no VCT Americas Stage 2 está apenas começando, e kaplan parece determinado a aproveitar cada momento. "Eu estou amando cada segundo. A energia dessa equipe é contagiante. E eu acho que isso é o mais importante: a gente se diverte jogando junto. Quando você tem isso, o resto flui naturalmente."

Com uma mentalidade tão positiva e um elenco que parece ter encontrado o equilíbrio certo, a M80 pode ser uma das grandes surpresas da temporada. E kaplan, com sua experiência e paixão renovada, é o líder perfeito para guiar esse projeto.



Fonte: THESPIKE