A grande final da VALORANT Champions Tour 2026 - Pacific Stage 2, disputada na Riot Games Arena em Busan, na Coreia do Sul, entra para a história como uma das séries mais lendárias da região do Pacífico. A Global Esports, organização que luta incansavelmente desde que entrou para o VALORANT em 2020 e se juntou à liga em 2023, enfrentou a Nongshim RedForce, campeã do VALORANT Champions Tour 2026 - Masters Santiago 2026. Com as duas equipes já classificadas para o VALORANT Champions Tour 2026 - Champions Shanghai, a disputa pelo título regional foi sem trégua. O que se viu foi um espetáculo impressionante de resistência: depois de estar perdendo por 0-2, a Global Esports protagonizou uma remontada inesquecível, vencendo por 3-2 e derrotando os campeões do Masters de Santiago para conquistar seu primeiro título da VCT Pacific.

Resumo da grande final

A grande final começou com uma clara vantagem para a Nongshim RedForce. Em Sunset, o mapa escolhido pela NS, a Nongshim conseguiu uma vitória apertada por 13-11, o que pressionou a Global Esports imediatamente. Essa pressão se transformou em domínio absoluto em Split. Com uma atuação imponente, a Nongshim atropelou a Global Esports com um placar contundente de 13-2, ficando a apenas um mapa do título regional.

Com as costas contra a parede, a Global Esports se recusou a desistir. A remontada monumental começou em Abyss, onde a GE freou o ímpeto da Nongshim com uma vitória apertada por 13-10, mantendo vivos os seus sonhos. Aproveitando o embalo, a Global Esports dominou o quarto mapa, Lotus, com uma vitória impressionante por 13-5, forçando um quinto mapa decisivo em Haven.

Em Haven, as duas equipes trocaram rodadas em um ambiente de altíssima intensidade. Mas foi a Global Esports quem mostrou a força mental necessária para cruzar a linha de chegada. Depois de garantir uma vitória por 13-10 em Haven, completaram a virada histórica de 3-2.

O que essa conquista significa para a região

Essa vitória vai muito além de um troféu. Para a Global Esports, que sempre foi vista como uma equipe em desenvolvimento, o título representa a consolidação de um projeto que começou lá em 2020. A organização sul-asiática provou que pode competir de igual para igual com as potências do Pacífico.

E o que dizer da Nongshim RedForce? A equipe coreana, que vinha de um título no Masters Santiago, mostrou por que é uma das melhores do mundo. Mesmo com a derrota, a campanha na Stage 2 reforça o momento espetacular da organização. A pergunta que fica é: será que essas duas equipes vão se encontrar novamente no Champions Shanghai?

Para os fãs de VALORANT, essa final foi um presente. Uma série que teve de tudo: domínio, virada, mapas decididos nos detalhes e um quinto mapa eletrizante. É o tipo de partida que a gente vai lembrar por muito tempo.

Os destaques individuais que definiram a série

Quando uma série chega ao quinto mapa, é inevitável olhar para trás e tentar entender os momentos que mudaram o rumo da história. E nessa final, alguns nomes simplesmente apareceram quando mais importava. Pela Global Esports, o desempenho no lado defensivo de Abyss foi cirúrgico — cada retomada de espaço parecia ensaiada, e os ângulos inusitados pegavam a Nongshim de surpresa repetidas vezes.

Mas o que realmente me chamou a atenção foi a evolução tática entre o segundo e o terceiro mapa. Depois do 13-2 em Split, dava para sentir que algo precisava mudar drasticamente. E mudou. A Global Esports passou a priorizar o controle de informação em vez de duelos diretos, forçando a Nongshim a cometer erros não forçados. É o tipo de ajuste que separa equipes boas de equipes campeãs.

Do lado da Nongshim RedForce, a consistência individual nos primeiros mapas foi assustadora. Eles liam as execuções da GE como se tivessem o replay na frente — e, convenhamos, depois de uma campanha tão sólida na Stage 2, essa sensação de superioridade era compreensível. O problema é que, no VALORANT, conforto demais pode ser um veneno silencioso.

O fator mental em séries de MD5

Existe um fenômeno curioso em partidas de melhor de cinco: o time que abre 2-0 muitas vezes joga o terceiro mapa com um peso invisível nos ombros. Não é falta de vontade — é a mente calculando cenários que ainda não aconteceram. E foi exatamente isso que aconteceu com a Nongshim. Depois de dominar Split, a equipe coreana entrou em Abyss com uma postura ligeiramente reativa, como se estivesse esperando o momento certo para fechar o jogo. Só que no VALORANT, esperar o momento certo raramente funciona contra um adversário desesperado.

A Global Esports, por outro lado, não tinha nada a perder. E é impressionante como a ausência de pressão liberta um time. Cada abate, cada spike plantada com sucesso, cada rodada vencida alimentava uma crença que crescia de forma geométrica. Eu já vi várias viradas assim ao longo dos anos, mas poucas com tanta intensidade emocional.

Outro ponto que merece destaque é a escolha de Haven como mapa decisivo. Haven é um mapa que exige rotação constante e comunicação impecável — não é o tipo de mapa que se vence apenas com mecânica. A Global Esports sabia disso, e a forma como controlaram os três sites ao longo do mapa mostrou um estudo profundo do adversário. Cada fake, cada rotação dupla, cada bomba plantada no site oposto ao que a Nongshim defendia com mais afinco — tudo parecia parte de um plano meticuloso.

E no fim, quando a última rodada terminou, o que ficou não foi apenas a taça. Ficou a sensação de que a região do Pacífico tem, hoje, pelo menos duas equipes capazes de brigar de igual para igual com qualquer organização do mundo. A Nongshim RedForce já havia provado isso em Santiago. A Global Esports provou agora, em casa, diante de uma torcida que lotou a Riot Games Arena e transformou cada rodada da virada em um espetáculo à parte.

O Champions Shanghai se aproxima, e a pergunta que não quer calar é: será que essa rivalidade vai ganhar mais um capítulo no palco mundial? Se depender do que vimos nessa final, a resposta é um sonoro sim.



Fonte: THESPIKE