Pela quarta vez na história do VCT Americas, a FURIA terminou uma fase de grupos da liga internacional de VALORANT sem conquistar uma única vitória sequer. A marca foi repetida nesta quinta-feira (6) após a organização brasileira perder para a Evil Geniuses (EG), por 2 a 0, e encerrar a campanha no VALORANT Champions Tour 2026 - Americas Stage 2 com um retrospecto de 0-5.
O resultado confirma o momento delicado da equipe, que acumula nove derrotas consecutivas em partidas oficiais. A última vez que a FURIA venceu foi contra a Sentinels, por 2 a 1, há exatos 96 dias, ainda na quarta semana do primeiro split da temporada.
FURIA 0-5 VCT Americas: o histórico completo de campanhas sem vitórias
A derrota para a EG na série melhor de três (MD3) marcou o último compromisso da FURIA na fase de grupos do Stage 2. Mas o problema não é novo — e os números comprovam isso. Veja as edições em que a equipe terminou com 0-5:
- VCT 2024 - Americas Stage 1
- VALORANT Champions Tour 2025 - Americas Stage 1
- VALORANT Champions Tour 2025 - Americas Stage 2
- VALORANT Champions Tour 2026 - Americas Stage 2
É um padrão que preocupa qualquer torcedor. E o que mais chama atenção? Desde as chegadas de basic e Shyy ao elenco principal, o time ainda não venceu uma partida oficial. Inclusive, a equipe liderada por artzin teve nove derrotas seguidas, sendo três pelo primeiro split do VCT Americas 2026, duas pelo EWC - Esports World Cup 2026: Americas Qualifier e cinco agora pelo segundo split.
O que esperar da FURIA nos play-ins do VCT Americas 2026?
Apesar da campanha negativa na fase de grupos, a FURIA ainda tem uma última oportunidade para continuar na disputa pelo título e uma possível vaga no VALORANT Champions Shanghai 2026. A equipe brasileira vai disputar os play-ins, etapa que reúne as oito equipes que não conseguiram classificação direta para os playoffs, a partir do dia 13 de agosto.
Mas a pergunta que fica é: será que essa equipe consegue reverter o momento? Na minha opinião, o problema vai além do aspecto tático. Quando um time passa tanto tempo sem vencer, o lado mental pesa — e muito. A confiança dos jogadores fica abalada, e isso se reflete em decisões erradas nos momentos decisivos.
O VCT Americas 2026 Stage 2 acontece entre os dias 16 de julho e 6 de setembro, com 16 equipes na briga pelo título. Para a FURIA, cada partida agora é uma final. E a torcida brasileira, que já viu tantas glórias da organização, espera que essa fase ruim fique para trás.
Será que os play-ins serão o ponto de virada? Ou vamos ver mais uma eliminação precoce? O tempo dirá — mas uma coisa é certa: a pressão sobre a FURIA nunca foi tão grande.
E não é só a sequência de derrotas que preocupa. Se a gente olhar para os mapas disputados nesse Stage 2, o cenário fica ainda mais alarmante. A FURIA venceu apenas dois mapas em toda a fase de grupos — contra a KRÜ Esports e contra a MIBR — e perdeu todos os outros dez. O ataque, que já foi o ponto forte da equipe em outras épocas, simplesmente não funciona mais. A média de rounds vencidos no ataque ficou abaixo dos 40%, um número que está entre os piores da liga.
E o que dizer das decisões de elenco? A diretoria já fez mudanças, trouxe basic e Shyy, mas os resultados não apareceram. Será que o problema é de comunicação? De sinergia? Ou será que a equipe precisa de uma reformulação mais profunda, como a que a própria FURIA fez no início de 2025 quando mudou quase todo o elenco? Na minha visão, a resposta pode estar na estrutura como um todo — não só nos jogadores, mas também na comissão técnica e no planejamento de longo prazo.
Vale lembrar que a FURIA não é uma organização qualquer no cenário de VALORANT. Ela foi uma das primeiras brasileiras a entrar na liga internacional, em 2023, e já teve campanhas sólidas, como o 3º lugar no VCT 2023 Americas Stage 1 e a classificação para o Masters Tóquio naquele mesmo ano. Mas desde então, o declínio foi constante. Em 2024, a equipe terminou em 10º no Stage 1 e 11º no Stage 2. Em 2025, a situação piorou: 12º no Stage 1 e 11º no Stage 2. Agora, em 2026, o fundo do poço parece ter sido alcançado com esse 0-5.
O que mais impressiona é a regularidade com que isso acontece. Quatro vezes em seis splits — ou seja, em dois terços das edições da liga, a FURIA não venceu uma única partida. Isso não é azar, não é uma fase ruim. É um padrão sistêmico que precisa ser quebrado. E a pergunta que fica no ar é: quem é o responsável por essa mudança? O técnico artzin, que está no comando desde 2024, já teve tempo suficiente para implementar sua filosofia. Os jogadores, que em sua maioria têm experiência internacional, também não podem ser isentados.
No lado positivo, os play-ins oferecem uma chance real de redenção. O formato é de eliminação simples, com as oito equipes classificadas em 9º a 16º lugar se enfrentando em chaveamento. A FURIA vai começar contra a G2 Esports, que também teve uma campanha irregular, mas que venceu dois jogos na fase de grupos. Se vencer, avança para enfrentar o vencedor de Cloud9 e MIBR. É um caminho difícil, mas não impossível. E, convenhamos, depois de tanto tempo sem vencer, qualquer vitória já seria um alívio.
Mas será que uma vitória nos play-ins seria suficiente para salvar a temporada? Na minha opinião, não. Mesmo que a FURIA consiga avançar para os playoffs, o desempenho geral mostra que a equipe está longe do nível necessário para competir com os gigantes da região, como LOUD, Sentinels e Leviatán. O que está em jogo agora é mais do que uma vaga no Champions — é a própria identidade da organização no cenário de VALORANT.
E tem outro detalhe que pouca gente menciona: o impacto financeiro. Uma campanha tão ruim afeta o valor da marca, a negociação de patrocínios e até a atração de novos talentos. Quem vai querer jogar em uma equipe que não vence há quase 100 dias? A diretoria precisa agir rápido, não só nos bastidores, mas também na comunicação com a torcida. A transparência nesse momento é fundamental para manter a confiança dos fãs.
Olhando para os números históricos, a FURIA tem um retrospecto de 4 vitórias e 26 derrotas em partidas oficiais desde o início de 2025. Isso dá uma taxa de aproveitamento de apenas 13,3%. Para efeito de comparação, a LOUD, que também passou por reformulações, tem 18 vitórias no mesmo período. A diferença é abissal. E não é só questão de elenco — é de cultura de vitória, de mentalidade, de saber fechar jogos.
Eu me lembro de uma entrevista do jogador mwzera, que passou pela FURIA em 2024, dizendo que o problema era a falta de um líder claro dentro do servidor. Será que isso mudou? Pelo que se vê em quadra, parece que não. As decisões em rounds decisivos são confusas, os jogadores parecem desconectados, e a execução de estratégias básicas falha com frequência. É como se cada partida fosse um recomeço, sem evolução de um jogo para o outro.
E a torcida, claro, sente na pele. As redes sociais da FURIA estão cheias de cobranças, e alguns fãs já pedem a saída de jogadores e comissão técnica. Mas será que mudar tudo de novo é a solução? A história recente mostra que não. A organização já fez várias reformulações desde 2023, e nenhuma delas trouxe resultados consistentes. Talvez o problema seja mais profundo, envolvendo a estrutura de treinamento, a análise de dados e até a gestão de saúde mental dos atletas.
Enquanto isso, os play-ins se aproximam. A FURIA vai entrar em quadra no dia 13 de agosto, e a pressão será enorme. Cada erro será amplificado, cada decisão questionada. Mas é também uma oportunidade de ouro para mostrar que a equipe tem caráter, que pode lutar até o fim. No esporte, a redenção é uma das histórias mais bonitas que existem. E quem sabe a FURIA não escreve a sua?
Fonte: THESPIKE









