
hololive dreams rpg mecânicas ritmo jogo é uma combinação que pode parecer estranha à primeira vista, mas é exatamente isso que o novo título da COVER está entregando. Hololive Dreams é um jogo de ritmo, mas não é SÓ um jogo de ritmo. Baseado na popular agência de VTubers hololive, que conta com dezenas de influenciadores digitais transmitindo desde jogos até shows, o jogo busca atrair jogadores que talvez não sejam familiarizados (ou fãs) de gameplay musical.
O jogo, lançado em 23 de julho, combina elementos de RPG com a base de um jogo de ritmo. A equipe de desenvolvimento de hololive Dreams (frequentemente abreviado como "holodri") afirma que essa combinação única foi um esforço para tornar o jogo mais amplo em escala e mais acessível a um público maior.
Em uma entrevista exclusiva, conversei com o Produtor de hololive Dreams, que atende pelo pseudônimo Mr. O, e com Mr. K, o Supervisor Chefe de Negócios de Gaming da COVER, que co-produziu o jogo. Discutimos como trazer mais de 50 talentos virtuais e 150 músicas para um RPG de ritmo, os desafios de construir um jogo com dezenas de protagonistas, e a lógica por trás de produzir simultaneamente um RPG e um jogo de ritmo.
"Queríamos que este jogo tivesse uma escala maior do que geralmente se vê em jogos de ritmo", diz Mr. O. "Isso significa que, se alguém não se interessa pelo aspecto rítmico de um jogo mobile, por exemplo, mesmo que goste da propriedade intelectual, não é muito envolvente jogar. Por isso, com este jogo, queremos empolgar as pessoas a um nível totalmente novo com essa escala extra."
Hololive Dreams se passa em uma ilha virtual desabitada "em algum lugar do oceano", onde os jogadores desenvolvem seu próprio parque temático e completam missões para expandir seu território. A equipe de desenvolvimento do holodri afirma que a música é um componente chave da progressão do gameplay.
Como as mecânicas de RPG se integram ao ritmo
O que realmente diferencia hololive Dreams de outros jogos de ritmo é a profundidade das mecânicas de RPG. Não é apenas uma camada superficial — o sistema de progressão, as missões e até a narrativa são construídos em torno dessa fusão. Por exemplo, os jogadores não apenas tocam notas no ritmo da música; eles também gerenciam recursos, melhoram personagens e tomam decisões que afetam o desenvolvimento do parque temático.
"A integração é mais profunda do que as pessoas imaginam", explica Mr. K. "Cada música concluída pode desbloquear novos itens ou melhorias para os personagens, e as missões de RPG muitas vezes exigem que o jogador complete desafios rítmicos específicos. É uma relação simbiótica."
Essa abordagem lembra outros jogos que tentaram misturar gêneros, mas poucos conseguiram equilibrar tão bem. Em vez de simplesmente alternar entre modos, hololive Dreams entrelaça as duas experiências de forma que uma alimenta a outra. Isso é especialmente importante para atrair jogadores que podem se sentir intimidados pela precisão exigida em jogos de ritmo tradicionais.
Desafios de criar um jogo com dezenas de protagonistas
Um dos maiores desafios enfrentados pela equipe foi dar conta de mais de 50 talentos virtuais, cada um com sua personalidade e estilo. "Não é como um jogo com um ou dois protagonistas", diz Mr. O. "Precisamos garantir que cada personagem tenha momentos de destaque, mas sem sobrecarregar o jogador com informações."
Para resolver isso, a equipe optou por uma estrutura de missões que apresenta os personagens gradualmente. "No início, você interage com um grupo pequeno", explica Mr. K. "Conforme avança, novos talentos são introduzidos, e cada um tem sua própria linha de missões e músicas associadas. Isso mantém o jogo fresco e dá aos fãs motivos para continuar jogando."
Além disso, a escolha de produzir tanto um RPG quanto um jogo de ritmo simultaneamente não foi acidental. "Vimos que muitos jogos de ritmo falham em manter uma base de jogadores a longo prazo", comenta Mr. O. "O RPG oferece uma razão para voltar, mesmo depois de dominar todas as músicas. É uma estratégia de retenção."
E você, o que acha dessa mistura? Será que jogos de ritmo com elementos de RPG são o futuro do gênero? A equipe parece acreditar que sim, e com o sucesso inicial de hololive Dreams, é difícil discordar.
A trilha sonora: 150 músicas e a curadoria por trás delas
Quando se fala em 150 músicas, é fácil imaginar uma lista aleatória de faixas empilhadas. Mas a equipe do holodri tratou a seleção como parte central do design. "Cada música foi escolhida para representar um momento específico na jornada do jogador", revela Mr. O. "Não é só sobre hits populares — é sobre o que funciona dentro da narrativa e do ritmo de progressão."
E aqui está um detalhe que poucos percebem: as músicas não são apenas tocadas. Elas são integradas ao cenário do parque temático. Certas faixas desbloqueiam áreas temáticas, outras ativam eventos especiais com os talentos. "A música é o motor emocional", acrescenta Mr. K. "Quando você toca uma faixa específica, o ambiente reage — as luzes mudam, os personagens dançam, e isso cria uma sensação de imersão que vai além do gameplay."
Para os fãs de longa data da hololive, há também um apelo nostálgico. Muitas das músicas são versões remasterizadas de clássicos das VTubers, e algumas foram compostas exclusivamente para o jogo. "Queríamos que até quem já conhece o catálogo encontrasse algo novo", diz Mr. O. "E para quem está chegando agora, é uma porta de entrada para descobrir a música original."
O equilíbrio entre dificuldade e acessibilidade
Um dos maiores desafios em jogos de ritmo é encontrar o ponto certo entre desafio e diversão. O holodri resolveu isso com um sistema de dificuldade adaptativa que vai além dos tradicionais níveis fácil, médio e difícil. "Temos um modo chamado 'Dream Sync' que ajusta a velocidade das notas em tempo real com base no desempenho do jogador", explica Mr. K. "Se você está errando muito, o jogo suaviza a densidade das notas. Se está acertando tudo, ele aumenta a complexidade."
Essa abordagem é particularmente inteligente porque elimina a frustração de ficar preso em uma música. "Em jogos de ritmo tradicionais, você pode passar dias tentando completar uma faixa no nível mais alto", comenta Mr. O. "Aqui, queremos que o jogador sinta progresso constante, mesmo quando não está no auge da performance."
Mas não pense que isso significa falta de desafio para os hardcore. O modo 'Pro' desbloqueia após completar a história principal, e as notas se tornam tão complexas que até veteranos vão suar. "É um equilíbrio delicado", admite Mr. K. "Mas acreditamos que acessibilidade não é o oposto de profundidade — é apenas uma porta de entrada diferente."
O papel dos talentos: mais do que avatares
Com mais de 50 talentos, a equipe precisava garantir que cada um tivesse personalidade própria dentro do jogo. Não bastava colocar rostos bonitos na tela. "Cada talento tem um estilo de dança, uma reação a acertos e erros, e até diálogos específicos para cada música", detalha Mr. O. "Isso exigiu um trabalho de gravação massivo."
E não é só sobre os personagens principais. Os talentos secundários aparecem em eventos sazonais, e alguns têm missões que se cruzam. "Temos uma missão onde dois talentos que nunca interagiram na vida real se encontram no jogo", revela Mr. K. "Isso gera um burburinho na comunidade, porque os fãs começam a especular sobre possíveis colaborações futuras."
Essa atenção aos detalhes é o que diferencia o holodri de outros jogos licenciados. "Não queríamos que os talentos fossem apenas skins", enfatiza Mr. O. "Eles são parte da narrativa, e cada um tem um arco de desenvolvimento que se desenrola conforme você avança."
O resultado é um jogo que parece vivo. E com atualizações planejadas para os próximos meses, incluindo novos talentos e músicas, a equipe mostra que está comprometida em manter essa energia. "O lançamento é só o começo", diz Mr. K. "Temos um roteiro de conteúdo que vai surpreender até os fãs mais dedicados."
Fica a pergunta: como será que essa fusão de gêneros vai evoluir? Será que outros estúdios vão seguir o exemplo? A equipe do holodri parece confiante de que estão abrindo um novo caminho, e os números iniciais de downloads sugerem que o público está respondendo bem. Mas o verdadeiro teste será a retenção de jogadores nos próximos meses. E é exatamente isso que eles estão monitorando de perto.
Fonte: IGB BRASIL









