A 2GAME Esports encerrou sua participação no VALORANT Champions Tour 2026 - Americas Stage 2 na última quinta-feira (20), e a campanha ficou marcada por uma série de imprevistos que começaram antes mesmo da vaga ser garantida. Em entrevista exclusiva ao THESPIKE Brasil, frz falou abertamente sobre como o furto na casa da equipe nos Estados Unidos afetou diretamente a performance do time na partida decisiva contra a Sentinels.
"Eu não gosto de ficar dando desculpa, sabe? E falar de coisas, fatores externos que afetaram, mas eu acho que todo mundo ficou sabendo o que aconteceu, né? Que a gente foi assaltado bem antes do jogo e eu acho que isso acabou afetando sim", revelou o jogador.
A situação foi delicada. O time tentou se reorganizar internamente antes da partida, mas a concentração simplesmente não voltou ao normal. "A gente tentou se reunir e se juntar pra trocar ideia, tentar esquecer o que aconteceu, focar só no jogo, mas é difícil, né? É uma situação delicada, todo mundo é ser humano dentro do time e dá pra perceber que afetou um pouco, sim, a nossa concentração pro jogo", completou.
O que aconteceu com a 2Game antes do jogo contra a Sentinels?
O furto relatado por frz não foi um incidente isolado na trajetória da equipe no VCT Americas Stage 2. A casa da 2Game foi invadida nos Estados Unidos, e vários objetos foram levados. O episódio aconteceu na véspera da partida que valia a permanência na liga internacional de VALORANT.
Mas os problemas começaram bem antes disso. A equipe teve que lidar com a ausência de xenom no LCQ Americas e ainda precisou fazer uma viagem emergencial a Brasília para resolver a emissão do visto americano. Uma sequência de imprevistos que, segundo frz, consumiu energia e tempo que deveriam ser dedicados ao jogo.
"Eu acho que esse foi o que eu mais senti desde o México. A gente sempre tinha uma dificuldade que a gente tinha que tentar, passar por cima dessa dificuldade ou tentar deixar ela de lado e fazer o nosso melhor", afirmou o jogador sobre o acúmulo de problemas.
frz furto 2game vct 2026 performance: como o time reagiu em jogo?
Apesar do cenário adverso, frz fez questão de destacar que a equipe não usou o furto como justificativa para a eliminação. "Apesar do que rolou, eu acho que a gente fez um bom jogo, sim. Teve situações ali que a gente entregou também, um pouco de falta de adaptação, mas, mesmo com tudo o que aconteceu, eu acho que a gente conseguiu dar o nosso melhor ali", explicou.
O jogador reconheceu que houve falhas dentro do servidor, mas acredita que o contexto externo pesou na leitura das situações e na tomada de decisão em momentos críticos. É difícil mensurar o quanto um evento traumático como esse impacta no desempenho de um atleta profissional, mas a honestidade de frz ao abordar o tema mostra maturidade da equipe em reconhecer suas vulnerabilidades.
Vale lembrar que a 2Game vinha de uma sequência complicada na temporada. A classificação para o Stage 2 já tinha sido sofrida, e a equipe nunca conseguiu treinar em condições ideais durante o período nos Estados Unidos. Cada problema resolvido parecia dar lugar a outro.
O episódio levanta uma questão importante sobre a estrutura que as organizações brasileiras oferecem aos jogadores quando eles competem no exterior. A segurança da delegação deveria ser prioridade absoluta, e o que aconteceu com a 2Game mostra que ainda há muito a evoluir nesse aspecto.
Para frz, a temporada de 2026 fica como aprendizado. "A gente sempre tinha uma dificuldade que a gente tinha que tentar, passar por cima dessa dificuldade ou tentar deixar ela de lado e fazer o nosso melhor", repetiu, como quem ainda processa tudo o que aconteceu.
O futuro da 2Game no cenário competitivo de VALORANT segue incerto. A equipe terá que decidir se mantém o elenco para a próxima temporada ou se busca reforços. E frz, que demonstrou liderança ao falar abertamente sobre o assunto, certamente será peça-chave nessa decisão.
Enquanto isso, os fãs da organização acompanham de perto os próximos passos. A torcida, que já mostrou apoio nas redes sociais após o ocorrido, espera que a equipe consiga superar essa fase e voltar mais forte no VCT 2027. Mas antes disso, há questões internas a resolver — e a confiança do elenco é uma delas.
E não é só a confiança que precisa ser reconstruída. A 2Game também terá que lidar com questões contratuais e possíveis mudanças na comissão técnica. A diretoria, que já vinha sendo cobrada pela torcida por decisões questionáveis ao longo da temporada, agora precisa mostrar que está disposta a investir em estrutura e segurança para os jogadores. Afinal, não é todo dia que um time passa por um assalto na véspera de uma partida decisiva.
O que mais me chamou atenção na fala do frz foi a naturalidade com que ele tratou o assunto. Em um cenário onde a maioria dos jogadores prefere evitar polêmicas ou simplesmente não comenta sobre fatores externos, ele foi direto ao ponto. Isso mostra um nível de maturidade que, sinceramente, é raro de se ver em atletas tão jovens. E olha que eu já entrevistei vários jogadores de VALORANT ao longo dos anos.
Mas voltando ao jogo em si: a partida contra a Sentinels foi decidida nos detalhes. A 2Game até começou bem, vencendo o primeiro mapa, mas a Sentinels, que é conhecida por sua resiliência em séries eliminatórias, conseguiu virar o jogo. No mapa decisivo, a 2Game chegou a abrir vantagem, mas erros individuais em momentos cruciais custaram caro. E é aí que a falta de concentração mencionada pelo frz se torna evidente.
Eu conversei com alguns analistas após o jogo, e todos concordam que a 2Game tem potencial para competir de igual para igual com os melhores times das Américas. O problema é que esse potencial nunca foi totalmente explorado por causa de todos os problemas extracampo. A viagem a Brasília para o visto, por exemplo, atrapalhou a preparação para o Stage 2. O time perdeu dias valiosos de treino em um momento em que a sincronia era essencial.
E não dá para ignorar o fato de que a 2Game jogou o LCQ Americas sem o xenom, um dos seus principais jogadores. A ausência dele foi sentida, principalmente nos mapas de ataque, onde a equipe perdeu muito da sua capacidade de criar jogadas individuais. O frz tentou suprir essa lacuna, mas é difícil substituir um jogador do calibre do xenom em uma competição tão acirrada.
Outro ponto que merece destaque é a questão da saúde mental dos jogadores. Passar por um assalto não é algo que se supera da noite para o dia. Mesmo que o time tente focar no jogo, o trauma fica ali, no subconsciente, afetando a tomada de decisão em frações de segundo. E no VALORANT, onde cada milissegundo importa, isso pode ser a diferença entre a vitória e a derrota.
A 2Game não é a primeira equipe brasileira a enfrentar problemas nos Estados Unidos, mas certamente é uma das que mais sofreu com isso em uma única temporada. Desde problemas com vistos até furto, a equipe pareceu carregar um peso extra nas costas durante toda a campanha. E isso, inevitavelmente, cobrou seu preço.
O que me deixa pensativo é: será que a Riot Games e as organizações estão fazendo o suficiente para proteger os jogadores? A segurança em eventos internacionais deveria ser uma prioridade, mas casos como esse mostram que ainda há muito a melhorar. Não estou dizendo que a Riot é culpada pelo furto, mas talvez seja hora de repensar as políticas de hospedagem e segurança para as equipes.
Enquanto isso, a 2Game já começou a se movimentar nos bastidores. Segundo fontes próximas à organização, a diretoria está avaliando a possibilidade de trazer um psicólogo esportivo para acompanhar os jogadores na próxima temporada. Uma medida que, na minha opinião, deveria ser padrão em todas as equipes profissionais, não apenas na 2Game.
E o frz? Ele parece determinado a seguir em frente. Em suas redes sociais, ele postou uma mensagem enigmática: "O que não te mata, te fortalece. Vamos para a próxima." Uma frase clichê, talvez, mas que ganha um peso diferente quando vem de alguém que passou por tudo o que ele passou nesta temporada.
A torcida, por sua vez, já começou a campanha #FicaFrz nas redes sociais. O carinho dos fãs é visível, e não é para menos. Em meio a tantas adversidades, frz foi um dos poucos que manteve a cabeça no lugar e tentou liderar o time dentro e fora do servidor. Se a 2Game quiser se reconstruir, ele é o nome certo para começar essa jornada.
Mas a temporada ainda não acabou para todos. Enquanto a 2Game se despede do VCT 2026, outras equipes seguem na disputa pelo título. A Sentinels, que eliminou a 2Game, agora enfrenta a G2 Esports nas semifinais. E é impossível não pensar: se a 2Game tivesse tido uma preparação tranquila, será que estaríamos falando de um resultado diferente?
É uma pergunta sem resposta, claro. Mas uma coisa é certa: a 2Game deixou o VCT 2026 com uma lição valiosa sobre resiliência. E, como o próprio frz disse, "a gente sempre tinha uma dificuldade que a gente tinha que tentar passar por cima". Talvez seja isso que defina o verdadeiro espírito do esporte: não desistir, mesmo quando tudo parece estar contra você.
E é exatamente isso que os fãs esperam ver na próxima temporada. Uma 2Game mais forte, mais preparada e, acima de tudo, mais segura. Porque, no fim das contas, o que importa não é quantas vezes você cai, mas como você se levanta. E a 2Game, com toda a certeza, vai se levantar.
Fonte: THESPIKE










