A ENVY foi uma das últimas equipes eliminadas nos play-ins do VALORANT Champions Tour 2026 - Americas Stage 2. A jornada na Stage 2 começou com dificuldades, com apenas uma vitória na fase de grupos. A equipe tentou reverter a situação nas rodadas de classificação, vencendo seus dois primeiros jogos, o que os deixava a uma vitória de garantir uma vaga nos playoffs. No entanto, tropeçaram na reta final e perderam o jogo de eliminação contra a G2 Esports. A temporada chegou ao fim, e o novo IGL, GLYPH, se mostrou desolado após a derrota ao falar com a THESPIKE.
As declarações de GLYPH após a eliminação
THESPIKE: Você pode me dizer o que está passando pela sua cabeça agora? GLYPH: "É o fim do ano com essa eliminação, sabe? Então, para mim, obviamente, é muito frustrante e triste. Quero dizer, agora, logo após a derrota, é fácil pensar em todas as rodadas em que eu poderia ter feito melhor, talvez nas decisões que eu poderia ter tomado de forma mais acertada e em como eu poderia ter guiado melhor meus companheiros para apoiá-los. Então, há muitas coisas em que estou pensando no que diz respeito ao jogo, porque acredito que houve muitos momentos em que deveríamos ter aproveitado certas vantagens, ou deveríamos ter jogado muito melhor do que jogamos, ou não entregado algumas rodadas. E isso dói muito, com certeza. Então, para mim, isso é definitivamente algo que fica na minha cabeça."
Embora a série contra a G2 parecesse que terminaria em um 2-0 a favor dos ex-campeões das Américas, a ENVY conseguiu uma recuperação incrível e transformou o jogo em uma partida mais disputada, que terminou 2-1. Mesmo sem vencer, GLYPH está contente por ter conseguido mostrar o quanto eles queriam a vitória.
O lado positivo da campanha
"Podemos olhar para trás e nos sentir contentes. Conseguimos virar o jogo. E para nós, considerando como perdemos a última partida, a resiliência, essa garra e o simples fato de sermos muito mais fortes, garantindo que todos estivessem..."
É frustrante ver uma equipe com tanto potencial cair dessa forma. Mas a verdade é que a ENVY mostrou caráter. Em um cenário onde muitos times teriam desmoronado após um início tão complicado, eles lutaram até o último round. E isso, no fim das contas, é o que define o espírito competitivo.
Agora, com a temporada encerrada, a grande questão é: o que vem pela frente para a ENVY e para GLYPH? A offseason será crucial para reavaliar estratégias, fortalecer a comunicação e, quem sabe, voltar mais fortes em 2026. A base para uma recuperação existe, mas o caminho é longo e cheio de desafios.
O que mais chama a atenção nessa eliminação é o contexto. A ENVY não era uma equipe qualquer no cenário — ela carregava a responsabilidade de ter vencido o primeiro torneio internacional do VCT Americas, lá em 2025. Desde então, o time passou por mudanças de elenco, trocas de treinador e, agora, a chegada de GLYPH como IGL. Essa transição nunca é fácil, especialmente quando você assume o papel de líder em um momento de reconstrução.
GLYPH, que antes era conhecido por seu estilo agressivo como duelista, teve que se adaptar a uma função completamente diferente. E isso ficou evidente em alguns momentos da série contra a G2. Em mapas como Lotus, por exemplo, a ENVY parecia desconfortável em certas execuções, hesitando em momentos que exigiam decisões rápidas. Não é difícil imaginar o peso que isso coloca sobre os ombros de alguém que está aprendendo a liderar enquanto tenta manter seu próprio desempenho individual.
Mas há algo que me incomoda nessa narrativa de "azar" ou "falta de experiência". A ENVY teve chances claras de fechar a série. No terceiro mapa, eles lideraram por 11-9, com a G2 em situação de eco. Foi aí que a falta de sincronia apareceu: uma rotação atrasada, uma utilidade mal posicionada, e o round virou. São esses pequenos detalhes que separam uma equipe que avança de uma que vai para casa mais cedo.
E não dá para ignorar o fator psicológico. Depois de uma fase de grupos tão irregular, onde a equipe venceu apenas uma partida, a pressão nos play-ins era enorme. GLYPH mencionou que a equipe "poderia ter dado muito mais de si", e essa frase ecoa algo que muitos jogadores sentem em momentos de eliminação: a sensação de que o trabalho não foi completo, de que ficou algo por fazer.
Curiosamente, a ENVY não foi a única equipe a sofrer com isso nesta Stage 2. A MIBR, por exemplo, também caiu nos play-ins após uma campanha de altos e baixos. Mas a diferença é que a MIBR já tinha uma base mais sólida, com jogadores experientes em cenários de pressão. A ENVY, por outro lado, está em um processo de reconstrução mais profundo, e isso torna cada derrota ainda mais dolorosa.
O que me deixa pensativo é o futuro de GLYPH como IGL. Será que a diretoria da ENVY vai manter a confiança nele para a próxima temporada? Em cenários como o VALORANT, a paciência é rara. Times que não performam em dois splits consecutivos costumam passar por mudanças drásticas. Mas, ao mesmo tempo, mudar de IGL novamente seria começar do zero mais uma vez, e isso raramente é a solução.
Há também a questão do elenco. Será que a ENVY vai manter os mesmos cinco jogadores? A química em jogo é algo difícil de medir, mas quando você vê uma equipe lutar até o último round como eles fizeram contra a G2, fica claro que há algo ali. Talvez seja apenas uma questão de tempo e ajustes finos.
No fim das contas, a eliminação da ENVY é um lembrete de como o cenário competitivo é implacável. Uma equipe pode ter todo o talento do mundo, mas se não conseguir traduzir isso em consistência, os resultados não vêm. E para GLYPH, essa offseason será um período de reflexão intensa. Ele mesmo admitiu que há muitas coisas em que pensar, e essa honestidade é rara em um cenário onde muitos preferem esconder suas fraquezas.
Enquanto isso, a G2 segue para os playoffs com a confiança de quem venceu uma série difícil. Mas a ENVY, mesmo eliminada, deixou uma impressão que vai além do placar. Eles mostraram que têm coração, e isso, no esporte, muitas vezes vale mais do que qualquer título.
Fonte: THESPIKE











