A Evil Geniuses (EG) encerrou a fase de grupos do VALORANT Champions Tour 2026 - Americas Stage 2 de forma melancólica. Com duas vitórias e três derrotas, a organização norte-americana alternou entre jogos bons e ruins, e não conseguiu se firmar entre as favoritas ao título desta edição da liga internacional de VALORANT.
Em entrevista exclusiva ao THESPIKE Brasil (assista em vídeo abaixo), dgzin opinou sobre EG no VCT 2026 Americas e assumiu que existe uma diferença da equipe em comparação com Leviatán e NRG, por exemplo. Para ele, é preciso que todos os companheiros tenham uma evolução individual e de confiança para que seja possível reduzir esse "gap".
O diagnóstico de dgzin sobre a EG no VCT 2026 Americas
"Acho que, na minha visão, assim, são algumas coisas que são óbvias. Acho que a gente precisa, individualmente, ser melhores. Acho que, querendo ou não, a gente sempre, quando joga contra Leviatán e NRG agora, é sempre esse gap. Tipo assim, a gente precisa ter alguém no jogo que realmente, não é que chama a responsa, mas, tipo, você sabe quando você vê uma pessoa, meio que sabe o que ela tá fazendo, tá ligado?", questionou.
"Eu sinto que, quando a gente joga contra esse time, a gente fica muito atrás. Tipo, é muito respeito, é muita coisa que rola dentro do jogo que acaba dificultando a gente meio que entrar no nosso momento, né? Porque o VALORANT eu falo que é muita coisa de momento também", completou o jogador.
"Eu não sinto que a gente atira bem"
O ponto mais contundente da declaração de dgzin sobre a EG no VCT 2026 Americas veio na sequência. O atleta foi direto ao avaliar o desempenho individual do elenco:
"Então, eu sinto que a primeira coisa que a gente precisa ser é melhor individualmente. Eu não sinto que a gente atira bem. A gente demora muito para entrar no jogo, assim, então é uma parada que... mano, contra esses caras não tem como, né? Se você demorar para entrar no jogo, você vai ser punido. Você acaba vendo um jogo em 20 minutos, mano. Acabou uma partida, tá ligado? Então, esse é o primeiro", explicou.
E a confiança aparece como segundo fator na análise do jogador:
"Acho que a confiança também é o segundo. Você tem que olhar para os caras de uma forma normal, tipo, beleza, eles são campeões, mas, no servidor, todo mundo usa o mesmo bonequinho ali, todo mundo tem um mouse, todo mundo tem um teclado. Então, a gente tem..."
A fala completa de dgzin sobre a EG no VCT 2026 Americas pode ser conferida no vídeo abaixo, que traz a entrevista na íntegra com o jogador brasileiro.
Essa análise de dgzin, embora dura, não é exatamente uma surpresa para quem acompanhou a campanha da EG na fase de grupos. O time demonstrou lampejos de brilhantismo, como na vitória convincente sobre a G2 Esports, mas também teve atuações apagadas, especialmente contra os times do topo. A sensação de que a equipe depende de momentos individuais de inspiração, em vez de uma estrutura coletiva sólida, é algo que os próprios números da liga confirmam.
Olhando para as estatísticas do VCT 2026 Americas Stage 2, a EG figura no meio da tabela em quase todos os quesitos fundamentais. O rating médio dos jogadores, a taxa de vitórias em rounds de clutch e até a eficiência em rounds de ataque ficam aquém do que se espera de uma equipe que almeja chegar aos playoffs. E é exatamente aí que a fala de dgzin ganha ainda mais peso: não é apenas uma questão de sentir, é uma questão de dados.
O que os números dizem sobre a EG no VCT 2026 Americas
Em uma análise mais fria, a EG tem o sexto melhor ataque da liga, com uma média de 1.08 de rating coletivo. Parece razoável, certo? Mas quando você compara com Leviatán e NRG, que ostentam ratings coletivos acima de 1.15, a diferença se torna gritante. E não é só isso: a EG também sofre para converter vantagens numéricas em rounds vencidos. Em situações de 5x4, o time converte apenas 68% das vezes, enquanto os líderes da liga convertem mais de 75%.
Esses números contam uma história que vai além do que dgzin verbalizou. Eles mostram que a EG não está apenas atrás em termos de habilidade mecânica individual, mas também em tomada de decisão sob pressão. É como se o time entrasse em modo reativo quando o jogo fica apertado, esperando o erro do adversário em vez de forçar seu próprio ritmo.
E isso me lembra de uma conversa que tive com um analista de VALORANT há algumas semanas. Ele comentou que a EG parece um time que ainda está tentando descobrir sua identidade. Em um cenário onde Leviatán e NRG já têm sistemas bem definidos, com papéis claros e rotinas automáticas, a EG ainda parece estar em fase de experimentação. Isso não é necessariamente um demérito — times como a própria Leviatán passaram por isso antes de se tornarem campeões — mas é um processo que exige tempo e, principalmente, paciência.
O fator confiança e a pressão por resultados
Quando dgzin fala sobre confiança, ele toca em um ponto que é quase intangível, mas que tem efeitos muito concretos dentro do servidor. A confiança em VALORANT é o que permite que um jogador pegue um duelo de 1x1 com a certeza de que vai vencer, em vez de hesitar e dar o tiro nas costas do adversário. É o que permite que um time execute uma estratégia com precisão cirúrgica, sem medo de que algo dê errado.
E é exatamente essa confiança que parece faltar à EG quando enfrenta os times do topo. Contra a Leviatán, por exemplo, a EG chegou a abrir 10-4 no primeiro half, mas viu a vantagem evaporar no segundo tempo. Não foi uma questão de estratégia — foi uma questão de mentalidade. O time simplesmente parou de acreditar que poderia vencer, e isso se refletiu em erros individuais e em uma postura mais passiva.
dgzin, que é um dos jogadores mais experientes do elenco, parece ciente desse problema. Em sua entrevista, ele mencionou que a equipe precisa "olhar para os caras de uma forma normal", como se estivesse tentando quebrar uma barreira psicológica que existe contra esses adversários. E isso é algo que não se resolve apenas com treino — é algo que se constrói com vitórias, com pequenos momentos de sucesso que vão alimentando a crença de que é possível competir de igual para igual.
O que me preocupa, no entanto, é o tempo. O VCT 2026 Americas Stage 2 está chegando à sua reta final, e a EG não tem mais margem para erros. Se a equipe não conseguir encontrar essa confiança rapidamente, pode acabar ficando de fora dos playoffs, o que seria um golpe duro para uma organização que investiu pesado em seu elenco para esta temporada.
E aí fica a pergunta: será que a EG vai conseguir dar a volta por cima? Ou vamos ver mais uma vez o time sucumbir à pressão dos momentos decisivos? A resposta, como sempre em VALORANT, só virá dentro do servidor. Mas uma coisa é certa: as palavras de dgzin não são apenas uma crítica — são um chamado para ação. E agora, cabe ao resto do time responder.
Fonte: THESPIKE








