O jejum de títulos da Liquid em campeonatos LAN continua. Em 2026, a equipe norte-americana amarga a marca de liquid 7 anos sem título lan 2026, um período que se estende desde a última grande conquista em 2019. A derrota na grande final do Stake Pulse Beat I apenas reforçou uma estatística que já se tornou incômoda para a organização e sua torcida.

Para contextualizar a dimensão desse jejum, é preciso voltar a 2019, um ano mágico para a Liquid. Naquela temporada, o time parecia imbatível, levantando troféus em sequência e dominando o cenário competitivo de forma avassaladora.

O Último Grande Ano: A Temporada de Ouro de 2019

O ano de 2019 rendeu troféus para a Liquid. Além da IEM Chicago, a equipe norte-americana conquistou a BLAST Pro Series Los Angeles, a ESL One Cologne, a ESL Pro League Season 9 Finals, a DreamHack Masters Dallas, a IEM Sydney e a iBUYPOWER Masters.

Foi uma campanha histórica, que consolidou a Liquid como a melhor equipe do mundo na época. A pergunta que fica é: o que aconteceu depois? A transição para o CS2 e as mudanças no elenco certamente tiveram impacto, mas a seca de títulos em eventos presenciais se tornou uma narrativa difícil de reverter.

O Vice no Stake Pulse Beat I e o Ranking VRS

Apesar da derrota na grande final do Stake Pulse Beat I, a Liquid garantiu 161 pontos no VRS logo após o término do campeonato e subiu 12 posições no ranking. É um consolo, claro, mas não apaga a sensação de que algo ainda falta para o time voltar ao topo.

Na minha opinião, a consistência em LANs é o que separa os bons times dos campeões. E é exatamente isso que a Liquid não tem demonstrado nos últimos anos. Os pontos no ranking são importantes, mas não substituem a glória de levantar um troféu diante da torcida.

Próximo Desafio: Qualificatória para a Esports World Cup

O próximo compromisso da equipe será na qualificatória aberta para a Esports World Cup. O torneio, que foi transferido para Paris, terá sua seletiva entre os dias 7 e 9 de agosto, na capital francesa.

Será mais uma oportunidade para a Liquid quebrar o tabu. Mas a pressão é enorme. Cada derrota em LAN aumenta o peso desse jejum, e a equipe precisa mostrar que ainda tem fome de títulos. A qualificatória aberta é o primeiro passo, mas o caminho até a glória em Paris será longo e cheio de adversários difíceis.

E você, acredita que a Liquid consegue finalmente encerrar esse ciclo em 2026? A resposta pode começar a ser escrita já nos próximos dias, nas seletivas da Esports World Cup.

Mas será que essa seca é apenas uma questão de elenco ou existe algo mais profundo acontecendo nos bastidores? A verdade é que a Liquid passou por diversas reformulações desde 2019. Nomes como Twistzz, NAF e EliGE permaneceram como pilares, mas a saída de jogadores-chave e a constante dança das cadeiras no cenário competitivo cobraram seu preço.

E tem outro fator que muita gente ignora: a mudança de jogo. A transição do CS:GO para o CS2 não foi apenas uma atualização visual. As mecânicas mudaram, o timing das utilidades ficou diferente, e times que dominavam uma era precisaram se reinventar completamente. Algumas organizações conseguiram essa adaptação com mais facilidade. A Liquid, infelizmente, parece ter tropeçado nesse processo.

O Que os Números Revelam Sobre o Desempenho Recente

Olhando para as estatísticas das últimas temporadas, um padrão interessante emerge. A Liquid frequentemente chega às fases finais dos campeonatos, mas esbarra justamente nos momentos decisivos. Não é raro ver a equipe avançar invicta na fase de grupos para depois cair nas quartas ou semifinais.

Em 2025, por exemplo, o time chegou às semifinais de três grandes eventos, mas não conseguiu converter nenhuma dessas campanhas em título. É como se houvesse um bloqueio mental quando o bolo está prestes a sair do forno. A pressão aumenta, os rounds ficam mais tensos, e a equipe parece perder a fluidez que demonstra em situações de menor risco.

Alguns analistas apontam que isso pode estar relacionado à experiência do elenco em finais. Quando você passa anos sem disputar uma decisão, o nervosismo naturalmente toma conta. E quando finalmente chega lá, como aconteceu no Stake Pulse Beat I, a ansiedade pode falar mais alto do que a técnica.

O Fator Brasileiro na História da Liquid

Curiosamente, a história da Liquid no cenário competitivo tem um capítulo especial com o Brasil. A rivalidade com a FURIA, por exemplo, sempre rendeu confrontos memoráveis. E não podemos esquecer que foi contra uma equipe brasileira que a Liquid viveu um dos momentos mais dramáticos da sua história recente.

Mas o que isso tem a ver com o jejum de títulos? Tudo, na verdade. A pressão de enfrentar times brasileiros, conhecidos pela torcida apaixonada e pelo estilo agressivo, adiciona uma camada extra de dificuldade. E quando a Liquid perde para esses adversários em LANs, a narrativa negativa se fortalece ainda mais.

Há também a questão da identificação com o público. A Liquid construiu uma base de fãs enorme na América do Norte, mas o cenário competitivo global é implacável. Não basta ter torcida; é preciso ter resultados consistentes para manter o respeito dos adversários e da mídia especializada.

O Que Precisa Mudar Para o Título Voltar?

Na minha visão, a Liquid precisa de duas coisas urgentemente: estabilidade tática e confiança mental. A parte tática pode ser trabalhada com a comissão técnica, que precisa encontrar um estilo de jogo que se adapte às características dos jogadores atuais. Já a confiança é algo mais delicado, que se constrói com pequenas vitórias ao longo do caminho.

Talvez a solução não seja vencer um grande campeonato de imediato, mas sim acumular bons resultados em sequência. Cada semifinal alcançada, cada série vencida contra um top 5 mundial, cada clutch jogado com frieza — tudo isso contribui para reconstruir a mentalidade vencedora que a equipe tinha em 2019.

E há um detalhe que poucos mencionam: a importância do suporte da organização. A Liquid é uma das organizações mais ricas e estruturadas do cenário, com uma estrutura de treinamento de alto nível. Mas dinheiro não compra títulos. É preciso que todos os setores — jogadores, comissão técnica, analistas e psicólogos — estejam alinhados em busca do mesmo objetivo.

O cenário competitivo de 2026 está mais disputado do que nunca. Times como Vitality, FaZe e Spirit elevaram o nível do jogo, e a margem de erro é mínima. A Liquid não pode se dar ao luxo de desperdiçar oportunidades, especialmente em seletivas como a da Esports World Cup, onde qualquer deslize pode significar a eliminação precoce.

Fico pensando se a diretoria da equipe está considerando mudanças mais profundas no elenco ou se acredita que o grupo atual tem potencial para reverter a situação. É uma decisão difícil, porque mexer em um time que já demonstrou qualidade pode ser arriscado. Mas a inércia também tem seu preço, e o tempo passa rápido no esporte eletrônico.

Os próximos meses serão cruciais para definir o futuro da Liquid. A qualificatória para a Esports World Cup é apenas o começo de uma jornada que pode terminar em redenção ou em mais um capítulo de frustração. O que está em jogo vai muito além de um troféu — é a identidade de uma organização que já foi sinônimo de excelência e que agora busca reencontrar seu caminho.



Fonte: Dust2