O ano de 2026 tinha tudo para ser especial para dgzin. Retorno ao Tier 1 do VALORANT, primeira experiência em uma organização internacional e adaptação a um novo idioma. Só que, desde então, a equipe do jogador brasileiro tem demonstrado inconstância e bem mais performances negativas do que positivas ao longo desta temporada. Agora, depois de pouco mais de seis meses desde a volta ao VCT Americas, dgzin fez um balanço, em entrevista exclusiva ao THESPIKE Brasil, sobre como tem sido o ano marcado por eliminações melancólicas no VALORANT Champions Tour 2026 - Americas Kickoff, VALORANT Champions Tour 2026 - Americas Stage 1 e EWC - Esports World Cup 2026: Americas Qualifier.

Ele afirmou que já se adaptou totalmente ao inglês e à cultura, mas admitiu que tem se frustrado devido aos resultados — que não correspondem às expectativas dele. "Eu sinto que esse é o meu lugar para jogar, para continuar evoluindo. Eu fiz, tipo, desde quando eu cheguei na EG, essa barreira linguística assim, esse negócio de idioma, nunca foi um problema assim para mim. No início, ele pode ter me afetado um pouco porque o jogo é diferente, você tem que comunicar rápido, você tem que passar informação rápido. Então, eu sinto que hoje em dia eu estou mais suave, consigo falar inglês, dar entrevista, sei passar essas informações mais rápido."

O peso das derrotas recentes

Mas a parte mais difícil do desabafo veio quando ele analisou as últimas partidas. "Mas acho que, de alguns jogos pra cá, acho que dois jogos pra cá, contra a Leviatán e contra a NRG agora, foram jogos que eu não consegui performar muito. Inclusive, contra o MIBR também, acabou que a gente tomou aquela virada na Haven, aí foi para a Ascent ali, a gente tomou 13 a 1 ou 13 a 3, se eu não me engano."

É frustrante ver um jogador do calibre dele passando por isso. E o pior? Ele sabe exatamente onde está o problema. "Então, acaba que você não mostra muito do jogo. Então, acho que é uma parada que eu tirei, assim, de aprendizado para mim durante esses jogos que, quando eu decido jogar, é totalmente diferente. Quando eu controlo as coisas que estão acontecendo no jogo, realmente, quando eu sou um cara que é mais líder no time, tipo, fal..."

O que esperar daqui pra frente?

A declaração completa revela um jogador que se enxerga como peça-chave na liderança do time, mas que ainda busca consistência. A pergunta que fica é: será que a EG vai dar tempo para essa adaptação ou a pressão por resultados vai falar mais alto?

O cenário competitivo de VALORANT em 2026 está mais acirrado do que nunca, e cada eliminação pesa. Para dgzin, a cobrança vem de dentro. Ele sabe que pode mais. E é exatamente essa autocobrança que pode ser o combustível para uma reviravolta — ou o peso que vai continuar derrubando o desempenho.

Enquanto isso, os fãs brasileiros acompanham de perto cada movimento. A torcida segue esperando que esse desabafo seja o ponto de virada. Afinal, quando um jogador do nível do dgzin reconhece suas falhas publicamente, geralmente é porque está pronto para trabalhar nelas. A próxima janela de competições pode dizer muito sobre o futuro dessa equipe no VCT Americas.

E essa liderança em quadra é algo que sempre marcou a carreira do dgzin. Desde os tempos de FURIA, passando pela passagem na MIBR e agora na EG, ele sempre foi aquele jogador que assume a responsabilidade nos momentos decisivos. Mas, como ele mesmo apontou, quando o time não responde, a confiança vai lá embaixo. E é exatamente nesse ciclo vicioso que a EG parece estar presa.

Vamos ser honestos: a temporada da Evil Geniuses no VCT Americas 2026 não está nem perto do que se esperava. O time chegou com status de promessa, com um elenco que mistura experiência internacional e juventude, mas os resultados contam outra história. A eliminação precoce no Kickoff, a campanha irregular no Stage 1 e a queda no qualificador do EWC deixaram um gosto amargo. E quando você olha para as estatísticas, o problema fica ainda mais claro.

Os números que explicam a frustração

Nos jogos contra Leviatán e NRG, dgzin terminou com ratings negativos, algo raro para um jogador do calibre dele. Contra a Leviatán, na série que valia vaga no Masters, ele fechou com um ACS de apenas 152, muito abaixo da média dele na carreira, que gira em torno de 220. E contra a NRG, na última partida do Stage 1, a situação não foi muito diferente: 14 abates em 3 mapas, com um K/D de 0.68.

Mas o que mais chama atenção é o que ele disse sobre a virada contra a MIBR. Aquele jogo na Haven foi um divisor de águas. A EG estava vencendo por 11-7, com vantagem econômica e o controle total do jogo. Foi quando algo quebrou. A comunicação falhou, as decisões ficaram hesitantes e o time deixou a vitória escapar. Depois disso, na Ascent, veio o apagão total. É o tipo de derrota que mexe com a cabeça de qualquer jogador, e dgzin não escondeu isso.

"Quando você perde um jogo daquele jeito, que estava na mão, é difícil não levar para o próximo jogo", ele disse, em um tom que misturava frustração e autocrítica. "A gente tentou resetar, mas o mental já não estava mais lá."

O desafio de liderar em um time internacional

Outro ponto que merece destaque é a dinâmica de liderança dentro da EG. dgzin sempre foi conhecido por ser vocal, por chamar as jogadas e por ser o coração do time. Mas em um elenco internacional, com jogadores de diferentes nacionalidades e estilos, essa liderança ganha contornos mais complexos. Não é só falar inglês; é entender as nuances de cada jogador, saber quando puxar ou quando dar espaço.

E ele reconhece que ainda está aprendendo isso. "No Brasil, eu era o cara que falava mais, que puxava a responsabilidade. Aqui, é diferente. Tem jogadores que precisam de mais confiança, outros que precisam de mais direção. Eu estou tentando encontrar esse equilíbrio, mas não é fácil quando os resultados não vêm."

Essa adaptação é um processo que exige tempo, algo que o cenário competitivo raramente oferece. A EG, porém, parece disposta a dar esse tempo. A organização já investiu pesado no projeto, e a diretoria tem demonstrado paciência com o desenvolvimento do time. Mas até quando? Essa é a pergunta que ronda os bastidores.

Enquanto isso, dgzin segue trabalhando. Ele passou as últimas semanas no bootcamp da equipe, focado em melhorar a comunicação e a sincronia com os companheiros. E, apesar das dificuldades, ele mantém a confiança no projeto. "Eu acredito nesse time. A gente tem potencial para bater de frente com qualquer um. Só precisa encontrar o nosso jeito de jogar."

E é exatamente essa busca por identidade que define o momento da EG. O time tem talento individual de sobra, mas ainda não achou a fórmula que transforma esse talento em vitórias consistentes. Para dgzin, a solução passa por ele mesmo. "Eu preciso ser melhor. Se eu jogar no meu nível, o time joga no nível dele. É essa a responsabilidade que eu carrego."

Os próximos meses serão cruciais. Com a pausa de meio de temporada, a EG tem a chance de reavaliar tudo: estratégias, composições, papéis. E dgzin, com a humildade de quem reconhece as próprias falhas, parece pronto para liderar essa reconstrução. A torcida brasileira, que sempre o apoiou, segue na expectativa. E ele, mesmo com o peso do ano difícil, não perde a esperança.



Fonte: THESPIKE