O DENDELE perdeu seu segundo jogo na BLAST Open Porto e foi eliminado do campeonato em último lugar. O time, que antes jogava sob a tag Sharks, vem desempenhando bem no cenário nacional, mas não conseguiu ter bons resultados nos grandes torneios. Para Hélder "coachi" Sancho, o time precisa de mais experiência e também de evolução individual para ser mais constante nos campeonatos tier S.

"Na nossa região, acho que já somos bastante dominantes. Ganhamos os qualifiers, ganhamos a vaga aqui para a BLAST, ganhamos os campeonatos em LAN, como o CBCS e a BetBoom Rush B. Acredito que já somos bastante consistentes. Talvez tenhamos que ser ainda um pouco mais dominantes", disse coachi em entrevista à Dust2 Brasil.

"Internacionalmente não tivemos tantos campeonatos assim, esse é o problema. Já tivemos muitos no tier 2, que mandamos bem, ficamos em quarto lugar, ganhamos vários jogos. Aqui é um pouco mais difícil, mas na verdade, só tivemos o Major antes desse. Apesar do core estar junto há muito tempo, a maior parte dos meninos está jogando o segundo campeonato tier S deles. Então falta alguma experiência e está faltando alguma evolução individual em alguns pontos que nós também estamos trabalhando, que é difícil de conseguir, mas precisamos conseguir nos próximos tempos. Os meninos entram em campo e tem momentos que precisamos de um extra em algumas coisas, mas estamos trabalhando e buscando. Vamos ver se conseguimos", complementou.

Análise: O que falta para o DENDELE evoluir?

A declaração de coachi sobre a falta de experiência e evolução individual no DENDELE levanta um ponto importante sobre o desenvolvimento do time. Quando olhamos para a trajetória da equipe, fica claro que há uma diferença significativa entre o desempenho no cenário nacional e o internacional.

O time demonstra consistência em competições regionais, mas parece enfrentar dificuldades quando o nível de exigência aumenta. Isso não é necessariamente uma crítica negativa — é um processo natural para qualquer equipe que está subindo de patamar.

O desafio dos campeonatos tier S

É interessante notar que coachi menciona que a maioria dos jogadores está disputando apenas o segundo campeonato tier S. Isso contextualiza bastante a situação. A experiência em palcos maiores não se constrói da noite para o dia.

O que podemos observar é que o time tem uma base sólida — o core está junto há bastante tempo, o que normalmente é um diferencial. Mas no Counter-Strike competitivo, especialmente nos níveis mais altos, a evolução individual constante é tão importante quanto a química do time.

Os pontos levantados por coachi sobre a necessidade de "um extra em algumas coisas" durante os jogos refletem exatamente essa busca por consistência que separa os times bons dos times que brigam por títulos.

Vale acompanhar como o DENDELE vai trabalhar esses aspectos nos próximos meses. A base existe, o potencial é visível, mas o salto de qualidade necessário para competir de igual para igual nos torneios internacionais ainda parece estar em construção.

E essa fala de coachi sobre a evolução individual me faz pensar: será que o problema é mecânico, ou é mais sobre leitura de jogo e tomada de decisão sob pressão? Nos campeonatos regionais, o time consegue se impor com mais tranquilidade, mas quando o adversário é mais agressivo ou tem um estilo de jogo menos previsível, as brechas aparecem. É aí que a experiência individual faz diferença — saber quando arriscar, quando segurar, quando mudar o ritmo.

Outro ponto que merece destaque é a questão do calendário. O time disputou o CBCS e a BetBoom Rush B, que são competições importantes no cenário nacional, mas a frequência de jogos internacionais é bem menor. Isso cria um ciclo: sem jogos internacionais frequentes, fica mais difícil evoluir nesse nível; sem evolução, os resultados internacionais demoram a vir. E o coachi parece ciente disso quando diz que "só tivemos o Major antes desse".

É um dilema comum para times de regiões fora da Europa. A estrutura de treino, os scrims, a análise de demos — tudo isso pode ser feito remotamente, mas a intensidade de um campeonato presencial, com a torcida, o barulho, a pressão de cada rodada, é algo que só se aprende vivendo. E o DENDELE está vivendo isso agora, mesmo que de forma dolorosa.

Quando ele menciona que "os meninos entram em campo e tem momentos que precisamos de um extra em algumas coisas", eu interpreto isso como uma referência direta aos clutches, aos rounds decisivos, àquelas situações em que o time precisa de uma jogada individual para virar o jogo. No tier S, esses momentos acontecem com muito mais frequência, e a margem de erro é mínima. Um round perdido por uma decisão errada pode custar o mapa inteiro.

E não dá para ignorar o fator mental. Jogar o segundo tier S da carreira, contra times que estão acostumados a disputar finais de Majors, pode gerar um bloqueio natural. O jogador hesita, demora para reagir, ou tenta fazer algo fora do comum para compensar a diferença de nível. Isso é humano. Mas é exatamente isso que precisa ser trabalhado nos treinos e na preparação psicológica.

O coachi também deixou claro que o time é dominante na região — e isso não é pouca coisa. Ganhar qualifiers, vencer campeonatos em LAN, ter consistência no cenário nacional são conquistas que constroem confiança. Mas a confiança construída em um nível não se transfere automaticamente para outro. É como um jogador de futebol que é craque no campeonato estadual e precisa se adaptar ao ritmo da Libertadores. A base é a mesma, mas o jogo é outro.

Fica a impressão de que o DENDELE está no caminho certo, mas precisa de tempo e, principalmente, de mais oportunidades internacionais. A pergunta que fica é: como conseguir essas oportunidades sem resultados expressivos? É um paradoxo que muitas equipes enfrentam. Talvez a resposta esteja em aproveitar cada campeonato, mesmo os menores, como uma chance de evoluir individualmente. E, claro, continuar trabalhando nos pontos que o coachi mencionou — a evolução individual é algo que se constrói nos detalhes, nos treinos, na análise de cada erro.



Fonte: Dust2