Em uma análise da campanha da Legacy na Esports World Cup, o treinador Alan "adr" Riveros concedeu entrevista à Dust2 Brasil após a eliminação na semifinal. A equipe brasileira caiu diante da Spirit por 2 a 0, com parciais de 7-13 na Dust2 e 9-13 na Ancient, e agora se prepara para a disputa de terceiro lugar contra a FURIA.

Para adr, o saldo do torneio é positivo, mesmo com a derrota. O treinador destacou que a experiência adquirida pela equipe jovem foi valiosa: "Criou casca e experiência". Apesar do resultado, ele acredita que o time evoluiu durante a competição.

O round que mudou o jogo contra a Spirit

Na análise da partida, adr apontou um momento específico como decisivo para o resultado. O time começou bem na Dust2, abrindo 5-1, mas falhou em converter uma situação favorável que poderia ampliar para 6-1.

"Foi um jogo interessante. Começamos muito bem na Dust2, abrimos uma larga vantagem, 5-1. Nesse round do 5-1, fizemos uma jogada no fundo, saímos na vantagem, então parecia que estava caminhando para um 6-1. Infelizmente nós não convertemos esse round, e aí as coisas começaram a desandar, nossa economia não estava tão boa. Aquele momento foi um round muito chave e acabou nos quebrando e dando mais moral para eles. Então criaram um momentum ali na partida e aí foi difícil."

É interessante notar como um único round pode impactar toda a economia e o psicológico de uma equipe. No CS2, esses detalhes fazem toda a diferença em jogos de alto nível.

Duelo brasileiro pela terceira colocação

A Legacy ainda tem um compromisso na EWC: enfrentar a FURIA na disputa pelo terceiro lugar. Para adr, esse confronto tem um peso especial por ser entre duas equipes brasileiras brigando pelo topo do ranking VRS das Américas.

"Estamos enxergando como uma oportunidade de resetar, esquecer essa derrota de hoje, terminar esse campeonato com uma moral um pouco melhor. Vale ponto, vale dinheiro. É um duelo que traz um gostinho para o torcedor brasileiro, então é interessante também por isso. Nós vamos para ganhar."

A partida contra a FURIA promete ser intensa. Ambas as equipes conhecem bem o estilo de jogo uma da outra, o que deve resultar em um confronto tático interessante.

Vale lembrar que a Legacy chegou longe no torneio, superando expectativas. A campanha na EWC serviu para mostrar que o time tem potencial para competir em alto nível contra as melhores equipes do mundo.

O que você achou da campanha da Legacy na EWC? A derrota para a Spirit foi injusta ou a Spirit foi superior? Deixe sua opinião nos comentários.

E essa evolução não passou despercebida pelos olhos do cenário. A Legacy, que chegou à EWC como uma das equipes menos cotadas entre as brasileiras, conseguiu não só avançar de fase, mas também eliminar adversários tradicionais. O caminho até a semifinal incluiu vitórias que deram confiança ao elenco, algo que adr faz questão de valorizar.

"A gente sabia que ia ser difícil, mas o time mostrou uma maturidade que eu não via antes. Cada jogo a gente aprendeu algo novo, seja no mapa, seja na parte mental. Isso é o que a gente leva daqui", completou o treinador, reforçando o discurso de que o resultado vai além do placar.

O fator VRS e a briga pela vaga no ranking

Outro ponto que adr destacou na entrevista foi a importância do confronto contra a FURIA para o ranking VRS das Américas. Com a vitória, a Legacy pode assumir a liderança regional, o que garantiria uma vaga direta em futuros campeonatos e melhores seeds em eventos internacionais.

"O VRS é uma corrida de longo prazo, mas cada ponto conta. A gente sabe que a FURIA está ali na frente, e esse jogo pode mudar o cenário para a gente. Não é só pelo prêmio em dinheiro, é pela posição no ranking que a gente tanto trabalhou para subir", explicou.

E não é para menos. A diferença entre as duas equipes no ranking é pequena, e um resultado positivo na EWC pode ser o empurrão que a Legacy precisava para se consolidar como a principal força das Américas. Para o torcedor, é um duelo que vai além da rivalidade — é uma disputa direta por protagonismo.

O que esperar do confronto contra a FURIA

Se depender do histórico recente, o jogo promete ser equilibrado. A FURIA chega com mais experiência em finais e decisões, mas a Legacy mostrou que não se intimida com pressão. Nos treinos, segundo adr, o time já vinha testando variações táticas específicas para esse tipo de confronto.

"A FURIA é uma equipe que gosta de impor ritmo, então a gente precisa quebrar isso desde o início. Se a gente conseguir controlar o econômico e não dar espaço para eles respirarem, temos chance. Mas sabemos que eles também estudaram a gente", analisou.

Um detalhe interessante: a Legacy tem se destacado nas escolhas de mapa. Contra a Spirit, a equipe optou por Dust2 e Ancient, mapas que não são exatamente os favoritos do time, mas que foram trabalhados intensamente nos últimos meses. Essa versatilidade pode ser uma arma contra a FURIA, que costuma ter preferências bem definidas.

E tem mais: o fator emocional. Jogar uma decisão de terceiro lugar em um torneio internacional, contra um rival brasileiro, mexe com o psicológico de qualquer jogador. Mas adr acredita que o time está pronto para lidar com isso. "A gente já passou por situações difíceis aqui, então não vai ser agora que a gente vai tremer. É só manter a cabeça no lugar e executar o que a gente treinou."

No fim das contas, a Legacy sai da EWC com a sensação de dever cumprido, mas com fome de mais. A base jovem, que inclui nomes como latto e dumau, ganhou experiência valiosa em um palco global. E isso, para adr, é o maior prêmio que o time poderia conquistar.

"Quando a gente voltar para o Brasil, vamos sentar e analisar tudo o que aconteceu aqui. Mas já posso adiantar: esse time vai dar trabalho. O que a gente aprendeu aqui não tem preço."



Fonte: Dust2