
O youtuber Tdawgsmitty, conhecido por suas críticas constantes ao sistema de matchmaking de Call of Duty, decidiu mudar de estratégia. Depois de passar semanas tentando chamar a atenção de executivos da Xbox no Twitter, ele agora aposta em algo maior: uma petição pública para remover o SBMM (Skill-Based Matchmaking) dos lobbies casuais da franquia. E olha, a coisa está ganhando tração.
A inspiração veio de outro campo de batalha. Fãs de Destiny conseguiram recentemente convencer a Bungie a ressuscitar seu MMO sci-fi após uma mobilização massiva da comunidade. Tdawgsmitty viu nisso uma oportunidade. Se funcionou para Destiny, por que não tentaria o mesmo com Call of Duty? A lógica é simples: unir a base de jogadores em torno de uma causa comum.
A petição, hospedada no Change.org, ultrapassou 500 assinaturas em aproximadamente uma hora — um número que, convenhamos, mostra que o descontentamento com o SBMM não é exatamente uma minoria barulhenta. O texto do abaixo-assinado pede a remoção completa do sistema nos modos não ranqueados, argumentando que o matchmaking atual transforma partidas casuais em experiências exaustivas.
O que exatamente os jogadores querem com essa petição?
A proposta de Tdawgsmitty não é simplesmente "acabar com o SBMM". É mais nuanceada do que parece à primeira vista. Ele defende que o sistema seja mantido apenas no modo ranqueado, onde os jogadores entram deliberadamente buscando competição acirrada. Nos lobbies casuais, a ideia é que o matchmaking priorize conexão e variedade, não habilidade.
Faz sentido? Depende de quem você pergunta. Para uma parcela significativa da comunidade, o SBMM transformou o modo casual em algo paradoxalmente competitivo. Você não pode mais jogar uma partida relaxada com amigos de skill variado sem enfrentar adversários que parecem estar treinando para um campeonato mundial.
O youtuber também criticou a forma como a Activision utiliza analistas de dados para desenvolver o matchmaking. A percepção é de que o sistema foi otimizado para retenção e engajamento, não necessariamente para diversão. É uma acusação pesada, mas que ecoa entre jogadores que sentem que cada partida segue um roteiro previsível demais.
Destiny como precedente: uma nova era de protestos gamers?
O caso de Destiny é interessante porque mostrou que comunidades organizadas podem, sim, influenciar decisões de grandes estúdios. A Bungie, que enfrentava críticas sobre o futuro do jogo, acabou cedendo à pressão dos fãs. Isso criou um precedente que outros grupos estão dispostos a explorar.
Será que estamos entrando em uma era onde petições online se tornam a principal ferramenta de diálogo entre jogadores e desenvolvedoras? É cedo para afirmar, mas o movimento de Tdawgsmitty sugere que sim. A comunidade de Call of Duty, historicamente fragmentada entre fãs de campanha, multiplayer e Warzone, agora tem um ponto de convergência: o SBMM.
Vale lembrar que o youtuber não está sozinho nessa cruzada. Ele vinha tuitando diariamente para a CEO da Xbox, Asha Sharma, na tentativa de abrir um canal de comunicação. A petição é uma escalada — uma forma de mostrar que não se trata de um capricho individual, mas de uma insatisfação coletiva.
O que a Activision pode fazer — e o que provavelmente fará
Historicamente, a Activision tem sido resistente a mudanças no SBMM. O sistema existe há anos e, segundo a empresa, ajuda a manter jogadores engajados ao evitar que novatos sejam esmagados por veteranos. Mas críticos argumentam que o efeito colateral é uma experiência artificial e frustrante para todos.
Se a petição continuar crescendo, é possível que a Activision ao menos se pronuncie. Não espere, porém, uma remoção completa do SBMM tão cedo. O mais provável é que a empresa estude ajustes — talvez um sistema mais transparente ou opções de matchmaking para diferentes perfis de jogadores.
Enquanto isso, a comunidade segue assinando. E cada assinatura é um lembrete de que, no fim das contas, são os jogadores que mantêm a franquia viva. Se eles estão insatisfeitos, ignorar o problema não parece uma estratégia sustentável a longo prazo.
Quem diria que uma petição sobre matchmaking viraria o assunto mais comentado da semana? Pois é. Às vezes, a mudança começa com um clique.
Por que o SBMM gera tanta polêmica entre os jogadores?
Se você nunca jogou um shooter competitivo, pode estar se perguntando: qual é o problema de enfrentar pessoas do seu nível? Parece justo, não é? E é exatamente aí que mora a contradição. Na teoria, o SBMM deveria criar partidas equilibradas. Na prática, muitos jogadores relatam o oposto: lobbies onde cada erro é punido impiedosamente, onde não existe espaço para testar uma arma nova ou jogar com um amigo menos experiente sem que a experiência vire um massacre.
Eu já passei por isso. Lembro de tentar jogar algumas partidas casuais com um amigo que estava começando no multiplayer. A ideia era simples: ensinar o básico, rir dos erros, curtir o jogo. Resultado? Caímos em lobbies onde ele mal conseguia sair do spawn. A diversão evaporou em minutos. E não, não estou exagerando.
O ponto central da reclamação não é que os jogadores não queiram desafio. É que eles querem escolher quando querem esse desafio. O modo ranqueado existe justamente para isso. O casual deveria ser, bom, casual.
O argumento da Activision: retenção versus diversão
A Activision nunca escondeu que o SBMM é uma ferramenta de negócio. Em comunicados passados, a empresa já defendeu que o sistema ajuda a manter jogadores novos engajados, evitando que eles abandonem o jogo após serem destruídos por veteranos. É uma lógica que faz sentido do ponto de vista comercial — afinal, um jogador que se sente humilhado dificilmente volta.
Mas aqui está o problema: essa mesma lógica pode estar afastando os jogadores de longo prazo. E são eles que sustentam a franquia entre lançamentos, compram skins, assistem aos campeonatos e mantêm as discussões vivas nas redes sociais. Ignorar essa base é, no mínimo, arriscado.
Além disso, há uma questão de transparência. A comunidade nunca recebeu uma explicação detalhada sobre como o SBMM funciona exatamente. Quais variáveis são consideradas? Apenas K/D? Vitórias? Tempo de reação? Padrões de movimento? O mistério alimenta teorias da conspiração e frustração. E quando você não entende por que está enfrentando adversários tão acima do seu nível, a sensação de injustiça só cresce.
O efeito Destiny: quando a comunidade fala mais alto
Voltando ao caso de Destiny, vale a pena entender por que aquela mobilização funcionou. Não foi apenas uma petição. Foi uma combinação de fatores: uma comunidade extremamente engajada, um momento de fragilidade da desenvolvedora e uma causa clara e unificadora. Os fãs não estavam pedindo algo vago — eles queriam a continuidade de um jogo que amavam.
No caso de Call of Duty, a situação é diferente. O SBMM não ameaça a existência da franquia. Ele afeta a experiência diária de milhões de jogadores, mas não é uma questão de vida ou morte para o jogo. Isso torna a mobilização mais difícil, porque não há um senso de urgência existencial. Por outro lado, a insatisfação é tão difundida que qualquer faísca pode acender um barril de pólvora.
E convenhamos: a comunidade de Call of Duty não é conhecida por sua paciência. Basta lembrar das reações a mudanças em armas, mapas ou mecânicas de movimento. Quando algo desagrada, a resposta é rápida e barulhenta. O SBMM, porém, é um alvo diferente — ele está no coração do jogo há anos, e mexer nele significa admitir que a estratégia de matchmaking pode ter falhado.
O que outras franquias fazem — e o que isso nos ensina
Não é só Call of Duty que lida com esse dilema. Outros shooters adotaram abordagens distintas. Halo, por exemplo, tem um sistema de matchmaking que prioriza conexão e habilidade de forma mais equilibrada, com opções para diferentes modos. A comunidade de Halo ainda reclama, claro, mas há uma percepção de que a 343 Industries (agora Halo Studios) ouve mais ativamente.
Já o caso de Apex Legends é interessante: a Respawn implementou mudanças no SBMM ao longo dos anos, algumas bem recebidas, outras nem tanto. O ponto é que a empresa testou, ajustou e comunicou. Não acertou sempre, mas manteve um diálogo.
Talvez o caminho para a Activision não seja remover o SBMM completamente, mas oferecer opções. Um playlist casual sem SBMM? Um modo para jogar com amigos de skill variado? Ferramentas de transparência para o jogador entender seu próprio rating? São ideias que circulam na comunidade há tempos.
E se a petição de Tdawgsmitty servir para algo, que seja para abrir essa conversa. Não se trata de destruir o que existe, mas de construir algo que funcione para mais gente. Afinal, um jogo que frustra sua base mais fiel dificilmente sobrevive apenas com números de retenção.
Enquanto isso, a contagem de assinaturas continua subindo. E cada novo nome na lista é um lembrete de que, no fim, quem decide o futuro de uma franquia não são os algoritmos — são as pessoas que apertam o botão de jogar todos os dias.
Fonte: IGB BRASIL








