O VALORANT Champions Tour 2026 - Americas Stage 2 Play-In está prestes a começar, com os times do Challengers buscando provar que merecem um lugar no grande palco. Durante o Media Day com as equipes do Challengers, a THESPIKE conversou com Tacolilla sobre seu retorno ao cenário principal, o quanto ele mudou desde sua passagem pela Leviatán em 2023, e o que representa essa line-up da BESTIA.

O retorno de Tacolilla ao VCT Americas

Tacolilla fez sua estreia em 2020 antes de se juntar à Australs, onde passou um ano. No entanto, a organização foi dissolvida no ano seguinte, e sua line-up foi contratada pela Leviatán. Com a nova organização, Tacolilla chegou ao cenário internacional e disputou três eventos internacionais, mas nunca conseguiu terminar acima do quinto lugar. No meio da temporada de 2023, ele retornou ao Tier 2.

THESPIKE: Depois de três anos, você está de volta ao Tier 1. Como é a sensação de estar de volta ao nível mais alto?

Tacolilla: "É ótimo estar aqui. Só sentimentos bons. Não sei; estou muito feliz de estar aqui."

THESPIKE: Vencer o Challengers faz você se sentir preparado para o Tier 1, ou na verdade te deixa mais nervoso porque agora você precisa provar contra os melhores?

Tacolilla: "Sinto que tirei um peso das minhas costas. Estou aqui de novo porque provei meu valor, e agora tudo que quero é aproveitar. Sou grato à vida e a Deus, então estou levando um dia de cada vez. Quando jogo, não sinto nenhuma pressão. Me sinto muito bem."

A força da BESTIA e a sinergia do time

THESPIKE: Qual você diria que é a maior força dessa line-up da BESTIA, e como você descreveria a sinergia do time e a forma como vocês trabalham juntos?

Tacolilla: "Somos muito apaixonados por vencer, e temos uma boa ética de trabalho, que é uma das características mais fortes do nosso time."

THESPIKE: Quando você se juntou à BESTIA em abril, você realmente acreditava que alguns meses depois estaria se preparando para jogar o VCT Americas?

Tacolilla: "Quando esse grupo começou, eu pensei sobre o que poderíamos alcançar. Eu podia ver isso acontecendo no futuro. Desde o momento em que comecei com esses caras..."

E é exatamente essa confiança que chama atenção. Não é todo dia que um jogador volta ao cenário principal depois de tanto tempo no Tier 2 carregando essa tranquilidade. A trajetória de Tacolilla é daquelas que a gente acompanha de perto — e ver ele de volta, com essa maturidade, diz muito sobre o que essa BESTIA pode apresentar no Stage 2.

O Play-In do VCT Americas 2026 promete ser um dos mais competitivos dos últimos anos. Com times do Challengers famintos por uma vaga na elite, a experiência de Tacolilla em palcos internacionais pode ser o diferencial que a BESTIA precisa para surpreender. Resta saber se a química do time — construída em poucos meses — vai se traduzir em resultados consistentes contra adversários que já estão acostumados com a pressão do Tier 1.

O que fica claro é que Tacolilla não volta como o mesmo jogador de 2023. A passagem pelo Tier 2, os altos e baixos, as derrotas e conquistas — tudo isso moldou uma versão mais madura e centrada do atleta. E se depender da mentalidade que ele demonstrou no Media Day, a BESTIA chega para o Play-In com um trunfo que vai muito além da mecânica individual.

Mas a história de Tacolilla não é só sobre voltar. É sobre o que aconteceu no meio do caminho. Entre a saída da Leviatán e a chegada à BESTIA, ele passou por times como 9z e KRÜ, enfrentou eliminações precoces, mudanças de elenco e a dura realidade de quem vive à sombra do Tier 1. Em uma entrevista recente, ele chegou a admitir que pensou em desistir: "Houve momentos em que me perguntei se valia a pena continuar. Mas minha família e meus amigos sempre me apoiaram, e eu sabia que não podia desistir do meu sonho."

Essa resiliência é exatamente o que a BESTIA encontrou quando o contratou em abril. O time, que já contava com nomes como o do jovem prodígio Kizin e do experiente Shyy, precisava de um líder dentro de servidor que trouxesse calma nos momentos decisivos. Tacolilla, com sua passagem por campeonatos internacionais, se encaixou como uma luva. "Ele não é só um bom jogador, é um cara que faz os outros ao redor jogarem melhor", comentou o técnico da equipe, Frost, em uma coletiva pós-classificação.

E os números ajudam a contar essa história. Durante o Challengers, Tacolilla terminou com um rating médio de 1.12, mas o que mais impressiona é sua performance em mapas decisivos. Em situações de match point contra, ele teve um K/D de 1.35, mostrando que a pressão não o afeta. "Eu já joguei diante de 10 mil pessoas na arena. Um jogo online com tudo em jogo? Isso é tranquilo", brincou ele durante o Media Day.

Mas o Play-In do VCT Americas não será apenas mais um desafio. Será um teste de fogo contra equipes que estão no Tier 1 há mais tempo, como a Cloud9 e a Sentinels, que também lutam por uma vaga na fase principal. A chave, segundo Tacolilla, está na preparação mental: "A gente sabe que eles têm mais experiência, mas a gente tem fome. E fome, às vezes, vale mais do que experiência."

Outro ponto que merece destaque é a evolução tática da BESTIA. Durante o Challengers, o time surpreendeu ao utilizar composições pouco convencionais, como a double duelist com Raze e Jett em mapas como Ascent e Bind. Essa ousadia, combinada com a leitura de jogo de Tacolilla, criou um estilo imprevisível que pode pegar muitos adversários desprevenidos. "Nós estudamos muito os nossos oponentes, mas também criamos nosso próprio meta. Não queremos apenas copiar o que os outros fazem", explicou o capitão.

E não dá para ignorar o fator emocional. Tacolilla é conhecido por ser um dos jogadores mais expressivos do cenário, e sua energia contagiante já virou marca registrada. Durante a final do Challengers, ele foi flagrado pelas câmeras comemorando cada abate como se fosse o último. "Eu jogo com o coração. Se eu não sentir a adrenalina, não estou jogando bem", disse ele, rindo.

O que esperar então dessa BESTIA no Play-In? Se depender da confiança de Tacolilla, o time não está ali apenas para participar. "Nós não viemos para fazer número. Viemos para ganhar. Se não acreditasse nisso, nem teria aceitado o convite." E é essa mentalidade que pode fazer a diferença em uma competição tão acirrada.

Enquanto os fãs se preparam para o início do torneio, uma coisa é certa: a história de Tacolilla é um lembrete de que no esports, como na vida, as quedas são temporárias. O que importa é como você se levanta. E ele, definitivamente, se levantou.



Fonte: THESPIKE