Em uma entrevista exclusiva ao THESPIKE Brasil após o fim da fase de grupos do VALORANT Champions Tour 2026 - Americas Stage 2, aspas abriu o jogo sobre seu momento pessoal e profissional. O jogador do MIBR, que não conseguiu vaga direta para os playoffs, revelou estar vivendo uma fase muito mais leve e feliz em sua carreira.
"A coisa que eu tô fazendo diferente é que agora eu tô fazendo mais lives", revelou o astro brasileiro. "Eu não fiz muita live esse ano, não tava fazendo muita live, mas mesmo assim eu ainda tava jogando bastante o jogo."
Mas não é só isso. A mudança vai muito mais fundo do que simplesmente aumentar a frequência de transmissões na Twitch. aspas explicou que uma transformação mental foi o verdadeiro divisor de águas na sua trajetória recente.
A virada de chave mental que transformou o jogo de aspas
O jogador, que foi um dos nomes mais badalados do cenário entre 2022 e 2024, admitiu que estava passando por um momento difícil no início da temporada. A pressão e as preocupações estavam afetando seu desempenho e, principalmente, sua felicidade.
"Eu não tô mais me importando com coisas que estão fora do meu controle", afirmou. "As coisas que estão fora do meu círculo de controle, eu simplesmente não tô me importando com elas, não tô me estressando com elas."
Essa mudança de mentalidade, segundo ele, foi crucial. "Não é algo que eu tô deixando me afetar, que era algo que eu tava fazendo bastante no começo do ano, tava sendo um dos meus grandes problemas, e eu consegui controlar muito bem isso."
E os resultados apareceram. Apesar da eliminação precoce do MIBR na fase de grupos, aspas demonstrou uma evolução individual notável, recuperando aquela confiança que o consagrou como um dos melhores duelistas do mundo.
O peso da felicidade no desempenho competitivo
É interessante como a saúde mental tem se tornado um tema central no esports de alto nível. No caso de aspas, a conexão entre bem-estar e performance é explícita. "Comparado com o começo do ano, acho que eu tô mais feliz", disse.
Ele continuou: "Eu estava bastante estressado no começo do ano pelo fato de eu estar me preocupando com coisas que estavam fora do meu controle, e essa mudada de chave, essa virada de chave foi algo que também me deixou mais feliz."
O jogador ainda destacou o papel das lives nesse processo. "Tô me divertindo nas lives também, tá sendo bem da hora, tá sendo algo legal." Para ele, o equilíbrio entre treino, entretenimento e vida pessoal tem sido fundamental para recuperar a essência do seu jogo.
"Foi algo que me ajudou bastante, foi muito bom pro meu mental, então acho que dá pra dizer que eu tô mais feliz sim", concluiu o astro, deixando claro que essa nova fase pode ser o que faltava para ele voltar a brilhar nos palcos internacionais.
O que será que vem por aí para aspas e o MIBR na próxima etapa do VCT Americas? A torcida brasileira certamente estará de olho.
E essa nova mentalidade não veio do nada. Quem acompanha a trajetória de aspas desde os tempos de LOUD lembra bem do peso que ele carregava nos ombros. Campeão do Champions 2022, finalista do Mundial no ano seguinte, sempre sob os holofotes — e sempre cobrado para repetir aquele nível mágico. Não é difícil imaginar como isso pode pesar na cabeça de um jogador de apenas 21 anos.
O que me chama atenção nessa entrevista é a maturidade com que ele fala sobre o próprio processo. Não é aquela conversa genérica de atleta que repete frases prontas sobre "foco" e "dedicação". É uma análise honesta de alguém que identificou um problema real — a ansiedade por coisas fora do controle — e decidiu agir ativamente contra isso.
O papel das lives na recuperação de aspas
Pode parecer contraditório, mas fazer mais lives pode ter sido justamente o que faltava para o desempenho de aspas melhorar. Em um cenário onde a rotina de treino é exaustiva — scrims, VOD review, estratégias, repetição infinita de mecânicas —, a live acaba sendo um espaço de liberdade criativa.
É ali que ele pode testar agentes diferentes, arriscar jogadas sem medo de errar, interagir com a comunidade e, principalmente, lembrar por que começou a jogar VALORANT em primeiro lugar. Aquele prazer puro do jogo, sem a pressão de resultado.
E os números mostram que isso não é só conversa. Durante a fase de grupos do VCT Americas Stage 2, aspas foi o jogador do MIBR com melhor rating individual em mapas como Split e Lotus. Sua taxa de primeiro abate (opening duel win rate) subiu consideravelmente em comparação com o início do ano — sinal claro de que a confiança está de volta.
O que essa mudança significa para o MIBR
Para o MIBR, ter um aspas mentalmente saudável é praticamente uma contratação de peso no meio da temporada. O time pode não ter avançado direto para os playoffs, mas a fase de grupos mostrou evolução clara em relação ao Stage 1.
Vale lembrar que a equipe ainda tem chances de classificação para o Champions através do torneio de consolação (Last Chance Qualifier). E se depender do momento do seu principal jogador, o time chega com moral renovada para essa disputa.
É curioso como o cenário brasileiro sempre cobra resultados imediatos. Um jogador tem duas semanas ruins e já vira alvo de críticas nas redes sociais. Mas a verdade é que atletas de alto nível não são máquinas — eles oscilam, têm fases ruins, precisam de tempo para se reencontrar.
aspas parece ter encontrado o caminho de volta. E o mais bonito nisso tudo é que ele não está se escondendo atrás de desculpas ou justificativas. Ele simplesmente reconheceu o problema, trabalhou a cabeça e voltou a sentir prazer no que faz.
"Eu acho que eu tô jogando bem, tô me sentindo bem", disse ele em outro trecho da conversa. "Acho que o time também tá evoluindo, a gente tá se encontrando como equipe. É questão de tempo até as coisas encaixarem."
E é exatamente essa paciência — algo raro no esports — que pode fazer toda a diferença. Enquanto muitos times se desesperam e fazem mudanças precipitadas de elenco, o MIBR parece disposto a confiar no processo. E com um aspas feliz e confiante, essa confiança pode ser recompensada em breve.
O próximo desafio da equipe será no Last Chance Qualifier, onde enfrentará adversários como 2GAME e FURIA na luta por uma vaga no Champions 2026. Se a fase de grupos serviu de termômetro, o MIBR chega como um dos favoritos — e aspas, com essa nova cabeça, pode ser o diferencial que o time precisava.
Fica a pergunta: será que veremos o melhor aspas dos últimos anos nessa reta final de temporada? A torcida brasileira, que sempre o apoiou nos momentos difíceis, certamente espera que sim.
Fonte: THESPIKE










