17 de agosto de 2026 — A Legacy garantiu vaga nos playoffs da EWC após vencer o MIBR por 2 a 0, e parte do mérito pode ser creditada à nova formação. Em entrevista exclusiva à Dust2 Brasil, Andrei "arT" Piovezan comentou a mudança de awper na Legacy que tirou Guilherme "saadzin" Pacheco da equipe para dar lugar a Santino "try" Rigal. O IGL foi direto: a decisão veio de uma sensação de estagnação, e só o tempo dirá se foi a escolha certa.
"A mudança eu acho que vem mais de querer mudar um pouco o time. Sentimos uma certa estagnada em âmbitos gerais. Sentimos que fosse uma decisão que pudesse mudar alguma coisa. Acho que o tempo vai dizer se acertamos ou não", disse arT após a vitória sobre o MIBR.
E olha, os primeiros sinais são animadores. O try chegou e já mostrou serviço — algo que o próprio arT fez questão de destacar na conversa.
try já mostra impacto na Legacy
O novo awper não demorou para justificar a confiança depositada. Na partida contra o MIBR, especificamente na Inferno, o desempenho chamou atenção até do próprio IGL.
"Mas vendo o try jogar, ele tem demonstrado que é um jogador muito diferenciado. Ele tem ajudado bastante dentro do server. Hoje mesmo, na Inferno, não cheguei a apertar TAB no final do jogo. Mas eu lembro que quando vi pela última vez, ele estava com mais de 23 kills em um jogo que não estava tão longo", complementou arT.
É um recomeço interessante. A troca de sniper na Legacy não foi apenas uma mudança pontual — foi uma tentativa de reacender algo que parecia apagado. E, pelo menos no primeiro teste oficial, a aposta parece ter funcionado.
Análise da vitória sobre o MIBR
Além da mudança de awper, arT também avaliou o confronto direto contra o MIBR. A Legacy começou bem nos dois mapas, mas o IGL reconheceu que houve momentos de tensão desnecessários.
"Começamos com bastante vantagem nos dois mapas. Faltou um pouquinho de calma ou um pouquinho de tirar a pressão para fechar. Individualmente eu também não joguei muito bem, então poderia ter mudado alguns rounds. Mas acho que os moleques estavam se sentindo seguros que estávamos bem no jogo, e conseguimos fazer rounds bons, jogadas boas também", analisou.
O que fica dessa entrevista é a sensação de que a Legacy está em um momento de autoconhecimento. A troca de awper trouxe um novo ânimo, mas também uma responsabilidade extra para o try. E arT, como líder, parece ciente de que essa decisão será julgada pelos resultados — não pelas intenções.
Com a classificação para os playoffs da EWC, a equipe agora terá a chance de provar que a mudança veio para ficar. E o tempo, como o próprio arT disse, será o juiz final.
E essa confiança depositada em try não é à toa. O jovem awper, que já havia chamado atenção nas categorias de base e em passagens por equipes menores do cenário sul-americano, chega com a missão de dar uma nova identidade ao estilo de jogo da Legacy. Não é segredo que o time vinha sofrendo com a inconsistência no rifle de precisão — algo que, em partidas equilibradas, faz toda a diferença.
O que me chama atenção nessa movimentação é o timing. A Legacy não esperou uma sequência de derrotas para agir. A decisão veio de uma análise interna, de um sentimento de que algo precisava mudar antes que fosse tarde demais. Em um cenário tão competitivo como o atual, onde cada vaga em campeonatos internacionais vale ouro, essa postura proativa pode ser o diferencial.
O que muda no estilo de jogo da Legacy com try
Quando um time troca de awper, não é só o jogador que muda — é toda a dinâmica do time. Com saadzin, a Legacy tinha um perfil mais conservador, com o AWP sendo usado principalmente para segurar espaços e garantir o controle de áreas. Já o try traz uma abordagem mais agressiva, de buscar informação e abrir espaços para os entry fraggers.
E isso parece conversar bem com o estilo de arT, que sempre gostou de ter liberdade para criar jogadas e confundir os adversários. Com um awper mais dinâmico, o IGL ganha mais opções táticas — seja em execuções rápidas, seja em jogadas de antistrat.
Outro ponto que merece destaque é a química. Em entrevistas anteriores, jogadores da Legacy já mencionaram que o try é um cara muito comunicativo dentro do servidor, algo essencial para a função. O AWP não é apenas sobre mirar bem — é sobre ler o jogo, passar informações e dar confiança para o time jogar em volta da sua presença.
O contexto da EWC e a importância dessa vitória
Agora, vamos contextualizar essa vitória. A EWC (Esports World Cup) é um dos torneios mais prestigiados do calendário, reunindo as melhores equipes do mundo em uma competição de alto nível. Garantir vaga nos playoffs não é pouca coisa — especialmente para uma equipe que está passando por uma reformulação.
O confronto contra o MIBR, aliás, tinha um gostinho especial. Além da rivalidade histórica entre as duas organizações, havia a pressão de mostrar que a mudança não atrapalharia o desempenho em um momento decisivo. E a Legacy respondeu bem, mesmo com os altos e baixos que o próprio arT reconheceu.
É interessante notar como o time conseguiu manter a calma nos momentos críticos. Contra o MIBR, especialmente no segundo mapa, a Legacy chegou a ter uma vantagem confortável, mas viu o adversário encostar no placar. Em vez de entrar em pânico, a equipe soube reorganizar e fechar a partida com jogadas sólidas.
Para o try, especificamente, essa estreia em um palco tão grande deve ter sido uma mistura de nervosismo e empolgação. E ele soube canalizar isso da melhor forma possível, entregando um desempenho que justifica a aposta da organização.
O que esperar da Legacy daqui para frente
Com a vaga nos playoffs garantida, a Legacy agora tem um desafio ainda maior pela frente. Os adversários serão mais fortes, os mapas mais disputados, e a margem de erro será mínima. Mas é exatamente nesses momentos que times em transição encontram sua identidade.
A pergunta que fica é: será que o try consegue manter esse nível de desempenho contra os melhores awpers do mundo? E mais: será que a Legacy vai conseguir adaptar seu estilo de jogo para explorar ao máximo as qualidades do novo reforço?
O próprio arT parece ciente de que essa é uma jornada de longo prazo. A mudança não foi feita para resolver todos os problemas de uma vez — foi feita para criar uma nova base, um novo ponto de partida. E, pelo menos no primeiro capítulo dessa história, o roteiro não poderia ter sido melhor.
Vale ficar de olho nos próximos jogos da Legacy na EWC. Se o time conseguir traduzir essa energia inicial em consistência, podemos estar diante de uma das equipes mais perigosas do cenário. E se não conseguir, bem, o tempo — como o arT disse — vai cobrar.
Fonte: Dust2









