Em uma declaração que ecoa o sentimento de toda uma comunidade, a jogadora zAAz fez uma crítica contundente à Valve sobre a cena feminina de CS2. A bicampeã mundial não poupou palavras ao comentar o momento atual: "A Valve deveria ter vergonha". A declaração resume a frustração de atletas que veem anos de progresso desmoronarem diante da falta de suporte e investimento.

zAAz lamenta o retrocesso da cena feminina de CS2 em um momento crítico. Ao longo da carreira, a jogadora participou de mais de 30 campeonatos presenciais, conquistando mais de 20 títulos, incluindo dois mundiais no circuito da ESL Impact e o torneio da Intel Challenge Katowice. É uma trajetória que poucas atletas no mundo podem ostentar.

O colapso do cenário competitivo feminino

Desde o fim do circuito promovido pela ESL, o cenário feminino passou a lidar com a saída de jogadoras e organizações. A realidade atual é dura: ausência dos grandes investidores, cada vez menos equipes e nenhum grande torneio confirmado no calendário. É um cenário de retrocesso que contrasta com o crescimento visto entre 2022 e 2025.

Nesta semana, a melhor jogadora do mundo em 2025 decidiu deixar o CS e migrar para o VALORANT. Mayline-Joy "ASTRA" Champliaud, campeã da última edição da ESL Impact em Estocolmo, partiu para o outro FPS para manter o sonho de seguir competindo nos esports. A perda de um talento dessa magnitude é um sinal alarmante.

E não para por aí. Além da perda das principais competições de alto calibre no cenário inclusivo, a Fragster, organizadora de torneios alemã, anunciou na última sexta-feira o cancelamento da Fragster Challenger EU Female Masters 1, um dos únicos campeonatos ainda confirmados na Europa voltados para a cena feminina.

O que a declaração de zAAz representa

A fala de zAAz não é apenas uma opinião pessoal — é um retrato fiel do momento. Quando uma atleta com o currículo dela, que ajudou a construir o cenário, chega ao ponto de cobrar publicamente a desenvolvedora, algo está profundamente errado. A crítica à Valve sobre a cena feminina de CS2 ganha ainda mais peso vinda de quem viveu os melhores e piores momentos da modalidade.

Vale lembrar que a Valve sempre manteve uma postura distante em relação ao competitivo feminino. Diferente de outros jogos que criaram ligas dedicadas e programas de incentivo, o CS2 nunca teve um suporte estruturado. A cena feminina sempre dependeu de terceiros — primeiro a ESL, agora ninguém.

O que resta é a pergunta: até quando as jogadoras vão precisar se virar sozinhas? A migração de ASTRA para o VALORANT pode ser apenas a primeira de muitas. E cada saída enfraquece ainda mais um ecossistema que já está à beira do colapso.

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E o problema não é apenas a falta de torneios. É a falta de perspectiva. Quando a ESL Impact foi lançada, em 2022, a promessa era de um circuito estável, com premiações decentes e transmissão profissional. E, por um tempo, funcionou. A cena feminina viveu seu auge, com jogadoras como zAAz, ASTRA e tantas outras ganhando visibilidade e respeito. Mas a Valve, que sempre tratou o competitivo como algo secundário, nunca se comprometeu de verdade com essa fatia do jogo.

Enquanto isso, o VALORANT segue colhendo os frutos de um investimento que começou lá atrás, com o Game Changers. A Riot criou uma estrutura que dá suporte real às jogadoras, com ligas dedicadas, salários e um caminho claro para o competitivo. E o resultado é visível: a cena feminina de VALORANT está crescendo, enquanto a de CS2 está encolhendo. A migração de ASTRA é um sintoma, não a causa.

E o que a Valve tem a dizer sobre isso? Nada. O silêncio é ensurdecedor. A empresa que lucra bilhões com o CS2 parece não se importar com o fato de que metade da população mundial está sendo deixada para trás. É uma postura que, na melhor das hipóteses, é negligente. Na pior, é deliberada.

O efeito dominó que ninguém quer ver

Quando uma jogadora do calibre de ASTRA decide trocar de jogo, ela leva consigo não apenas o próprio talento, mas também a inspiração de uma geração. Meninas que sonhavam em ser como ela podem começar a questionar se vale a pena investir no CS2. E isso é devastador para o futuro da modalidade.

Além disso, a saída de jogadoras cria um ciclo vicioso. Com menos talento, os torneios ficam menos competitivos. Com menos competitividade, o interesse do público diminui. Com menos audiência, os patrocinadores somem. E sem patrocinadores, não há torneios. É um efeito dominó que já está em movimento, e ninguém parece disposto a interrompê-lo.

zAAz, que já foi uma das vozes mais otimistas da cena, agora fala com a amargura de quem viu o castelo desmoronar. E ela não está sozinha. Outras jogadoras, como a brasileira Nicks e a polonesa Oliveira, já expressaram frustrações semelhantes em entrevistas recentes. O sentimento é unânime: a cena feminina está sendo abandonada.

E o que a comunidade pode fazer? Pouco, infelizmente. A pressão sobre a Valve precisa vir de todos os lados — jogadoras, organizações, fãs e imprensa. Mas, até agora, a desenvolvedora tem mostrado que não está nem aí para a opinião pública. A pergunta que fica é: quanto tempo mais a cena feminina vai sobreviver nesse vácuo?

Enquanto isso, a ESL Impact, que já foi a salvação da cena, também está em silêncio. A última edição, em Estocolmo, foi um sucesso, mas não há nenhuma confirmação sobre o futuro do circuito. E a Fragster, que tentou preencher o vazio, já cancelou seu primeiro grande evento. É um cenário desolador.

E o mais irônico? O CS2 está em um momento de alta no cenário masculino. Os Majors estão maiores, as premiações mais altas, e a audiência bate recordes. Mas essa prosperidade não se estende às mulheres. É como se a Valve dissesse: "o jogo é para todos, mas o competitivo é só para alguns".

zAAz tem razão. A Valve deveria ter vergonha. E, mais do que isso, deveria agir. Mas, pelo histórico, é improvável que isso aconteça. E a cena feminina, que já foi uma promessa, está se tornando uma nota de rodapé na história do CS2.



Fonte: Dust2