A mentalidade de campeão da FURIA

O jogador letão Mareks "YEKINDAR" Gaļinskis tem sido uma das vozes mais contundentes na FURIA quando o assunto é a ambição por títulos. Em entrevista exclusiva à Dust2 Brasil, o jogador deixou claro sua filosofia: "Se um jogador não acredita que pode ganhar o evento, ele não pertence aqui".

Essa postura contrasta com a percepção que muitos têm sobre os jogadores brasileiros atuais. YEKINDAR e seus companheiros internacionais na FURIA trazem um novo ânimo à equipe, com declarações que beiram a confiança excessiva - mas que, segundo ele, é essencial para competir no mais alto nível.

A "mágica do Major"

Além da confiança, YEKINDAR acredita em algo mais intangível: "Trabalhamos muito, e se não acreditarmos no trabalho que tivemos e na sorte... às vezes você pode ter sorte, alguém consegue uma kill na smoke em dois rounds e agora, no MR12, você pode ganhar o mapa".

O jogador explica esse fenômeno que os profissionais chamam de "mágica do Major": "Quando as pessoas têm esse instinto, esse sentimento durante os jogos, especialmente em jogos difíceis, você vai ver os jogadores fazerem coisas que eles nunca fazem".

E ele já vê sinais disso na atual campanha da FURIA: "Nesses três jogos vi jogadas insanas que eu nunca vejo. Pode ser só com posicionamento. Você não precisa matar quatro, você pode se posicionar numa situação melhor".

Evolução de molodoy e futuro na FURIA

YEKINDAR também comentou sobre a evolução do jovem Danil "molodoy" Golubenko, que tem melhorado seu inglês para se comunicar melhor com a equipe: "Durante o jogo ele não tem nenhum problema. As situações de jogo são muito repetitivas, a informação é repetitiva".

Sobre seu próprio futuro na FURIA, o letão foi cauteloso mas deixou pistas: "Estou feliz de estar de volta, estar jogando. O nosso contrato é até o fim do Major e vai depender dos dois lados".

"É surpreendente o quão o FalleN e o time jogam e estruturam o jogo como se eu estivesse 100% ficando. E isso talvez me faça ficar", completou, sugerindo que há boas chances de renovação.

O impacto da experiência internacional

YEKINDAR trouxe à FURIA não apenas habilidades individuais, mas uma bagagem cultural única. "Jogar na CIS, na Europa e agora no Brasil me mostrou que cada região tem seu estilo", reflete. "O que estamos fazendo na FURIA é pegar o melhor de cada mundo - a disciplina europeia, a criatividade brasileira e minha própria experiência."

Essa mistura parece estar dando certo. Nas últimas partidas, a equipe mostrou um jogo mais estruturado, sem perder a essência agressiva que sempre caracterizou a FURIA. "Temos momentos de explosão, mas agora com mais controle", explica YEKINDAR. "É como dirigir um carro potente - você não quer ficar só na primeira marcha."

Adaptação ao MR12 e novas estratégias

A mudança para o formato MR12 (melhor de 12 rounds) no CS2 trouxe desafios que a FURIA parece estar superando. "No MR15 você podia errar mais", comenta YEKINDAR. "Agora cada round pesa o dobro. Se você perde a pistola e o anti-eco, já está 0-3 e o jogo muda completamente."

Ele revela que a equipe desenvolveu novas abordagens econômicas: "Temos situações onde compramos só pistolas no segundo round para garantir granada no terceiro. São pequenos detalhes que fazem diferença nesse novo formato."

Quando questionado sobre como isso afeta seu estilo agressivo, YEKINDAR sorri: "Ainda sou o mesmo jogador, só mais calculista. Às vezes um passo atrás pode te dar espaço para dois passos à frente depois."

O papel de FalleN na nova FURIA

A chegada do lendário Gabriel "FalleN" Toledo como coach parece ter sido peça fundamental na evolução recente da equipe. "Ele tem essa visão que só quem jogou no topo por uma década pode ter", admite YEKINDAR. "Quando ele fala sobre posicionamento ou timing, você sabe que vem de alguém que já esteve naquela situação centenas de vezes."

Mas a relação vai além do jogo. "FalleN entende a pressão de ser um ídolo no Brasil. Ele me ajuda a lidar com as expectativas, a filtrar o que importa. Não é só sobre CS, é sobre mentalidade."

Essa sinergia entre jogadores internacionais e a expertise brasileira pode ser o diferencial para a FURIA nos próximos torneios. "Estamos construindo algo único aqui", reflete YEKINDAR. "Tem times com mais experiência individual, mas poucos têm essa química que estamos desenvolvendo."

Com informações do: Dust2