A cena competitiva de VALORANT está prestes a ganhar uma nova e emocionante camada. A Esports World Cup Foundation acaba de confirmar que o FPS da Riot Games será um dos 16 títulos disputados na primeira edição da Esports Nations Cup (ENC), marcada para novembro de 2026 em Riade, Arábia Saudita. A competição promete uma reviravolta interessante: em vez de clubes, serão 32 seleções nacionais, formadas pelos melhores jogadores do mundo, lutando pelo título de "melhor região". É um conceito que tira o foco das organizações e o coloca diretamente sobre os países, algo que sempre gerou um fervor único em esportes tradicionais e que agora busca seu espaço nos eletrônicos.

Um formato inédito para VALORANT

Imagine a Copa do Mundo de futebol, mas no universo de VALORANT. Essa é a proposta central da ENC. A competição bienal, criada pela Esports World Cup Foundation, estabelece a primeira plataforma recorrente em grande escala para equipes nacionais nos esports. Em colaboração com a Riot Games, clubes e outras entidades do cenário, o torneio tenta capturar a magia das rivalidades nacionais que tantas vezes definem os esportes tradicionais. Será que o orgulho de vestir a camisa do seu país pode gerar uma dinâmica e uma pressão diferentes das que os jogadores estão acostumados nos campeonatos de clubes? A resposta começa a ser construída agora.

O calendário do torneio de VALORANT está marcado para acontecer entre 8 e 15 de novembro de 2026. O formato é robusto e pensado para testar a consistência das equipes. Tudo começa com uma fase de grupos com todos contra todos, onde as 32 seleções serão divididas em quatro chaves de oito times. Os quatro melhores de cada grupo avançam para uma chave eliminatória com 16 participantes.

  • Fase de Grupos: Melhor de um mapa (Bo1) – pressão total desde o primeiro round.
  • Eliminatórias: Melhor de três mapas (Bo3) – onde a estratégia e a adaptação entram em jogo.
  • Grande Final: Melhor de cinco mapas (Bo5) – um verdadeiro teste de resistência e versatilidade para coroar o campeão.

O caminho até Riade: Como se classificar

A briga pelas 32 vagas já tem suas regras definidas, e o sistema de classificação é um misto de mérito recente e oportunidades regionais. Metade das vagas (16) será preenchida por convites diretos, baseados em uma nova métrica: a VALORANT National Team Ranking. Essa classificação inédita leva em conta os resultados das competições regionais e internacionais do VALORANT Champions Tour (VCT), com os pontos sendo distribuídos de forma equitativa entre todos os jogadores de um clube que participaram das conquistas. A classificação de cada país será calculada com base nos pontos dos cinco melhores jogadores de sua lista nacional, com o corte sendo feito em 21 de junho de 2026.

Mas e se o seu país não estiver no topo dessa lista? Ainda há esperança. Catorze vagas serão disputadas em eliminatórias regionais online, que acontecerão entre 26 e 28 de junho de 2026. Cada região terá seu próprio bracket de dupla eliminação para definir seus representantes:

  • América do Norte (2 vagas)
  • América do Sul (2 vagas)
  • Europa Ocidental (2 vagas)
  • Europa Oriental (2 vagas)
  • Oriente Médio e Norte da África (2 vagas)
  • Ásia (2 vagas)
  • Sudoeste Asiático e Oceania (2 vagas)

Para completar o grid, duas vagas wildcard estarão em jogo, provavelmente através de um último torneio qualificatório ou convite especial, garantindo que surpresas possam acontecer.

Do clube para o país: Uma transição natural?

VALORANT não é um novato no ecossistema da Esports World Cup. Em 2025, o jogo fez sua estreia na Esports World Cup propriamente dita, com 16 equipes de clubes competindo. Na ocasião, o Team Heretics saiu vitorioso após derrotar a Fnatic na grande final. A ENC 2026, no entanto, é uma proposta de escala diferente: o dobro de equipes e uma motivação completamente distinta.

Na minha experiência acompanhando esports, competições por países sempre carregam um peso emocional extra. A torcida se une sob uma única bandeira, e a narrativa vai além do desempenho de uma organização específica. Para os jogadores, a honra de representar sua nação pode ser tanto um fardo quanto uma fonte de inspiração incrível. Será que veremos formações "All-Star" de países como Coreia do Sul, Estados Unidos ou Brasil? E como os jogadores equilibrarão seus compromissos com os clubes no VCT com os preparativos para a ENC? São questões logísticas e passionais que começam a ser desenhadas agora e que certamente moldarão os próximos dois anos do cenário competitivo.

A confirmação da ENC sinaliza um investimento contínuo e de longo prazo no ecossistema de esports pela Arábia Saudita. Mais do que um torneio isolado, é a criação de uma tradição bienal que pode, com o tempo, rivalizar em prestígio com os próprios campeonatos mundiais de clubes. Para os fãs, é a promessa de um espetáculo único, onde as rivalidades regionais do VCT são transformadas em confrontos diretos entre nações. O caminho até novembro de 2026 será longo, repleto de classificatórias, especulações sobre convocações e a construção das narrativas que alimentarão o torneio.

Mas vamos pensar um pouco mais sobre essa tal de VALORANT National Team Ranking. É uma ideia fascinante, não é? A Riot e a Esports World Cup Foundation estão basicamente criando um ranking FIFA para o VALORANT. A forma como os pontos serão distribuídos – de maneira equitativa entre todos os jogadores de um clube que contribuíram para um título – é um detalhe crucial. Isso evita que um país se beneficie desproporcionalmente por ter um único "super time" e recompensa nações com uma base de talentos mais ampla e profunda. Um país com cinco jogadores sólidos espalhados por diferentes equipes de sucesso pode, em teoria, se sair melhor no ranking do que um país com dois astros absolutos em uma única organização dominante.

E isso nos leva a uma pergunta inevitável: como serão formadas essas seleções? Quem terá o poder de convocar? Em esportes tradicionais, há federações nacionais. No VALORANT, essa estrutura ainda é nebulosa. Será que veremos comitês formados por ex-jogadores, treinadores renomados e talvez até representantes das próprias ligas regionais do VCT? A logística de reunir jogadores que competem em ligas diferentes ao redor do globo, com agendas apertadas de viagens e treinos com seus clubes, será um quebra-cabeça monumental para os staffs nacionais. A preparação para a ENC 2026 não começará em outubro de 2026; começará agora, com a construção dessas estruturas de gestão.

Rivalidades regionais em um novo patamar

O VCT já nos presenteou com clássicos regionais incríveis. A rivalidade entre a EMEA e as Américas, a ascensão implacável do Pacífico... mas na ENC, essas narrativas ganham cores novas e muito mais pessoais. Imagine um confronto entre Brasil e Argentina não mais representado por LOUD e Leviatán, mas por uma seleção brasileira com jogadores da LOUD, FURIA e MIBR contra uma seleção argentina com os melhores de Leviatán, KRÜ e talvez um talento que joga na Europa. A paixão nas arquibancadas (e nas transmissões online) atingiria um nível completamente diferente.

E não são só as rivalidades já estabelecidas. A competição pode ser o palco para o surgimento de novas potências. Regiões como o Oriente Médio e Norte da África (MENA), que têm um cenário competitivo fervilhante mas com menos holofotes internacionais, terão duas vagas garantidas nas eliminatórias. É uma chance de ouro para países como a Arábia Saudita, anfitriã do evento, ou os Emirados Árabes Unidos, mostrarem sua força em casa, diante de seu público. Da mesma forma, a vaga dedicada à Sudoeste Asiático e Oceania pode catapultar equipes de Filipinas, Tailândia ou Austrália para um protagonismo que o formato de clubes do VCT às vezes dificulta.

Na minha opinião, o sucesso da ENC dependerá muito de como a Riot Games integrará este evento ao já lotado calendário do VCT. Os jogadores são atletas de alto rendimento, não máquinas. A temporada 2026 do VCT precisará ter uma janela claramente definida para a preparação e participação na ENC, sob o risco de esgotar os competidores ou forçar escolhas difíceis entre o clube e a seleção. Será que veremos jogadores "poupados" em algumas etapas do VCT para estarem frescos para a Copa das Nações? É uma dinâmica completamente nova para os gerentes das equipes.

O legado além do jogo

Mais do que apenas coroar a "melhor nação de VALORANT", a ENC tem o potencial de deixar um legado duradouro para o esporte como um todo. Primeiro, pela popularização. Torneios nacionais têm um poder único de atrair a atenção de mídias tradicionais e de um público que talvez não acompanhe o dia a dia das ligas de clubes. Avós, tios e amigos que não entendem nada de esports podem se empolgar ao ver o time do seu país competindo em uma Copa do Mundo – mesmo que seja virtual.

Segundo, e talvez mais importante, pela base. A existência de uma meta no nível nacional pode incentivar federações e governos a investirem mais em programas de base, em centros de treinamento e no desenvolvimento de talentos locais. Se um jovem jogador na Polônia, no Chile ou na Indonésia sonha não apenas em jogar pelo Time X, mas em vestir a camisa de seu país na ENC, o caminho para se tornar um profissional ganha um incentivo patriótico poderoso. Isso pode acelerar a profissionalização do cenário em regiões menos desenvolvidas.

Claro, nem tudo são flores. O modelo de "seleções" em esports sempre esbarra em debates sobre elegibilidade. O que define a nacionalidade de um jogador? Local de nascimento? Nacionalidade dos pais? Tempo de residência? Vários atletas de elite do VALORANT são "nomades digitais", vivendo e competendo em regiões diferentes de sua origem. A ENC precisará de regras claríssimas para evitar polêmicas. Além disso, há o risco de que a competição, se não for muito bem administrada, pareça artificial – uma simples reunião de estrelas sem a química e a identidade que fazem uma seleção de verdade.

Agora, é hora de especular – parte divertida de qualquer anúncio como esse. Quais países devem ser os primeiros a garantir seu convite através do ranking nacional? Os Estados Unidos, com sua enorme quantidade de jogadores em equipes de topo nas Américas, parecem favoritos. A Coreia do Sul, com o domínio recente do Gen.G e a presença de coreanos em equipes de sucesso na China e no Pacífico, é outra forte candidata. O Brasil, sempre uma potência, e a Rússia (que compete sob a bandeira neutra no VCT, mas pode ter uma solução diferente para a ENC) também devem figurar no topo. Mas e a Turquia, com seu cenário fervilhante e jogadores espalhados pela EMEA? Ou a Dinamarca, uma fábrica constante de talentos?

As eliminatórias regionais, por sua vez, prometem ser um caldeirão de emoções. Serão torneios online de alta pressão, onde a falha em um único dia pode custar o sonho de ir a Riade. A logística de ping entre países de uma mesma região será um fator decisivo. Como garantir fair play entre um time no Canadá e outro no Chile durante as eliminatórias das Américas? São detalhes operacionais que os organizadores terão que resolver, mas que também farão parte da história.

O que me deixa genuinamente curioso é o impacto nos jogadores. Muitos deles cresceram competindo online, em equipes formadas por amizades e oportunidades, sem uma forte ligação com identidades nacionais no âmbito dos jogos. De repente, eles são convidados a carregar as esperanças de uma nação. Como o TenZ do Canadá, o Derke da Finlândia ou o aspas do Brasil internalizarão esse peso? Veremos discursos motivacionais diferentes, comissões técnicas montadas com o único propósito de criar unidade nacional em poucos dias de preparação. Pode ser a alavanca para que alguns desses jovens atletas se tornem ícones esportivos de seus países, transcendendo a bolha dos esports.

E você, já está torcendo para o seu país? A contagem regressiva de mais de dois anos parece longa, mas no ritmo acelerado dos esports, 2026 chegará antes que a gente perceba. Enquanto isso, cada partida do VCT, cada título regional, cada performance individual ganha uma camada extra de significado. Cada ponto conquistado por um jogador não só ajuda seu clube, mas também acumula para o ranking do seu país. É uma camada narrativa fantástica para se acompanhar. A construção da ENC 2026 não acontecerá apenas nos escritórios da organização, mas em cada servidor, em cada scrim e em cada torneio que acontecer daqui até lá.



Fonte: THESPIKE