A FURIA está a uma vitória de garantir sua vaga nos playoffs da ESL Pro League Season 24. Nesta segunda-feira, a equipe de Mareks "YEKINDAR" Gaļinskis venceu a PARIVISION por 2 a 1 e ficou mais perto de conquistar um lugar na fase final do torneio, que será disputada diante do público na Spodek Arena, em Katowice.

YEKINDAR fala sobre FalleN como IGL da FURIA: "Alivia a pressão sobre mim"

No último mês, YEKINDAR revelou que decidiu encerrar o trabalho compartilhado com FalleN como IGL da FURIA em alguns mapas. Na entrevista, ele comentou a decisão e destacou a maior confiança adquirida agora que pode se dedicar exclusivamente à sua função original no time.

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"Com certeza (sobre se sentir mais confiante). Nos mapas específicos em que eu estava passando call, por mais que você queira acreditar que se tornar um IGL em certos mapas ou controlar o jogo não impacta o nível individual. Não é assim. Sempre impacta, especialmente em partidas difíceis, em partidas disputadas onde é muito, muito duro, e você precisa pensar muito sobre onde focar mais, tipo microgerenciar seus companheiros ou pensar em como vencer um round contra um lado CT muito forte", explicou.

"É aí que o seu nível individual vai cair. E, claro, quando essa função fica com o FalleN, isso alivia a pressão sobre mim. E foi uma experiência bacana tentar criar um sistema, tentar chamar as táticas e tal, mas simplesmente não faz sentido neste momento da minha carreira", completou YEKINDAR.

Essa declaração escancara algo que muitos jogadores de alto nível demoram para admitir: acumular funções de IGL e de jogador de alto impacto individual raramente funciona a longo prazo. No caso de YEKINDAR, a matemática é simples — quanto mais energia mental ele gasta coordenando o time, menos sobra para o aim e para as decisões rápidas que definem rounds apertados.

Comunicação e evolução: os objetivos da FURIA na temporada

YEKINDAR também destacou os pontos que estão sendo trabalhados pela equipe e compartilhou os objetivos do time na Pro League.

"Acho que no geral, nesta temporada também, algo em que estamos realmente focando é na comunicação e meio que apenas traçar planos e estarmos na mesma página juntos."

Sobre a partida contra a PARIVISION, o jogador apontou a diferença de horário como um fator complicador no primeiro mapa.

"Sinto que o primeiro mapa foi muito difícil para nós por causa da diferença de horário. Costumamos jogar partidas às 18h30. Ontem jogamos a partida de 16h30. E quando você chega, você está acostumado a jogar tipo 18h30 ou 16h30 e aí você joga às 11h da manhã, o primeiro mapa... Bem, é difícil acordar logo no início, e estou muito feliz com o desempenho da equipe porque, especialmente na Mirage, todo mundo pareceu muito bem e em forma, e conseguimos fechar a partida", comentou.

Quem acompanha CS2 sabe que esse tipo de adaptação de horário é um problema recorrente em torneios internacionais. Não é desculpa — é contexto. Times que viajam constantemente precisam lidar com fusos horários, e a capacidade de superar isso nos primeiros mapas diz muito sobre a resiliência mental de um roster.

Playoffs como meta mínima e a busca por evolução real

O jogador falou sobre a confiança da FURIA para avançar à próxima fase da competição e compartilhou os objetivos do time na temporada.

"Sinto que em todo torneio em que entramos, a meta mínima para nós são os playoffs. E geralmente temos sucesso nisso. Nós geralmente nos classificamos para os playoffs. Estamos bastante confiantes de que vamos conseguir, mesmo com os adversários fortes que restam. Para nós, o mais importante é depois dos playoffs. Passo a passo, primeiro os playoffs e depois vemos o resto."

Mas YEKINDAR não quer apenas chegar à fase final — ele quer sentir que o time mereceu estar lá. O jogador conversou sobre o ponto mais importante que gostaria de adquirir com a equipe na reta final da temporada.

"Para mim, o mais importante é que os torneios nunca param. É um ciclo sem fim de ir para um torneio, depois é outro torneio e outro torneio. O mais importante é ver evolução e ver que o time está indo na direção certa."

"Claro, vencer, ganhar um troféu ou chegar à final seria um ótimo sinal, mas também importa como você fez isso. Se chegarmos à final, mas se tivermos dado sorte em algumas partidas ou algo do tipo, então isso não é necessariamente bom. Mas se nós, por exemplo, chegarmos às quartas ou às semifinais, ou vencermos as semifinais e conseguirmos elevar o nosso jogo ao nível de confiança que tínhamos no ano passado, isso é algo que importaria muito para mim."

Essa mentalidade diz muito sobre a maturidade competitiva de YEKINDAR. Em um cenário onde resultados imediatos são cobrados constantemente, ele prefere construir algo sólido a celebrar vitórias que podem ser fruto do acaso. É uma visão de longo prazo que, honestamente, nem todo jogador de CS2 tem.

O que esperar da FURIA na ESL Pro League Season 24

Com a vitória sobre a PARIVISION, a FURIA deu um passo importante rumo aos playoffs. A Spodek Arena, em Katowice, é um dos palcos mais icônicos do CS2, e jogar diante do público polonês é sempre uma experiência intensa — especialmente para times que precisam provar seu valor em partidas eliminatórias.

Resta saber se essa divisão de responsabilidades vai render os frutos que a FURIA espera. E se depender da confiança demonstrada por YEKINDAR, o time brasileiro tem motivos de sobra para acreditar em uma campanha sólida.

O caminho é longo, mas a FURIA parece estar finalmente encontrando seu equilíbrio. Às vezes, reconhecer os próprios limites — como YEKINDAR fez ao admitir que a função de IGL afetava seu desempenho — é o primeiro passo para evoluir de verdade.



Fonte: Dust2