25 de agosto de 2026 às 17:05 — A primeira rodada da BLAST Open Porto será palco de um clássico brasileiro. Nesta quarta-feira, FURIA e paiN vão se enfrentar pelo grupo A do torneio. Em entrevista à Dust2 Brasil, Vinicius "vsm" Moreira disse que o jogo vai ser difícil pois a FURIA vive um bom momento, mas afirmou que confrontos entre brasileiros são "guerra".

"Acho que vai ser um jogo bem difícil. Eles estão em um momento bom. A gente não vem tão bem assim, mas treinamos, demos uma melhorada. Tivemos pouco tempo no Brasil, mas treinamos e conseguimos dar uma melhorada em alguns mapas. E eu acho que vai ser um jogo bem pegado."

Apesar de hoje a FURIA viver um momento melhor do que da paiN, vsm disse que não acha que isso coloca mais pressão na Pantera, e afirmou que os dois times vão sentir a pressão por ser um jogo entre duas equipes do mesmo país.

"Por ser um jogo de brasileiro contra brasileiro sempre tem que ser pegado, não importa qual time seja, sempre é pegado. Então a pressão acho que vai para os dois lados. Brasileiro contra brasileiro é gritaria, é guerra, todo mundo quer ganhar um do outro."

Antes da BLAST Open Porto, a paiN disputou a Esports World Cup, mas acabou sendo eliminada na fase de grupos. vsm contou que após o fim da trajetória do time na EWC, os jogadores voltaram para o Brasil, onde passaram cerca de uma semana treinando.

"Chegamos em uma segunda-feira. Aí como chegamos tarde, não conseguimos treinar nesse dia. Mas treinamos nos dias seguintes, focando em ajustar alguns detalhes. O pouco tempo que tivemos foi bem aproveitado para melhorar nossa preparação para este confronto direto."

O que esperar do duelo entre FURIA e paiN na BLAST Open Porto

O confronto promete ser um dos mais intensos da primeira fase do torneio. A FURIA chega embalada após uma sequência de bons resultados, enquanto a paiN busca se reencontrar após a eliminação precoce na Esports World Cup. A rivalidade brasileira no cenário internacional de CS2 sempre rende momentos memoráveis, e desta vez não deve ser diferente.

Vale lembrar que a BLAST Open Porto reúne as melhores equipes do mundo, e um clássico brasileiro logo na abertura adiciona um tempero especial à competição. Para os fãs, é a oportunidade de ver dois estilos de jogo distintos se enfrentando: a agressividade da FURIA contra a resiliência da paiN.

O histórico recente das equipes no cenário internacional

A FURIA vem consolidando seu nome como uma das potências brasileiras no cenário global, com participações consistentes em campeonatos de alto nível. Já a paiN, apesar dos altos e baixos, demonstra evolução a cada torneio. A entrevista de vsm revela que a equipe está ciente dos desafios, mas confiante na preparação feita durante a curta passagem pelo Brasil.

O duelo desta quarta-feira não vale apenas pontos no grupo A — vale também o orgulho de ser o melhor time brasileiro no momento. E, como o próprio vsm destacou, em jogos assim, a intensidade vai além do tático. É uma questão de honra.

E essa intensidade não é só conversa de jogador. Quem acompanha o cenário competitivo de CS2 sabe que confrontos entre equipes brasileiras em torneios internacionais têm um histórico de partidas decididas nos detalhes. Seja na Mirage, na Inferno ou na Nuke, o que se vê é um xadrez tático onde cada round parece uma final de Major. A FURIA, com sua rotação agressiva e entradas rápidas, tenta impor ritmo; a paiN, por outro lado, costuma apostar em um jogo mais posicional, esperando o erro adversário para punir.

Outro ponto que merece atenção é o momento individual dos jogadores. Pela FURIA, nomes como FalleN e yuurih têm sido decisivos nas últimas semanas, especialmente em situações de clutch. Já na paiN, a expectativa é que biguzera e nqz consigam traduzir a boa fase nos treinos em performance oficial. vsm, aliás, foi questionado sobre isso na entrevista e desconversou, dizendo que o coletivo é o que importa. Mas convenhamos: em um clássico, o duelo de estrelas sempre pesa.

E tem mais um ingrediente que torna esse jogo ainda mais imprevisível: o formato da BLAST Open Porto. Com grupos em formato de dupla eliminação, uma derrota não elimina ninguém de cara, mas complica a vida. Perder para um rival direto pode significar ter que passar pela chave inferior, onde qualquer deslize é fatal. Isso muda completamente a abordagem das equipes. Será que a FURIA vai se expor mais para buscar o domínio desde o início? Ou a paiN vai adotar uma postura mais conservadora, esperando o momento certo para atacar?

Historicamente, a FURIA leva vantagem no confronto direto, mas a paiN já provou que sabe vencer quando menos se espera. No último encontro entre as equipes, na IEM Rio, a paiN surpreendeu e levou a melhor em uma série de três mapas que terminou com um placar apertado. Detalhes como esses mostram que, apesar do momento atual, não dá para cravar um favorito. E é exatamente isso que torna o CS2 tão fascinante — qualquer coisa pode acontecer quando o relógio está correndo e a granada de fumaça ainda não abriu.

Para os fãs que vão acompanhar a transmissão, vale ficar de olho nas escolhas de mapa. A FURIA tem mostrado preferência por Vertigo e Anubis, enquanto a paiN se sente confortável em Ancient e Overpass. Se os mapas forem esses, o duelo de estratégias será ainda mais interessante. E claro, não dá para esquecer do fator torcida. Mesmo jogando em Porto, a comunidade brasileira costuma marcar presença em peso nos torneios europeus, e o barulho vindo das arquibancadas pode ser o empurrão que um dos times precisa para virar um jogo complicado.

Outra coisa que me chamou atenção na fala do vsm foi a menção ao pouco tempo de treino. Isso é um problema recorrente para equipes sul-americanas que disputam campeonatos internacionais. A logística de viajar, se adaptar ao fuso e ainda encontrar ritmo de jogo é desgastante. Mas, ao mesmo tempo, é impressionante como esses times conseguem extrair o máximo de períodos curtos de preparação. Talvez seja essa resiliência que torne o cenário brasileiro tão competitivo no exterior.

E se a paiN conseguir aplicar o que treinou, podemos ver uma equipe mais sólida em situações de eco e anti-eco, que foram pontos fracos na EWC. Pequenos ajustes como a compra de utilidade no segundo round ou a rotação mais rápida no meio do mapa podem fazer toda a diferença. A FURIA, por sua vez, precisa manter a calma se o jogo for para o lado da paiN. Em clássicos, a ansiedade é um inimigo silencioso, e quem conseguir controlar melhor as emoções leva vantagem.

No fim das contas, o que vsm deixou claro é que esse jogo vai além da tática. É uma questão de identidade, de representar o Brasil em um palco global. E quando dois times brasileiros se encontram, a rivalidade é genuína, mas o respeito também. Resta saber quem vai conseguir transformar essa energia em vitória. A bola está com eles — ou melhor, a bomba.



Fonte: Dust2