Político europeu se posiciona sobre direitos dos jogadores
Nicolae Ștefănuță, vice-presidente do Parlamento Europeu, causou impacto ao declarar publicamente seu apoio ao movimento Stop Killing Games. Em vídeo publicado no Instagram no dia 12 de julho, o parlamentar anunciou ter assinado a petição e prometeu continuar apoiando a causa.
"Estou com as pessoas que iniciaram esta iniciativa cidadã. Assinei e continuarei a ajudá-las. Um jogo, uma vez vendido, pertence ao cliente, não à empresa", afirmou Ștefănuță em sua declaração.

Impacto político do movimento
Embora atualmente tenha poder limitado para agir, o apoio de Ștefănuță pode ser decisivo quando o assunto chegar ao plenário do Parlamento Europeu. Como membro influente, ele poderá defender a causa durante os debates.
O que realmente muda com esse endosso? Outros parlamentares que talvez ignorassem o movimento agora serão obrigados a prestar atenção. Isso não só aumenta as chances de sucesso, mas pode acelerar todo o processo legislativo.
Nicolae Ștefănuță, a Vice President of the European Parliament, has voiced his full support for Stop Killing Games
He signed the petition himself and urged other Europeans to do the same pic.twitter.com/nik1YE8TU5
Onde está o movimento agora?
A Iniciativa Cidadã já ultrapassou a marca de 1 milhão de assinaturas necessárias, mas ainda precisa atingir quotas mínimas em alguns países membros da UE. Depois disso, todas as assinaturas passarão por verificação antes de uma reunião com a Comissão Europeia.
Curiosamente, o apoio de Ștefănuță surge uma semana após a Video Games Europe - grupo que representa grandes empresas do setor - se posicionar contra o movimento. A indústria argumenta que manter jogos online ativos indefinidamente seria economicamente inviável.

Por que isso importa para os jogadores?
O Parlamento Europeu tem poder legislativo sobre todos os países membros da UE. Uma eventual legislação aprovada ali afetaria um mercado com PIB superior a US$ 20 trilhões - maior que o da China, embora com população menor.
Considerando o poder aquisitivo médio dos europeus ser superior ao dos chineses, as empresas dificilmente ignorariam qualquer mudança na legislação. Isso poderia forçar mudanças significativas em como os jogos são comercializados e mantidos.
O debate sobre propriedade digital
A questão central levantada pelo movimento vai além dos jogos - trata-se de uma discussão sobre propriedade digital. Quando você compra um jogo físico, possui a mídia, mas e quando a compra é digital? As empresas argumentam que vendem licenças de uso, não o produto em si. Mas será que essa distinção ainda faz sentido em 2025?
Juristas especializados em direito digital apontam que a legislação europeia já oferece algumas proteções. A Diretiva de Venda de Bens Digitais, por exemplo, estabelece que produtos digitais devem funcionar conforme anunciado por um "período razoável". O problema? Ninguém define claramente o que é "razoável" para jogos com servidores online.
Casos emblemáticos que alimentaram o movimento
Alguns desligamentos de jogos recentes se tornaram verdadeiros símbolos da causa:
Ubisoft's The Crew: Após 9 anos, o jogo de corrida foi desativado em 2024, tornando-se inacessível mesmo para quem o comprou
EA's Battlefield Heroes: Descontinuado em 2023, apesar de uma comunidade ativa de jogadores
Konami's P.T.: O teaser de Silent Hills foi removido da PlayStation Store em 2015 e nunca mais disponibilizado
O que esses casos têm em comum? Todos deixaram consumidores frustrados com produtos que simplesmente desapareceram de suas bibliotecas. E pior: sem qualquer possibilidade de reembolso ou compensação.
Alternativas em discussão
Enquanto o movimento pressiona por mudanças legislativas, algumas soluções intermediárias já estão sendo discutidas na indústria:
1. Modo offline obrigatório: Exigir que jogos com componente online incluam também um modo jogável offline quando os servidores forem desativados. Alguns títulos, como Destiny 2, já exploram essa possibilidade.
2. Arquivos locais: Disponibilizar versões finais dos jogos para download antes do desligamento dos servidores, permitindo que comunidades mantenham servidores privados.
3. Modelos de compensação: Oferecer créditos ou produtos alternativos quando um jogo for descontinuado, prática já adotada por algumas empresas menores.
Mas será que essas medidas seriam suficientes? Para muitos jogadores, a resposta é não. Eles querem garantias mais concretas sobre o acesso permanente aos jogos que adquiriram.
O papel das plataformas de distribuição
Steam, Epic Games Store e outras plataformas digitais estão no centro dessa discussão. Afinal, elas funcionam como intermediárias entre desenvolvedores e consumidores. Curiosamente, a Valve já enfrentou processos semelhantes nos EUA por remover jogos das bibliotecas dos usuários.
Alguns especialistas sugerem que essas plataformas poderiam assumir um papel mais ativo na preservação de jogos, talvez mantendo servidores básicos para títulos descontinuados. Outra possibilidade seria criar um sistema de "arquivo digital" para jogos históricos.
Mas há um obstáculo considerável: quem pagaria por essa infraestrutura? Servidores não são gratuitos, e manter jogos antigos online pode se tornar um fardo financeiro significativo.
Com informações do: Adrenaline


