A Riot Games escolheu o palco mais importante do ano para apresentar sua mais nova adição ao elenco de VALORANT. Durante as finais do VALORANT Champions Tour 2025, foi revelado Veto, o agente 29, que promete sacudir as estratégias do jogo com um kit focado em aniquilar a utilidade inimiga. Vindo do Senegal, ele não é apenas mais um Sentinel – é uma resposta direta ao meta atual, onde habilidades de controle de área e suporte são muitas vezes decisivas.
Um kit construído para negar
O que realmente define o Veto é sua filosofia anti-utilidade. Enquanto outros Sentinels como Killjoy ou Cypher criam armadilhas e vigilância, Veto parece ter sido projetado para desmontar setups e punir jogadas agressivas baseadas em habilidades. É uma abordagem reativa, quase punitiva, que força o confronto direto. Em uma partida, encontrar um Veto no lado defensivo pode significar que suas smokes, flashes e molotovs simplesmente não funcionarão como esperado.
Vamos destrinchar suas habilidades principais. A Chokehold é uma armadilha viscosa que, além de prender o inimigo, aplica os efeitos de Surdo (Deafened) e Deterioração (Decayed). Já pensou em ser pego em um cantinho, sem ouvir os passos da rotatão e ainda perdendo vida gradualmente? É uma combinação cruel que pode virar rondas. A Crosscut, seu teleporte, oferece uma mobilidade reposicionável única para um Sentinel, lembrando um pouco a mecânica do Omen, mas com a flexibilidade de recolher e reposicionar o vórtice durante a fase de compra.
Mas a peça central, na minha opinião, é a Interceptor. Essa habilidade é um pesadelo para agentes como Raze, com suas Granadas de Boing, ou até mesmo para jogadores que dependem de ricochetear habilidades como a da Sova. Ela destrói qualquer utilidade que ricocheteia em um jogador ou que seria naturalmente destruída por tiros. Em mapas apertados como Bind ou Split, onde jogadas de utilidade ricocheteada são comuns, o Veto pode se tornar um verdadeiro desmancha-prazeres.
A Evolução: o poder do desespero
A ultimate, Evolução (Evolution), é onde o conceito de mutação do personagem brilha. Ativá-la instantaneamente concede um estímulo de combate, regeneração de vida e – o mais importante – imunidade a todos os debuffs. Imunidade a cegueira de flash, lentidão, deterioração... tudo. Em um clutch 1vX, isso pode ser absolutamente devastador.
É uma habilidade que recompensa o timing perfeito. Usar muito cedo e você desperdiça o potencial. Usar muito tarde e pode não fazer diferença. Mas na hora certa, transforma o Veto em um tanque imparável, forçando os oponentes a confiarem puramente na mira, já que suas utilidades de controle são inúteis. É uma declaração de design clara da Riot: queremos valorizar o gunplay, mesmo em meio a um mar de habilidades.
E falando em design, a temática de mutação genética é bem amarrada. Desde o Gun Buddy "Mutagenesis" até o título "Evoluído", tudo grita um poder biológico incontrolável. Até o visual do agente, que infelizmente não vimos em detalhes na revelação, deve refletir essa estética orgânica e transformadora.
Lançamento e impacto no meta
Veto chegará oficialmente ao jogo no dia 7 de outubro, data que também marcará a estreia do novo modo de jogo, Skirmish. Esse lançamento duplo sugere que a Riot quer renovar a experiência dos jogadores de várias frentes de uma só vez.
Mas o que isso significa para o cenário competitivo? Bem, a presença do Veto pode forçar uma mudança significativa nas composições de time e nas execuções de estratégia. Agentes que dependem de utilidade ricocheteada ou de setups complexos podem ter sua eficácia reduzida. Times podem precisar de um "limpador de utilidade" dedicado, ou simplesmente adotar um estilo de jogo mais cru, baseado em entrada e duelos. É uma adição que parece destinada a quebrar a estagnação tática em níveis mais altos de jogo.
Para os jogadores casuais, no entanto, a curva de aprendizado pode ser íngreme. Dominar o timing da Interceptor e o posicionamento da Chokehold exigirá prática. Ele não é um agente "plug-and-play" como alguns duelistas. Mas para aqueles que gostam de uma jogagem cerebral e reativa, que se satisfazem em frustrar os planos meticulosos do inimigo, o Veto pode se tornar um novo favorito.
O pacote de recompensas do passe de batalha do agente, incluindo o skin "Enforcer" para a Sheriff, já está definido, oferecendo itens cosméticos temáticos para quem quiser se dedicar a desbloqueá-los. Resta agora esperar pelo dia 7 de outubro para, finalmente, colocar as mãos nesse novo Sentinel e testar na prática se ele consegue, de fato, vetar o meta atual.
Fonte da imagem em destaque: Riot Games. Para todas as novidades sobre VALORANT, fique de olho na cobertura contínua do THESPIKE.GG.
E essa questão da curva de aprendizado é algo que merece um olhar mais atento. Você já tentou aprender um agente como Astra ou Viper? A sensação inicial é de pura confusão, certo? Com o Veto, acredito que a barreira não está na complexidade mecânica das habilidades em si, mas na leitura de jogo necessária para usá-las de forma proativa. Não basta jogar a Chokehold em qualquer cantinho; você precisa prever por onde o inimigo vai tentar fazer uma jogada agressiva. É quase como um jogo de xadrez dentro do FPS.
O dilema tático: adaptação ou obsolescência?
O que me intriga é como os times profissionais vão se adaptar. O meta competitivo de VALORANT tem uma tendência a se estabilizar em composições bastante específicas – pense no "double controller" ou no "sentinel fixo". A introdução de um agente que nega utilidade de forma tão direta pode forçar uma ruptura. Será que veremos composições sem um Sentinel tradicional, usando o Veto mais como um flex? Ou talvez ele se torne um must-pick em mapas específicos, criando uma nova camada de bans e picks no draft estratégico?
Imagine um cenário no mapa Lotus. A defesa no ponto A costuma ser fortificada com utilidade da Killjoy e smokes do Omen. Agora, coloque um Veto nessa equação. De repente, aquela execução perfeita com smoke e granada ricocheteada da Raze pode ser completamente anulada por uma Interceptor bem posicionada. Isso não força apenas uma mudança de agente; força uma mudança na forma como os times pensam o ataque. Eles terão que criar fakes, investir mais em duelos diretos ou desenvolver rotas alternativas que não dependam tanto de habilidades ricocheteadas. É uma camada de complexidade mental que eu, particularmente, acho fascinante.
E não podemos esquecer dos outros agentes. Como ficam o Cypher e a Chamber, por exemplo? O Cypher, com suas armadilhas visíveis e que podem ser destruídas, já sofre contra times coordenados. O Veto pode ser o prego no caixão para ele em alguns mapas? Já a Chamber, com seu foco em gunplay puro, pode se beneficiar indiretamente de um meta que o Veto ajuda a criar – um meta onde as habilidades importam menos e a mira, mais. É um ecossistema que está prestes a ser sacudido.
Para além do competitivo: o impacto no jogo casual
Nas filas ranqueadas e no jogo casual, o efeito pode ser ainda mais caótico – no bom e no mau sentido. De um lado, jogadores que se especializarem no Veto vão conseguir single-handedly arruinar a noite de qualquer time que dependa de combos de utilidade pré-ensaiados, mas mal executados. Vai ser hilário ver um time inteiro perdido porque suas smokes e flashes simplesmente não funcionaram.
Por outro lado, isso pode criar uma certa... frustração. Nada pior do que treinar uma jogada específica com seu duo, só para ela ser completamente negada por uma habilidade que você nem viu ser ativada. Vai exigir que os jogadores casuais também desenvolvam um plano B, uma adaptabilidade que nem sempre está presente nas partidas mais descontraídas. Será que isso vai afastar alguns jogadores, ou vai ser visto como um sopro de ar fresco que quebra a monotonia das mesmas execuções?
E aí entra outro ponto: a sinergia. Com quem o Veto funciona bem? Minha aposta inicial seria em duelistas de entrada brutais, como o Phoenix ou o Reyna. Se o Veto está lá para limpar o caminho, negando a utilidade defensiva, um duelista com habilidades de autossustento pode abrir espaço com mais facilidade. Um combo Veto + Raze, por exemplo, poderia ser interessante: a Raze entra com o Satchel, o Veto usa a Interceptor para garantir que nenhuma utilidade a atrapalhe, e a Chokehold protege o flanco. Soa bem na teoria, mas na prática, vai depender muito da comunicação.
Falando em comunicação, ele parece ser um agente que exige callouts precisos. "Interceptor no cubículo à esquerda" é uma informação muito mais valiosa do que um simples "Cuidado com utilidade". Isso pode elevar o nível das partidas ou, para times sem comunicação, tornar a experiência um pesadelo. É aquele tipo de agente que amplifica a diferença entre um time coordenado e um grupo de indivíduos.
O lançamento paralelo com o modo Skirmish também é uma jogada inteligente. Oferece um playground de baixa pressão para testar o novo agente sem se preocupar com a economia de um jogo por rondas ou com a derrota na ranqueada. Dá para experimentar a Chokehold em diferentes situações, treinar o timing da Interceptor contra várias utilidades... É um espaço seguro para a comunidade descobrir os limites – e os *broken* spots – do Veto antes que ele domine as partidas sérias.
Enfim, o que temos pela frente é um período de experimentação intensa. Os primeiros dias após o lançamento vão ser um laboratório a céu aberto. Vai ter gente testando o Veto em todos os mapas, em todas as posições, contra todas as composições. Vão surgir guias, tier lists vão ser reformuladas, e a opinião da comunidade vai oscilar entre "ele é inútil" e "ele está quebrado" várias vezes. A única certeza é que o tabuleiro de VALORANT ganhou uma peça completamente nova, e ninguém sabe ainda qual será o próximo movimento.
Fonte: THESPIKE

