O cenário competitivo de VALORANT recebeu um novo elemento no final de 2025, e o Kickoff de 2026 foi o primeiro grande teste. Veto, o centinela lançado em outubro, finalmente pôde ser visto em ação no palco mundial do VCT. E os resultados? Bem, foram bastante reveladores. A forma como as diferentes regiões adotaram – ou ignoraram – o agente diz muito sobre seu potencial e sobre as táticas que podem dominar a temporada que se inicia. Vamos mergulhar nos dados e ver o que realmente aconteceu.

Um Retrato Regional: Quem Abraçou o Novo Agente?

Logo de cara, ficou claro que o entusiasmo por Veto não foi uniforme. Enquanto algumas regiões o testaram com certa frequência, outras praticamente o deixaram de lado. A disparidade é fascinante e aponta para diferenças culturais e estratégicas profundas no jogo competitivo.

O Pacífico foi, de longe, a região mais aventureira. Eles escolheram Veto 19 vezes durante o Kickoff, com o Global Esports sendo o campeão absoluto da experimentação. Seu jogador UdoTan não largou o agente, levando-o para todos os mapas, sem exceção. Foi um voto de confiança agressivo, quase um statement. Enquanto isso, nas Américas, a história foi um pouco diferente. A região ficou em segundo lugar, com 13 escolhas, mas metade delas veio de um único jogador: Cryocells, da 100 Thieves. Ele parece ter visto algo especial em Veto, usando-o sete vezes. No entanto, Chamber ainda reinou por lá como o centinela favorito.

Já na China, a recepção foi mais comedida. Cinco times usaram Veto um total de 12 vezes, mas sem dar a ele um papel central. Killjoy manteve seu trono inabalável, sendo escolhida em 21% das vezes – uma dominância impressionante. E então chegamos à EMEA, que foi, digamos, a mais conservadora. Apenas seis escolhas em todo o torneio. O Team Vitality foi responsável por metade delas, com Chronicle tendo um desempenho absolutamente estelar em uma partida, terminando com um placar de 20/5. Mas foi uma exceção que confirmou a regra: a região preferiu ficar com o que já conhecia.

Abyss: O Campo de Prova Perfeito para Veto

Se há um consenso que emergiu do Kickoff, é este: Veto parece ter encontrado sua casa em Abyss. Os números são bastante convincentes. Na China, por exemplo, 10 das 12 escolhas do agente foram nesse mapa. A tendência se repetiu na EMEA, onde quatro das seis seleções também aconteceram em Abyss.

Por que isso acontece? A arquitetura única de Abyss, com seus múltiplos níveis, corredores longos e pontos de controle complexos, parece se alinhar perfeitamente com o kit de Veto. Sua capacidade de controlar espaços e obter informações pode ser especialmente poderosa naquele ambiente caótico. Muitas equipes claramente o viram como uma peça tática específica para aquele quebra-cabeça em particular, em vez de uma solução universal.

Mas nem todos seguiram o script. O Global Esports, em sua maratona de testes, levou Veto para Split e Breeze também. E a 100 Thieves, curiosamente, evitou Abyss com ele, preferindo usá-lo com mais frequência em Corrode, muitas vezes em uma composição dupla de centinelas ao lado de Sage. Essa abordagem mais defensiva e de controle mostra que há mais de uma maneira de explorar suas ferramentas. Já as Américas, por outro lado, evitaram completamente Split, Breeze e Bind com o novo agente. É como se cada região estivesse escrevendo um capítulo diferente do manual de Veto.

Versatilidade e o Futuro do Meta

O que mais me chamou a atenção foi a flexibilidade com que Veto foi utilizado. Ele não se encaixou em um único molde. Algumas equipes, especialmente aquelas com composições agressivas de dois duelistas, o usaram como o único centinela, confiando em sua capacidade de segurar flancos sozinho. Outras, buscando mais estabilidade, o emparelharam com outro centinela como Sage, criando uma fortaleza defensiva quase impenetrável.

Essa adaptabilidade é seu maior trunfo. Em um jogo onde o meta pode mudar rapidamente com um único patch, ter um agente que pode servir a múltiplos propósitos é um luxo valioso. O Kickoff foi apenas o primeiro olhar. As equipes agora têm meses de dados para analisar, vídeos para estudar e estratégias para refinar. A grande questão que fica no ar é: Veto foi apenas uma novidade passageira do início da temporada, ou ele vai encontrar um lugar permanente no meta, forçando os adversários a se adaptarem? O desempenho de jogadores como UdoTan e Cryocells certamente sugere que há um potencial real a ser explorado. A temporada regular trará a resposta.

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Falando em potencial, é impossível ignorar o que os números de desempenho individual nos dizem. Aquele jogo do Chronicle no Vitality, por exemplo, não foi um acidente isolado. Em várias partidas, jogadores que dominaram o kit de Veto conseguiram impactos desproporcionais. A habilidade de desestabilizar setups defensivos com o Decrepify ou de negar uma entrada crucial com o Nullcmd pode virar uma rodada completamente. Mas, claro, há um porém: a curva de aprendizado parece íngreme. Em mãos inexperientes, Veto pode parecer um agente um tanto passivo, que não consegue criar espaço como um duelista. A diferença entre um Veto mediano e um excepcional é abismal – e isso talvez explique a relutância de algumas regiões.

O Efeito Cascata nas Composições de Time

A introdução de um novo agente nunca acontece no vácuo. É como jogar uma pedra em um lago tranquilo: as ondulações se espalham. A presença de Veto em uma composição força ajustes em todos os outros postos. Se uma equipe opta por usá-lo como único centinela, isso frequentemente libera um slot para um segundo iniciador ou até um terceiro duelista, permitindo composições de ataque mais explosivas. Você viu isso nas partidas do Global Esports, onde a agressividade tática era palpável.

Por outro lado, quando ele é emparelhado com Sage, o que acontece? O time perde em poder de fogo bruto, mas ganha uma defesa tão resiliente que pode sufocar rondas de ataque inteiras. Isso muda completamente o ritmo do jogo. Os oponentes são forçados a gastar mais utilidades, a serem mais pacientes, a repensar seus executes. É uma forma diferente de exercer controle. E isso me leva a um ponto interessante: será que o verdadeiro valor de Veto não está apenas no que ele faz, mas no que ele obriga o inimigo a fazer? Sua mera presença no lado defensivo pode ditar o tempo e o local do ataque adversário.

E não podemos esquecer dos duelos de utilidades. Como o Nullcmd de Veto interage com o fumo de um Omen ou com a seta de reconhecimento de um Sova? E a sinergia (ou a falta dela) com o reconhecimento global de um Fade? São essas micro-interações que as equipes estão começando a mapear agora. Um coordenador pode descobrir que o Decrepify é a ferramenta perfeita para limpar um cantinho onde um Killjoy escondeu seu Alarmbot, quebrando um setup inteiro com um único uso. São pequenas descobertas como essa que, acumuladas, podem elevar um agente de "situacional" para "essencial".

O Que os Próximos Patches Podem Mudar

Aqui está a grande incógnita que paira sobre todo esse debate. A Riot Games tem o histórico de ajustar agentes novos após seu lançamento competitivo. O meta do Kickoff foi moldado pela versão de Veto que existia em janeiro. Mas e se um patch nas próximas semanas ajustar o custo de suas habilidades, a duração do Decrepify ou o alcance de seu Recon Bolt? Uma mudança aparentemente pequena pode torná-lo opressivo ou relegá-lo ao esquecimento.

Muitas equipes podem estar jogando um jogo duplo. Por um lado, testam o agente para entender suas capacidades atuais. Por outro, estão tentando prever qual será seu estado daqui a dois ou três meses, quando os torneios mais importantes da temporada estiverem em jogo. Investir tempo de treino em um agente que pode ser nerfado é um risco estratégico considerável. Talvez a cautela da EMEA não seja apenas conservadorismo, mas uma aposta calculada de que o meta vai se estabilizar de outra forma, ou de que Veto não sobreviverá intacto aos ajustes de balanceamento.

É frustrante, de certa forma, porque torna qualquer análise definitiva quase impossível. O que estamos vendo é uma foto instantânea, não o filme completo. As equipes que se saíram bem com Veto no Kickoff podem ter encontrado uma vantagem temporária, ou podem ter descoberto a peça central de uma estratégia de longo prazo. Só o tempo – e os designers da Riot – dirão.

Além do Obvio: Lições para o Jogador Casual

E o que nós, jogadores que não estamos no palco do VCT, podemos tirar de tudo isso? Acho que há algumas lições práticas. Primeiro, a importância do contexto de mapa. Se os melhores times do mundo veem Veto como uma escolha quase obrigatória em Abyss, isso é um sinal claro para qualquer um que queira subir no ranked. Dominar um agente para um mapa específico pode ser mais valioso do que ser mediano com vários agentes em todos os mapas.

Segundo, a versatilidade é rei. Observar como os profissionais adaptam o papel de Veto – de ancorador solitário a peça de um combo defensivo – mostra que não há uma única maneira "certa" de jogar. Encontre o estilo que se encaixa na sua forma de jogar e na dinâmica do seu time. Talvez você não tenha a mira de um Cryocells, mas pode ser um mestre em usar o Nullcmd para proteger seu duelista que está entrando no site.

E por fim, a paciência. O meta leva tempo para se solidificar. Não jogue Veto apenas porque é novo, e não o abandone após algumas derrotas. Estude as partidas do Kickoff, preste atenção em como os profissionais posicionam suas câmeras de Recon Bolt, em que momentos eles usam o ultimate. A adoção competitiva é um laboratório gigante, e temos assento na primeira fila para assistir aos experimentos. A próxima grande inovação tática pode estar surgindo agora, em uma scrim entre duas equipes que ninguém está assistindo.

A temporada regular do VCT está prestes a começar em todas as regiões. Será o palco onde essas teorias serão comprovadas ou destruídas. Veremos se a ousadia do Pacífico se transforma em domínio, se a aposta seletiva das Américas dá frutos, ou se o conservadorismo da EMEA e da China se mostra a estratégia mais sábia. Cada partida vai adicionar uma nova peça a esse quebra-cabeça. E no centro de tudo, está a figura enigmática de Veto, um agente que ainda está escrevendo sua própria história.



Fonte: THESPIKE