O cenário competitivo de VALORANT recebeu um novo elemento estratégico às vésperas de 2026. Veto, o Sentinel lançado em outubro, fez sua estreia oficial nos palcos do VCT durante os torneios de Kickoff de todas as regiões. E, para um personagem tão novo, sua presença foi imediata e gerou dados interessantes sobre como as equipes estão tentando decifrar seu potencial. A adoção, no entanto, não foi uniforme – algumas regiões abraçaram a novidade com mais fervor, enquanto outras preferiram observar de longe antes de se comprometerem.

Uma Recepção Regional Dividida

Logo de cara, ficou claro que o Pacífico seria o maior entusiasta do novo Agente. A região liderou o número de picks, com Veto sendo selecionado 19 vezes no Kickoff. A Global Esports, em particular, parece ter feito uma aposta ousada: eles levaram Veto para o servidor em todos os mapas do torneio, com o jogador UdoTan abandonando completamente Cypher e Chamber em seu favor. Foi uma estratégia de imersão total, algo raro para um Agente em sua primeira competição de alto nível.

Já nas Américas, a história foi um pouco diferente. Com 13 picks, a região ficou em segundo lugar, mas metade dessas escolhas veio de uma única fonte: Cryocells, da 100 Thieves. Ele usou Veto sete vezes, testando-o em três mapas diferentes. Curiosamente, enquanto o Pacífico via Veto como uma opção viável, nas Américas o Chamber manteve sua coroa como Sentinel mais popular, com uma taxa de escolha de 20%. A China seguiu um caminho mais conservador, com 12 picks distribuídos de forma equilibrada entre cinco times, sem um favorito claro. A Killjoy, ali, continuou sendo a rainha indiscutível.

E a EMEA? Bem, eles foram os mais céticos. Apenas seis picks no total, com a Team Vitality respondendo por metade deles. Mas mesmo com a baixa adoção, houve um momento de brilho: na partida contra a GIANTX no mapa Abyss, a Vitality, com Chronicle no Veto, aplicou um sonoro 13–0, com o jogador terminando a partida com um impressionante 20/5 no placar. Foi um aviso do que o Agente pode fazer nas mãos certas.

Abyss: O Terreno de Prova Preferido

Se há um consenso que emergiu do Kickoff, é que Abyss parece ser o lar natural de Veto, pelo menos nesta fase inicial de experimentação. Na China, por exemplo, 10 dos 12 picks do Sentinel aconteceram nesse mapa. A tendência se repetiu na EMEA, onde quatro das seis escolhas foram em Abyss. Muitas equipes usaram Veto exclusivamente nesse cenário, voltando para seus Sentinels tradicionais nos outros mapas.

Mas nem todos seguiram o rebanho. A 100 Thieves, nas Américas, fez o caminho inverso e nem sequer testou Veto em Abyss. Em vez disso, Cryocells o utilizou principalmente em Corrode, frequentemente em uma composição de duplo Sentinel ao lado da Sage, buscando uma defesa extremamente sólida. Enquanto isso, a ousada Global Esports do Pacífico quebrou todos os padrões, levando Veto para Split e Breeze também, explorando sua versatilidade em diferentes tipos de estratégia.

O que me surpreendeu foi a variedade de composições em que ele se encaixou. Alguns times, como a Vitality na EMEA, o usaram como Sentinel único em composições agressivas com dois Duelistas, confiando em suas ferramentas para controlar áreas sozinho. Outros, como a 100T, o parearam com outro Sentinel para criar uma fortaleza quase impenetrável. Essa flexibilidade é, sem dúvida, seu maior trunfo. Ele não parece ser um personagem de "níche" restrito a um único estilo de jogo.

O Que Esperar daqui para Frente?

A estreia de Veto no VCT foi, por assim dizer, um sucesso qualificado. Ele provou que tem espaço no meta, mas ainda não é um must-pick. A disparidade regional é fascinante e levanta questões: o Pacífico está à frente da curva, ou será que está investindo em uma estratégia que outras regiões consideram subótima? A performance dominante da Vitality em Abyss com Veto foi um lampejo de potencial ou apenas um outlier?

O que está claro é que o livro de estratégias para Veto está sendo escrito agora, em tempo real. Sua presença no Kickoff forçou os analistas e os fãs a repensarem as composições e os mapas. A temporada regular do VCT 2026 trará mais dados, mais experimentos e, provavelmente, mais equipes se sentindo confortáveis para arriscar. A jornada de Veto para se tornar (ou não) um pilar do meta competitivo mal começou. Será que veremos ele desafiar a supremacia da Killjoy na China, ou o Chamber nas Américas? O tempo, e os scrims, dirão.

Falando em scrims, é aí que a verdadeira revolução pode estar acontecendo neste exato momento, longe das luzes dos palcos. Conversando com alguns analistas que acompanham de perto as equipes, ouvi relatos de que Veto está sendo testado em combinações que nem sequer vimos no Kickoff. Imagine, por exemplo, um Veto sendo usado não como um Sentinel de retenção de site, mas como um agressivo "flanqueador defensivo" em mapas como Lotus. Sua capacidade de reposicionar o Sensor de Vigilância com o E – Reconfigurar e a mobilidade do X – Ponto de Exclusão poderiam criar rotas de flanco inesperadas durante um retake. É um pensamento assustador para um atacante, não é?

As Ferramentas Sob o Microscópio

Vamos dissecar um pouco mais o porquê de Veto estar gerando tanta experimentação. Seu kit é, francamente, uma bagunça deliciosa para um estrategista. Pegue o C – Barreira Tática. Em um nível superficial, é uma molotov que causa Vulnerável. Útil, mas nada de outro mundo. Mas aí você percebe que ela também cria uma zona de bloqueio de habilidades inimigas. De repente, você não está só causando dano, está negando a execução de um time. Jogar isso no meio de um smoke durante um push pode desmontar uma defesa organizada que depende de utilidades combinadas. É um contraponto direto ao meta de utilidades em massa que vimos nos últimos anos.

E o Q – Sensor de Vigilância? Bom, todo Sentinel tem um gadget de informação. Mas a possibilidade de recolocá-lo com a habilidade E adiciona uma camada de imprevisibilidade que Cypher e Killjoy simplesmente não têm. Um Cypher coloca sua câmera, e você sabe onde ela está. Um Veto pode colocar seu sensor, fazer você gastar utilidade para limpá-lo, e então, minutos depois, reposicioná-lo em um ângulo completamente novo sem custo adicional. A pressão mental sobre os atacantes é cumulativa.

Mas não é tudo flores. A grande pergunta que paira sobre Veto, e que talvez explique a hesitação da EMEA, é o custo de oportunidade. Seu ultimate, o Ponto de Exclusão, é poderosíssimo para criar uma zona de negação, mas ele é caro – 8 pontos. Em comparação, o Lockdown da Killjoy (7 pontos) ou o Tour de Force do Chamber (7 pontos) são mais acessíveis e oferecem um retorno de valor mais imediato e claro (uma quase vitória automática em um round ou um Operator de elite). Veto exige que sua equipe jogue em volta do ultimate, coordenando pushes para dentro da zona. É um nível de coordenação mais alto. Em um meta onde rounds econômicos são decididos por fios de cabelo, essa complexidade extra pode ser um impedimento.

O Efeito Cascata no Meta

A introdução de um novo Agente nunca acontece no vácuo. A mera presença de Veto no draft já está forçando ajustes nos times que não o escolhem. Como você joga contra ele? Suas estratégias de limpeza de site precisam ser repensadas para lidar com a Barreira Tática. As rotas de flanco precisam ser checadas com mais frequência por causa da mobilidade do sensor. É um trabalho extra.

E isso me leva a um ponto interessante: Veto pode, ironicamente, estar tornando outros Sentinels mais fortes. Se uma equipe gasta tempo e recursos desenvolvendo um contrameta específico para Veto, ela pode ficar despreparada quando enfrentar um Cypher ou Killjoy clássico e bem executado. Estamos vendo o surgimento de um jogo de pedra-papel-tesoura dentro da própria classe Sentinel? É possível. Uma equipe como a LOUD, que tem uma Killjoy magistral no aspas, pode se beneficiar simplesmente por forçar os oponentes a se prepararem para o "novo" enquanto eles dominam o "antigo".

Aliás, falando em aspas, seu desempenho individual com Veto no Kickoff foi um capítulo à parte. Os números foram sólidos, mas o que chamou a atenção foi a KAST (Porcentagem de Rodadas com Eliminação, Assistência, Sobrevivência ou Troca). Em várias partidas, Veto teve uma KAST consistentemente alta, frequentemente acima de 75%. Isso sugere que, mesmo quando não está fazendo multikills espetaculares, ele está sempre presente, fornecendo utilidade, informação e sobrevivendo para os retakes. Em um jogo sobre recursos e economia, essa consistência é um ativo subestimado. Um Sentinel que morre menos é um Sentinel que força o time inimigo a investir mais utilidade round após round.

O Caminho para a Masters e o Champions

O Kickoff foi apenas o aperitivo. A verdadeira prova de fogo para Veto será a temporada regular e, principalmente, os torneios internacionais como a Masters. Será quando as regiões com filosofias diferentes – o experimentalismo do Pacífico, o foco no individual das Américas, o ceticismo pragmático da EMEA – finalmente colidirem. O que acontece quando a Global Esports leva seu Veto para todos os mapas contra uma 100 Thieves que o usa apenas em Corrode? E se a Team Vitality decidir dobrar a aposta e fazer de Veto um pilar de sua composição?

Há também o fator "pocket pick" ou "contra-escudo". Podemos ver Veto sendo reservado para séries específicas, como uma arma surpresa contra uma equipe conhecida por suas execuções lentas e metódicas. Sua habilidade de negar utilidades poderia ser o kryptonite perfeito para certos estilos de jogo. Ou, quem sabe, ele se torne uma escolha padrão em mapas específicos, além do Abyss. Breeze, com suas áreas abertas, parece um candidato óbvio para mais testes, assim como Sunset, onde o controle de áreas intermediárias é crucial.

O desenvolvimento do meta é um organismo vivo. Lembro-me quando o Astra foi lançado e considerada inútil, apenas para dominar o jogo profissional meses depois com um estilo de jogo que ninguém previu. Veto tem esse mesmo cheiro de potencial subexplorado. Suas ferramentas são muito únicas para serem ignoradas. A questão não é se as equipes vão descobrir a maneira "certa" de jogá-lo, mas quando – e qual região terá a coragem de escrever esse capítulo primeiro. A corrida silenciosa nos laboratórios de treino já começou, e suas descobertas vão moldar o VALORANT que veremos no palco principal em 2026.



Fonte: THESPIKE