As finais do VALORANT Champions Tour 2026 - Americas Stage 2 aconteceram em São Paulo, cidade que também recebeu os principais eventos presenciais de VALORANT realizados no Brasil. Mas a capital paulista não foi a única opção analisada pela Riot Games. Diretor de Serviços de Conteúdo para as Américas, Fernando Svevo, revelou à imprensa durante o evento que a empresa chegou a olhar outras cidades brasileiras antes de definir onde o campeonato seria realizado.

O que a Riot busca ao escolher uma sede para o VCT Americas 2026

De acordo com o executivo, entre os pontos que pesaram nessa escolha foi a estrutura necessária para colocar um evento desse tamanho de pé. Svevo também explicou que, embora outras cidades brasileiras já tenham recebido eventos da Riot, como o CBLOL, o VCT precisa de uma estrutura ainda maior. Além de uma arena adequada, é preciso levar toneladas de equipamentos, organizar os caminhões, os fornecedores e toda a equipe que faz o campeonato acontecer.

“Nós olhamos outras cidades. Nós também olhamos outras cidades. Como eu disse, às vezes a gente quer ir pra outro lugar, mas às vezes não tem local disponível, ou às vezes o que tem, tecnicamente a gente não... Como eu disse, a parte tecnológica do evento é muito grande. Então, a parte de infraestrutura tem que ser levada em consideração. Nós adoraríamos poder fazer eventos em vários centros que a gente ainda não foi. Mas, infelizmente, a gente tem algumas restrições técnicas que devem ser respeitadas. E São Paulo tem essa infraestrutura disponível”, revelou Fernando Svevo.

Por que outras cidades brasileiras não receberam o VCT Americas Stage 2 2026

O executivo ainda comentou sobre cidades que já receberam o CBLOL e outros eventos da Riot, mas que não foram escolhidas para o VCT. A questão, segundo ele, envolve um encaixe complexo entre disponibilidade de local, infraestrutura técnica e o calendário do campeonato.

“Mas outras cidades, como a que você citou, por exemplo, a gente já levou o CBLOL pra elas e, enfim, já fez outros eventos também. Mas às vezes tem que ser um grande encaixe de: quando a gente quer fazer, um local que está disponível, e se tem a infraestrutura. E aí a gente vai trabalhando com isso”, completou.

Vale lembrar que a Riot já revelou outros detalhes importantes sobre o cenário competitivo de VALORANT para os próximos anos. Entre eles, a premiação e o início das qualificatórias abertas do VCT 2027, além da possibilidade de times do VCT manterem seus atuais elencos para 2027.

Para quem acompanha o cenário brasileiro de perto, a fala de Svevo deixa uma porta aberta: a Riot não descarta levar o VCT Americas para outras cidades do país no futuro. O obstáculo, porém, não é falta de vontade — é a conta técnica que precisa fechar. E convenhamos, não deve ser nada simples montar uma operação desse porte longe de um centro já consolidado como São Paulo.

Resta saber se, com a evolução da infraestrutura de esports no Brasil, outras capitais conseguirão atender aos requisitos da Riot para receber o VCT Americas 2026 ou as temporadas seguintes. Por enquanto, São Paulo segue como a casa do VALORANT de alto nível no país.

O peso da infraestrutura técnica em eventos de VALORANT

Quem nunca parou para pensar no tamanho da operação por trás de um campeonato de VALORANT provavelmente imagina que basta alugar uma arena bonita e pronto. A realidade é bem diferente. O que Svevo descreveu nas entrelinhas é algo que a própria comunidade de esports costuma subestimar: a logística de um evento internacional é quase tão complexa quanto a de uma turnê de banda grande.

Pense comigo. São dezenas de PCs de alto desempenho, cada um configurado especificamente para rodar o jogo no padrão competitivo exigido pela Riot. Monitores com taxas de atualização altíssimas, periféricos padronizados, servidores locais para garantir latência mínima, sistemas de arbitragem, cabos, switches, backups de tudo. E isso sem falar na parte de transmissão, que envolve câmeras, switchers, equipes de produção, narradores, comentaristas e toda a estrutura de palco.

Não é à toa que Svevo mencionou "toneladas de equipamentos". A expressão pode soar exagerada, mas quem já trabalhou em produção de eventos sabe que não é. A diferença é que, no caso do VCT, qualquer falha técnica pode comprometer uma partida oficial — e isso não é algo que a Riot pode se dar ao luxo de arriscar.

O que outras cidades brasileiras precisariam para receber o VCT Americas

Se a Riot realmente quisesse levar o VCT Americas para outras capitais brasileiras, o que seria necessário? A resposta não é simples, mas dá para traçar um panorama com base no que o próprio executivo indicou.

  • Arena com capacidade adequada: não basta um ginásio grande. É preciso um espaço que comporte palco, área de jogadores, cabines de transmissão, zona de imprensa e acomode o público com boa visibilidade.
  • Infraestrutura de rede robusta: conexão dedicada, redundância de internet e servidores locais são obrigatórios para garantir partidas sem lag.
  • Logística de transporte e hospedagem: times, staff, produção e imprensa precisam de estrutura próxima ao local do evento.
  • Calendário compatível: a arena precisa estar disponível exatamente na janela do campeonato, o que nem sempre acontece.
  • Fornecedores locais qualificados: nem toda cidade tem empresas acostumadas a lidar com eventos de esports desse porte.

Olhando essa lista, dá para entender por que São Paulo acaba sendo a escolha padrão. A cidade já tem um ecossistema maduro de eventos, aeroportos com voos internacionais frequentes, hotéis em quantidade e arenas que já provaram funcionar para esports. É uma vantagem difícil de competir.

Mas isso não significa que outras cidades estejam fora do radar. Pelo contrário. A fala de Svevo soa quase como um convite velado: se a infraestrutura melhorar, a porta continua aberta.

O efeito que um VCT fora de São Paulo teria no cenário brasileiro

Sinceramente? Seria enorme. E aqui eu falo menos como analista e mais como alguém que acompanha o cenário há tempo suficiente para perceber o padrão.

Quando a Riot leva um evento grande para uma cidade que não está acostumada, acontece uma espécie de efeito multiplicador. A comunidade local se mobiliza, novos fãs aparecem, e o ecossistema de esports daquela região ganha um empurrão que dificilmente viria de outra forma. Já vimos isso acontecer com etapas do CBLOL em outras cidades e com eventos itinerantes de outras modalidades.

No caso do VALORANT, o impacto seria ainda maior, porque o VCT Americas é um campeonato internacional. Receber times dos Estados Unidos, do Chile, da Argentina, do Canadá... isso coloca a cidade anfitriã em uma vitrine global. É turismo, é visibilidade, é legado.

Por outro lado, também entendo a cautela da Riot. Errar a mão em um evento desse tamanho pode gerar problemas técnicos que respingam na imagem do campeonato. E convenhamos, ninguém quer ver uma partida decisiva travando por causa de instabilidade de rede.

O que muda com a evolução da infraestrutura de esports no Brasil

Nos últimos anos, o Brasil tem investido cada vez mais em arenas dedicadas a esports. Algumas já operam em nível profissional, com estrutura pensada especificamente para competições. Outras estão em construção ou em fase de projeto. Esse movimento é positivo e, a médio prazo, pode mudar o jogo.

Se essa tendência continuar, é plausível imaginar que, em algumas temporadas, a Riot tenha mais de uma opção viável no país. E aí a conversa muda de figura: em vez de "onde dá para fazer", passa a ser "onde faz mais sentido fazer".

Claro que isso depende de vários fatores que fogem do controle da Riot — investimento público, iniciativa privada, demanda do público, calendário de outros eventos. Mas o simples fato de Svevo admitir que outras cidades foram analisadas já indica que a empresa não está acomodada com a situação atual.

Fica a pergunta: qual cidade brasileira você acha que teria estrutura para receber o VCT Americas? E mais importante, será que a Riot está disposta a apostar em um novo centro antes que ele esteja 100% pronto, ou vai esperar a infraestrutura amadurecer completamente? São perguntas que só o tempo — e as próximas temporadas do VCT — vão responder.



Fonte: THESPIKE