O Valorant acaba de receber a atualização 13.06, e posso dizer que essa é uma das patches mais robustas dos últimos tempos. A Riot Games finalmente implementou uma série de novidades que vinham sendo anunciadas nos últimos dias — e não são apenas ajustes pequenos. Estamos falando de um novo rifle chamado Wardên, um modo de jogo inédito chamado Gauntlet: Glitch, mudanças profundas no sistema de progressão competitiva e uma reformulação completa da interface do cliente.

Se você é do tipo que gosta de acompanhar cada detalhe das notas da patch, essa atualização merece sua atenção. Vamos destrinchar tudo o que muda no Valorant com o patch 13.06.

Cliente renovado: tudo em um só lugar

A primeira coisa que você vai notar ao abrir o jogo é a nova cara do cliente. A tela inicial e o lobby foram fundidos em um único hub central, o que facilita bastante a navegação. Sinceramente? Já era hora. Antes, eu vivia me perdendo entre menus para encontrar informações básicas sobre eventos ou o mapa pool atual.

Agora, dá para selecionar modos de jogo, convidar amigos para o competitivo e entrar na fila sem precisar ficar pulando de tela em tela. E o melhor: você pode conferir eventos, missões, o mapa pool da temporada e outras informações importantes sem sair da página principal. A navegação entre os hubs principais também ficou mais intuitiva, com novos ícones que melhoram a visibilidade das funções.

Competitivo ganha novas ferramentas de acompanhamento

O modo competitivo do Valorant recebeu várias adições interessantes no patch 13.06. A proposta aqui é dar aos jogadores uma visão muito mais detalhada do próprio desempenho ao longo do tempo.

Treine enquanto espera pela partida

Uma das mudanças mais práticas: agora você pode entrar no campo de tiro durante o tempo de espera do matchmaking. Isso significa que dá para aquecer a mira antes da partida começar, sem ficar olhando para uma tela parada. A fila pode ser iniciada tanto pelo lobby quanto pelo campo de tiro.

Mas atenção: se o tempo de espera estimado for muito curto, esse recurso pode ficar temporariamente indisponível. Além disso, modos como Premier e Deathmatch — que não têm tela de seleção de agente — não permitem entrar na fila pelo campo de tiro.

Performance Score substitui o ACS

O Average Combat Score (ACS) está de saída. Em seu lugar, entra o Performance Score, uma métrica que vai de 0 a 500 e tenta medir a contribuição do jogador de forma mais abrangente. A ideia é ir além de kills e dano, capturando impacto real na partida.

Após cada partida, você pode ver o detalhamento do seu score — o que influenciou positiva ou negativamente, onde dá para melhorar e o quão perto você chegou da avaliação "Masterful". O Performance Score estará disponível no competitivo, unrated, swift play e Premier. Nesses modos, ele também define o MVP e a ordenação no placar.

Accolades: registre seus melhores momentos

Os Accolades permitem registrar feitos excepcionais por Act e ao longo de toda a sua carreira no Valorant. Eles destacam seus recordes pessoais com base em diversas estatísticas, incluindo a contribuição medida pelo Performance Score. A contagem começa a partir do patch 13.06.

Você pode conferir os Accolades na tela de fim de partida e no hub competitivo, mas apenas para partidas de competitivo e Premier. Dados de partidas anteriores não serão contabilizados — todo mundo começa do zero com o patch 13.06.

Rank Legacy: seu troféu de ranks alcançados

O Rank Legacy funciona como uma espécie de vitrine de conquistas. Ele mostra quantas vezes você alcançou cada rank ao longo da sua trajetória. No hub competitivo, além do rank atual, você vê todos os ranks que já atingiu, com contadores que aumentam a cada nova chegada ou recorde pessoal.

Cada contador de rank sobe apenas uma vez a cada três Acts. E se você cair de rank e voltar para o mesmo nível, isso não conta como uma nova conquista.

Página de carreira reformulada

A página de carreira também ganhou um redesign completo, agora integrada às novas funcionalidades competitivas. Dá para conferir seus agentes mais usados, histórico de partidas, ranks e muito mais — tudo em um só lugar. As opções de personalização também foram ampliadas.

Pelo hub competitivo, acessível pela página de carreira, você encontra um resumo do Act competitivo atual, além de páginas dedicadas para Accolades e Rank Legacy. Há até previews de funcionalidades que chegarão em patches futuros.

  • Página de Accolades: lista todos os Accolades conquistados, com os requisitos de cada um.
  • Página de Rank Legacy: mostra sua trajetória no competitivo e os ranks que você já alcançou.

Amigos ainda podem ver sua página de carreira e o resumo do hub competitivo, mas as páginas detalhadas dentro do hub ficam visíveis apenas para você.

A Riot já adiantou que mais funcionalidades competitivas estão a caminho: map rating no patch 13.08, competitive flex no patch 14.00, e mais novidades devem ser reveladas em breve.

Fique de olho nas próximas atualizações — o Valorant está claramente passando por uma fase de transformação profunda, e o patch 13.06 é só o começo.

Wardên: o novo rifle que promete mudar o meta

Agora, a parte que muita gente estava esperando: o Wardên. Esse novo rifle chega para ocupar um espaço que, sinceramente, estava meio carente de novidades. Não é um Vandal, não é um Phantom — é uma arma com identidade própria, pensada para um estilo de jogo mais calculado.

Pelo que dá para perceber nas descrições oficiais, o Wardên aposta em dano consistente à distância e um padrão de recuo que recompensa rajadas curtas em vez de spray descontrolado. Em outras palavras: se você é do time que gosta de segurar ângulos longos e punir rotações apressadas, essa arma foi feita para você.

O preço e a economia em torno do Wardên ainda vão gerar bastante debate na comunidade. Afinal, qualquer rifle novo mexe diretamente com o meta de compras — e isso afeta desde o pistol round até as decisões de eco. Vai ser interessante ver como os pro players vão incorporar (ou ignorar) a arma nos primeiros torneios após o patch.

Uma coisa é certa: a Riot não colocou um rifle novo no jogo à toa. Isso sinaliza que eles querem diversificar as escolhas de armas primárias, que há tempos giravam quase exclusivamente em torno de Vandal e Phantom.

Gauntlet: Glitch — o novo modo que ninguém pediu, mas todo mundo vai jogar

O patch 13.06 também traz um modo de jogo inédito: Gauntlet: Glitch. E olha, a proposta é no mínimo curiosa. Pelo nome, já dá para imaginar que não se trata de um modo competitivo tradicional — e sim de algo mais experimental, com regras que fogem do padrão de Spike Rush ou Deathmatch.

Modos como esse costumam servir a dois propósitos: dar um respiro para quem está cansado do ciclo competitivo e, ao mesmo tempo, funcionar como laboratório para mecânicas que podem (ou não) chegar ao jogo principal no futuro. Lembra do Replication? Pois é. Às vezes a Riot testa ideias malucas em modos temporários antes de decidir se valem a pena em escala maior.

Não dá para cravar ainda como o Gauntlet: Glitch vai se comportar em termos de balanceamento ou duração de partida, mas a simples existência dele já mostra que a Riot está disposta a experimentar. E convenhamos: depois de tantos patches focados em ajustes finos, um modo novo é sempre bem-vindo.

O que tudo isso significa para o futuro do Valorant

Se você parar para pensar, o patch 13.06 não é só uma atualização — é um reposicionamento. A Riot está claramente tentando resolver dois problemas históricos do jogo: a falta de clareza sobre o desempenho individual no competitivo e a sensação de que o cliente estava ficando datado.

O Performance Score, em particular, é uma aposta ousada. O ACS sempre foi criticado por premiar excessivamente quem farmava kills em situações de pouco impacto. A nova métrica tenta corrigir isso, mas vai enfrentar resistência — afinal, mudar uma estatística que os jogadores acompanham há anos nunca é indolor. Vai ter gente reclamando que o score "não reflete a realidade", e vai ter gente defendendo que finalmente dá para medir contribuição de verdade.

Eu, particularmente, acho que a discussão é saudável. Qualquer métrica única vai ter limitações, mas pelo menos a Riot está tentando ir além do óbvio.

E tem mais: a integração entre carreira, hub competitivo e Accolades sugere que a Riot quer transformar o Valorant em algo mais parecido com um ecossistema de progressão de longo prazo. Não é só sobre ganhar partidas — é sobre construir uma trajetória visível, com recordes, conquistas e histórico.

Detalhes que passaram batido (mas importam)

Nem tudo no patch 13.06 é grandioso, e às vezes são os pequenos ajustes que fazem a diferença no dia a dia. Vale prestar atenção em alguns pontos:

  • Ícones reformulados: a nova iconografia do cliente melhora a legibilidade, especialmente para quem joga em monitores menores ou com configurações de acessibilidade ativadas.
  • Fila pelo campo de tiro: parece pequeno, mas para quem tem pouco tempo para jogar, aquecer a mira enquanto espera é um ganho real de produtividade.
  • Contadores de Rank Legacy: a regra de subir apenas uma vez a cada três Acts evita inflação artificial das conquistas — decisão inteligente, na minha opinião.
  • Accolades começam do zero: pode frustrar veteranos, mas é a única forma justa de implementar o sistema sem dados retroativos confiáveis.

Ah, e vale lembrar: as páginas detalhadas do hub competitivo são privadas. Só você vê seus Accolades completos e seu Rank Legacy detalhado. Amigos conseguem ver apenas o resumo. Isso é interessante do ponto de vista de privacidade, mas também levanta uma questão — será que isso vai diminuir o aspecto social da coisa? Só o tempo dirá.

O que esperar dos próximos patches

A própria Riot já deixou claro que o patch 13.06 é só o começo de uma sequência de mudanças. O map rating chega no 13.08, e o competitive flex está previsto para o 14.00. Isso mostra que a empresa está pensando em um roadmap de médio prazo, não em atualizações isoladas.

O competitive flex, em particular, é algo que muita gente vem pedindo há tempos. A ideia de poder jogar competitivo com um grupo maior (ou com regras mais flexíveis de composição) pode mudar completamente a experiência de quem joga com amigos. Mas também traz desafios de balanceamento — afinal, filas flexíveis tendem a criar disparidades de skill dentro da mesma partida.

Já o map rating é uma funcionalidade que outros shooters táticos já têm há anos. Poder avaliar mapas e ver quais a comunidade prefere (ou detesta) é uma ferramenta valiosa para a Riot tomar decisões de rotação de mapa pool. Só espero que eles realmente usem os dados, e não apenas coletem por coletar.

Enquanto isso, o Wardên e o Gauntlet: Glitch vão servir como termômetro. Se a comunidade abraçar o rifle novo e o modo experimental, é bem provável que a Riot acelere o ritmo de inovações desse tipo. Se não... bom, aí teremos mais um caso de "ideia boa, execução questionável" para a lista.

De qualquer forma, uma coisa é inegável: o Valorant está em movimento. E para quem acompanha o jogo desde os primeiros atos, ver essa fase de transformação é, no mínimo, empolgante.



Fonte: THESPIKE