Com pouco mais de um mês até o fechamento do ranking para o StarLadder Budapest Major, as equipes sul-americanas de Counter-Strike enfrentam uma maratona decisiva de torneios. Esta reta final determinará quais times conquistarão as cobiçadas vagas para o segundo Major de 2025, em uma corrida contra o tempo que promete definir o futuro competitivo da região.

A corrida final pelos pontos do Major

O período de classificação para o Major está entrando em sua fase mais crítica. Até 6 de outubro, quando ocorrerá o corte definitivo, cada partida, cada mapa e cada round ganho pode fazer a diferença entre garantir ou perder a chance de disputar o mundial. A pressão é enorme, especialmente para as equipes que estão na zona de classificação ou lutando por uma vaga.

O que muitos torcedores não percebem é como o sistema de pontos funciona de maneira complexa. Torneios menores, que parecem insignificantes, podem carregar o peso de definir quem vai ou não para o Major. E pior: alguns desses campeonatos nem sequer estão validados na HLTV ainda, o que gera uma ansiedade adicional entre as organizações.

Calendário completo das equipes brasileiras

As equipes nacionais terão agendas intensas durante estas próximas semanas. A FURIA, atual líder do ranking sul-americano, disputará três competições: BLAST Open London, FISSURE Playground 2 e a fase online da ESL Pro League S22. Uma carga considerável, mas necessária para manter a dianteira.

Já a paiN Gaming tem uma agenda mais enxuta, com participação apenas no FISSURE Playground 2. Isso pode ser tanto uma vantagem estratégica quanto um risco – menos torneios significam menos oportunidades de pontuar, mas também permitem maior preparação específica.

Legacy e Imperial também terão compromissos múltiplos. A Legacy está confirmada no Thunderpick Closed Qualifier, FISSURE Playground 2 e ESL Pro League S22. A Imperial, por sua vez, encara Thunderpick Closed Qualifier, FERJEE Rush e Circuit X*, este último ainda não validado na HLTV.

Outras equipes na disputa

MIBR, Fluxo, 9z, ODDIK, BESTIA, Sharks, RED Canids e Bounty Hunters completam o grupo de equipes que ainda mantêm chances matemáticas de classificação. Cada uma delas terá entre quatro e seis competições neste período decisivo, em uma verdadeira maratona de Counter-Strike.

A Fluxo talvez tenha a agenda mais brutal: cinco torneios diferentes até o corte. CCT SA Season 3 Series 4, ESL Challenger League Cup #2, fase online da ESL Pro League S22, Fragville e Circuit X*. É um teste de resistência física e mental para os jogadores.

Já a 9z parece ter a estratégia mais agressiva, com seis competições programadas: CCT SA Season 3 Series 4, Thunderpick Closed Qualifier, CCT Series 4, Aorus League*, FERJEE Rush e Frag Blocktober. Uma aposta alta em volume de jogos para acumular pontos rapidamente.

O complicador dos torneios não validados

Um aspecto que poucos comentam, mas que preocupa bastante as organizações, é a questão dos campeonatos marcados com asterisco. Circuit X*, Aorus League* e outros ainda não aparecem na HLTV, o que é requisito obrigatório para que concedam pontos no Valve Regional Standings (VRS).

Imagina a frustração de uma equipe que se desgasta em um torneio desses, talvez até chegue às fases finais, e descobre depois que todo aquele esforço não valeu nada para o ranking do Major? É um risco que muitas estão correndo, mas que parece inevitável dada a escassez de opções válidas.

No final das contas, o que estamos vendo é uma demonstração clara de como o cenário competitivo sul-americano ainda depende muito de torneios menores e regionais para se desenvolver. Enquanto as equipes europeias disputam ESL Pro League e BLAST Premier com regularidade, nossas equipes precisam se virar em dezenas de competições diferentes para acumular pontos.

E você, acha que o sistema atual de classificação é justo com as equipes de regiões menos desenvolvidas? Será que não deveria haver um caminho mais claro e estruturado para que times sul-americanos consigam acesso aos Majors?

E não são apenas os torneios não validados que preocupam. A sobrecarga de jogos é outro fator crítico que poucos discutem abertamente. Imagine jogar seis competições diferentes em pouco mais de um mês, com viagens, diferentes formatos de torneio e adversários variados. O desgaste mental é imenso, e o risco de burnout entre os jogadores aumenta exponencialmente.

Eu já vi times promissores desmoronarem completamente durante essa fase de classificação simplesmente porque não aguentaram a pressão psicológica. E o pior: quando você está nessa maratona, não pode simplesmente "pular" um torneio menor – cada ponto conta, cada vitória pode ser a diferença entre ficar de fora ou garantir a vaga.

A estratégia por trás da escolha de torneios

O que muitos torcedores não percebem é que a seleção de quais torneios jogar não é aleatória. As organizações fazem cálculos complexos de custo-benefício: vale mais a pena viajar para um torneio presencial que dá mais pontos mas exige deslocamento, ou focar em competições online que acumulam menos pontos mas permitem maior volume?

Algumas equipes optam por uma estratégia de quantidade – jogar o máximo possível de torneios, mesmo que menores, para acumular pontos gradualmente. Outras preferem focar em competições específicas onde têm maior chance de chegar longe e ganhar mais pontos de uma vez. Não existe resposta certa, apenas apostas calculadas.

A FURIA, por exemplo, parece estar adotando uma abordagem mais seletiva. Com apenas três competições programadas, eles estão apostando na qualidade rather than quantidade. Já a 9z está indo na direção oposta – seis torneios em um mês é uma jogada arriscada, mas que pode dar certo se conseguirem manter o ritmo.

O fator preparação versus desgaste

Algo que raramente é discutido é como essa corrida por pontos afeta a preparação técnica das equipes. Quando você está jogando torneios praticamente todos os dias, quando sobra tempo para treinar novas estratégias, estudar adversários ou até mesmo descansar?

Muitas vezes, as equipes acabam entrando em modo "sobrevivência" – jogando no piloto automático, repetindo o que já sabem fazer, porque não há tempo para inovar ou aprimorar. E isso pode ser um problema sério quando finalmente chegam ao Major, desgastadas e sem novidades táticas para apresentar.

É um dilema cruel: se focam em treinar para chegar melhor preparadas ao Major, arriscam-se a não se classificar. Se focam em classificar jogando tudo que aparece, chegam desgastadas e sem evolução. Como encontrar o equilíbrio certo?

O impacto nas equipes menores

Enquanto as organizações maiores como FURIA e MIBR têm estrutura para lidar com essa maratona, as equipes menores sofrem muito mais. Muitas não têm coach dedicado, analista, psicólogo esportivo ou mesmo manager para organizar toda a logística.

Imagina ser jogador de uma equipe como BESTIA ou Bounty Hunters: você precisa se preocupar com treinos, jogos, estudo de adversários, e ainda administrar viagens, hospedagens, inscrições em torneios. É humanamente impossível manter o alto rendimento nessas condições.

E isso cria uma desigualdade ainda maior no cenário. As equipes consolidadas têm toda uma estrutura por trás, enquanto as emergentes precisam se virar com recursos limitados. Como esperar que surjam novos talentos e organizações se o sistema praticamente impede que elas compitam em igualdade de condições?

Além disso, o custo financeiro de participar de múltiplos torneios é substancial. Mesmo em competições online, há custos com equipamentos, internet de qualidade, inscrições. Para torneios presenciais, somam-se passagens, hospedagem, alimentação. Muitas equipes menores sequer têm patrocínio suficiente para bancar toda essa logística.

A questão da validade dos pontos

Outro aspecto que gera ansiedade é o tempo que a HLTV leva para validar torneios e atribuir pontos. Já aconteceu de equipes terminarem campeonatos e levarem semanas para verem os pontos refletidos no ranking. Nessa reta final, cada dia conta, e essa demora pode ser crucial.

Mais frustrante ainda é quando a HLTV decide não validar um torneio depois que ele já aconteceu. As equipes jogaram, se esforçaram, gastaram recursos, e no final descobrem que tudo foi em vão. É como construir um castelo de areia e ver a maré levar tudo embora.

E não adianta reclamar – as regras são claras, e a HLTV tem critérios específicos para validação. Mas será que esses critérios levam em consideração a realidade das regiões menos desenvolvidas? Ou são baseados principalmente no cenário europeu e norte-americano?

O que me preocupa é que todo esse sistema parece feito para regiões já consolidadas. Enquanto isso, a América do Sul precisa se adaptar a regras que não foram pensadas para nossa realidade. Precisamos de mais torneios regionais com pontuação válida, mais oportunidades para nossas equises mostrarem seu valor sem precisar jogar três competições por semana.

E o pior: mesmo depois de toda essa maratona, apenas duas equipes sul-americanas garantirão vaga direta para o Major. As outras terão que passar pelas classificatórias regionais, onde a concorrência será feroz. Todo esse esforço pode resultar em apenas duas vagas – será que vale a pena?

Com informações do: Dust2