Kicks falou com a THESPIKE após a derrota da Team Liquid no VALORANT Champions Tour 2026 - EMEA Stage 2 contra a FUT Esports para discutir o que deu errado na série, as dificuldades contra times agressivos, seu papel na equipe e muito mais. A derrota para a FUT foi um choque para muitos, mas para Kicks, foi um reflexo de um problema maior: a ascensão dos times Challengers no VCT 2026.
O que aconteceu na série contra a FUT Esports
THESPIKE: Quais são seus primeiros pensamentos sobre a série? Kicks: "Sabíamos que Haven provavelmente seria a escolha deles, já que é o melhor mapa deles, e esperávamos que eles escolhessem. Acho que começamos o jogo bem, mas mesmo vencendo rounds, não parecia que estávamos jogando com confiança. Nunca tivemos a sensação de que estávamos 8-0 e dominando completamente. Não tínhamos a mentalidade de que o mapa era nosso. Assim que as coisas começaram a dar errado, sentimos que éramos nós que estávamos sob pressão, mesmo estando vários rounds à frente e com boas ideias sobre o que eles fariam. Quando algo inesperado aconteceu, caímos em uma mentalidade ruim. Não estávamos prontos para eles revidarem, e deixamos que eles assumissem o controle sem realmente mostrar o que queríamos fazer."
Kicks continuou: "Terminamos o primeiro tempo de Sunset em 6-6, mas carregamos o mesmo sentimento ruim do mapa anterior. Perder uma vantagem de 8-0 não é uma sensação boa, e não conseguimos superar isso imediatamente. Quando eles começaram a defesa, algumas coisas que fizeram nos pegaram de surpresa. Naquele ponto, estávamos tentando voltar para o jogo, e ficou mais próximo no final. Tivemos bons momentos de trabalho em equipe, mas já estávamos tão atrás em rounds que mais um erro poderia encerrar o jogo."
Dificuldades contra times agressivos
THESPIKE: Você mencionou sentir pressão apesar de ter uma grande vantagem. De fora, porém, não parecia que vocês estavam com problemas de confiança no início. Em algum momento, no entanto, vocês começaram a perder confiança. Você disse anteriormente que a primeira vez que realmente sentiu pressão em uma partida foi contra a Karmine Corp, outro time muito agressivo. A FUT também se tornou mais agressiva quando começou a vencer rounds...
Essa não é a primeira vez que a Liquid enfrenta esse tipo de problema. Times Challengers estão chegando com tudo no VCT 2026, e a entrevista de Kicks revela que a Team Liquid não estava preparada para o nível de agressividade que times como FUT e Karmine Corp estão trazendo. "Eu não esperava que times Tier 2 chegassem tão longe", admitiu Kicks, destacando que a cena Challengers evoluiu muito mais rápido do que muitos times de franquia imaginavam.
O papel de Kicks na Team Liquid
Na entrevista, Kicks também falou sobre seu papel na equipe e como ele tenta manter a calma em momentos de pressão. "Meu papel é ser a voz da estabilidade", explicou. "Mas quando o time inteiro começa a duvidar, é difícil manter essa energia sozinho." Ele reconheceu que a equipe precisa trabalhar na resiliência mental, especialmente contra oponentes que não seguem o roteiro esperado.
Para os fãs da Team Liquid, essa derrota levanta questões sobre o futuro da equipe no VCT 2026. Com a crescente competitividade dos times Challengers, a Liquid precisa se adaptar rapidamente se quiser avançar no EMEA Stage 2. A entrevista completa de Kicks com a THESPIKE pode ser lida aqui.
O que você acha? A Team Liquid vai conseguir se recuperar dessa derrota? Os times Challengers estão realmente prontos para competir no mais alto nível? Compartilhe sua opinião nos comentários.
O que a derrota para a FUT revela sobre o VCT 2026
Quando Kicks diz que não esperava que times Tier 2 chegassem tão longe, ele não está apenas falando de uma partida isolada. Estamos vendo uma mudança estrutural no cenário competitivo de VALORANT. A FUT Esports, que subiu do circuito Challengers, não é um caso isolado — é parte de uma onda de organizações que investiram pesado em scouting, análise de dados e, principalmente, em um estilo de jogo que desafia as convenções estabelecidas pelas equipes de franquia.
Pense comigo: por anos, o VCT foi dominado por times que tinham os melhores salários, as melhores estruturas e os jogadores mais experientes. Mas o que vimos em 2026 é que a diferença entre Tier 1 e Tier 2 está diminuindo em um ritmo acelerado. Os times Challengers estão chegando com uma fome que muitas vezes falta nas organizações estabelecidas. Eles não têm o peso das expectativas, não têm a pressão de justificar investimentos milionários — eles simplesmente jogam.
E isso cria um paradoxo interessante para times como a Team Liquid. Por um lado, a experiência e a infraestrutura deveriam ser vantagens. Por outro, quando você está acostumado a vencer, a derrota para um time "menor" pode abalar muito mais sua confiança do que uma derrota para um rival tradicional. Kicks deixou isso claro quando falou sobre a mentalidade do time após o 8-0: "Não estávamos prontos para eles revidarem". Essa frase resume perfeitamente o problema — a Liquid não estava mentalmente preparada para a possibilidade de perder a vantagem, e quando isso aconteceu, o castelo de cartas desabou.
A evolução do estilo de jogo dos Challengers
Outro ponto que merece atenção é o estilo de jogo agressivo que times como FUT e Karmine Corp estão trazendo. Não é apenas uma questão de entrar em duelos e torcer para acertar a cabeça do adversário. Há uma lógica por trás dessa agressividade, uma leitura de jogo que muitos times de franquia ainda não decifraram.
Na série contra a FUT, por exemplo, Kicks mencionou que o time não estava pronto para as surpresas que a FUT apresentou na defesa. Isso não é coincidência. Times Challengers estão estudando os padrões dos times Tier 1 de forma obsessiva. Eles sabem onde a Liquid costuma fazer rotações, sabem quais ângulos eles tendem a segurar, e sabem exatamente quando quebrar o roteiro. É um nível de preparação que, até pouco tempo atrás, era exclusividade dos times de elite.
E aqui vai uma observação pessoal: eu acho que muitos times de franquia subestimaram a velocidade com que a cena Challengers evoluiria. Quando o sistema de parceria foi implementado, a ideia era criar uma pirâmide onde os times Tier 1 teriam uma vantagem estrutural. Mas o que estamos vendo é que a base dessa pirâmide está crescendo mais rápido do que o topo. Os Challengers estão usando a mesma ferramenta de análise, os mesmos VODs, os mesmos treinadores — e estão chegando com uma mentalidade de underdog que os torna perigosos.
Kicks, que já passou por várias fases da carreira, parece ter uma visão clara disso. Quando ele diz que "não esperava que times Tier 2 chegassem tão longe", não é desrespeito — é uma constatação de que o cenário mudou. E essa mudança exige uma adaptação que a Liquid ainda não conseguiu fazer.
O que a Team Liquid precisa mudar?
Se a Liquid quer se manter relevante no VCT 2026, ela precisa urgentemente repensar sua abordagem mental e tática. Não basta ter os melhores jogadores individuais — é preciso ter um sistema que funcione sob pressão. E, pelo que Kicks descreveu, o time ainda está longe disso.
Um dos problemas mais evidentes é a incapacidade de lidar com o inesperado. Quando a FUT começou a revidar, a Liquid não tinha um plano B. Eles continuaram tentando executar o mesmo jogo, mas sem a confiança necessária para fazer funcionar. Isso é um problema de treinamento, mas também de liderança dentro do servidor. Kicks tenta ser a voz da estabilidade, mas ele mesmo admitiu que é difícil manter essa energia quando o time inteiro começa a duvidar.
Outro ponto é a adaptação ao estilo agressivo. Times como a FUT não estão apenas sendo agressivos por agressividade — eles estão sendo agressivos nos momentos certos, explorando as fraquezas de comunicação e posicionamento da Liquid. Contra times assim, você não pode simplesmente tentar jogar no seu ritmo. Você precisa quebrar o ritmo deles, e isso exige uma flexibilidade que a Liquid ainda não demonstrou.
E não é só a Liquid que está sofrendo com isso. Outros times de franquia, como a Karmine Corp, também estão enfrentando dificuldades contra oponentes Challengers. Isso sugere que o problema é sistêmico — a cena Tier 1 como um todo precisa se reinventar. A pergunta que fica é: quem vai se adaptar primeiro?
Para Kicks, a resposta pode estar em uma abordagem mais humilde. "Precisamos respeitar todos os times", ele disse em um momento da entrevista. "Não podemos entrar em uma partida achando que vamos vencer só porque somos a Team Liquid." Essa é uma lição que muitos times de franquia precisam aprender — e rápido.
O VCT 2026 está apenas começando, e a derrota para a FUT pode ser o alerta que a Liquid precisava. Mas será que eles vão conseguir transformar essa derrota em aprendizado? Ou vamos ver mais um time de franquia sucumbindo à pressão dos Challengers? A resposta pode definir não apenas o futuro da Liquid, mas o equilíbrio de poder em todo o cenário competitivo de VALORANT.
Fonte: THESPIKE











