O universo de Runeterra, lar de League of Legends, pode estar prestes a se expandir de uma forma inesperada. Novas vagas de emprego publicadas pela Riot Games em seu estúdio de Xangai estão alimentando especulações fervorosas entre a comunidade: a empresa estaria desenvolvendo um jogo do gênero Action RPG (ARPG) ambientado no mundo de LoL. Se confirmado, este seria mais um passo ambicioso da Riot em sua estratégia de transformar uma franquia de sucesso em um verdadeiro universo transmidiático, indo muito além do MOBA que a consagrou.
As pistas nas vagas de emprego
O que começou como um rumor ganhou força quando fãs e sites especializados começaram a analisar as descrições de cargos abertos no estúdio da Riot em Xangai. As posições, que você pode conferir no site oficial de carreiras da Riot, pedem profissionais com experiência muito específica. Não estamos falando de vagas genéricas para engenheiros de software, mas sim de funções como "Game Designer (Combat/Action RPG)" e "Technical Artist (Character/Combat)", com requisitos que mencionam diretamente a criação de "sistemas de combate profundos" e "progressão de personagens" típicos de um ARPG.
É interessante notar como a linguagem usada é bastante reveladora. Eles buscam alguém apaixonado por "criar momentos de combate satisfatórios e recompensadores" e com conhecimento em "balanceamento de habilidades e progressão de loot". Soa familiar? Para qualquer fã de Diablo, Path of Exile ou Lost Ark, esses são os pilares fundamentais do gênero. A localização em Xangai também é um dado relevante. O estúdio chinês da Riot já demonstrou sua capacidade com títulos como Teamfight Tactics e Legends of Runeterra, mostrando que tem autonomia para desenvolver projetos próprios dentro do ecossistema da empresa.
Por que um ARPG faz sentido para o universo de LoL?
Pense no potencial narrativo. Runeterra é um mundo vasto, com continentes, reinos, deuses, guerras e centenas de personagens com histórias profundas e interconectadas. O MOBA, por sua natureza competitiva e focada em partidas, limita severamente a exploração desse rico lore. Um ARPG, por outro lado, é o gênero perfeito para uma imersão mais profunda. Imagine controlar um Campeão – ou talvez criar seu próprio personagem – explorando as florestas sombrias de Shadow Isles, as ruínas de Shurima ou os becos de Zaun, completando missões, derrotando hordas de inimigos e coletando equipamentos lendários.
Do ponto de vista de negócios, a jogada é brilhante. O gênero ARPG tem um público cativo e ávido por novas experiências, especialmente no mercado asiático, que é um dos maiores consumidores do gênero. Após o sucesso de Valorant (um FPS) e a expansão para animações (Arcane) e o RPG de mesa (The Tabletop), a Riot claramente quer cobrir todos os gêneros de jogos populares com a marca League of Legends. Um ARPG bem-sucedido poderia atrair uma audiência completamente nova, que talvez não se interesse por MOBAs, mas adora a sensação de progressão e o "farming" de loot.
Os desafios e expectativas
No entanto, entrar neste mercado não será fácil. A sombra de gigantes como Diablo IV e Path of Exile 2 é longa, e os jogadores do gênero são conhecidos por serem exigentes e fiéis às franquias estabelecidas. A Riot precisará oferecer algo único, não apenas um "Diablo com skin de LoL". A chave do sucesso pode estar justamente na força do seu universo. Eles têm a oportunidade de criar uma narrativa coesa e personagens carismáticos que os concorrentes, com mundos mais genéricos de fantasia, muitas vezes negligenciam.
Além disso, a monetização será um ponto de observação atenta. A Riot construiu sua fortuna no modelo free-to-play com microtransações cosméticas, um modelo que se adapta bem a um ARPG. Mas será que a comunidade aceitaria um sistema de batal pass ou loja de cosméticos em um jogo do gênero? Ou será um título premium? A forma como eles lidarem com isso pode definir a recepção do jogo.
Enquanto a Riot mantém o silêncio oficial – o que é típico para projetos em fase inicial –, a comunidade continua conectando os pontos. O estúdio de Xangai já provou seu valor, o gênero é uma oportunidade de ouro e o universo de Runeterra está mais popular do que nunca. Resta saber quando e como essa suposta aventura em terceira pessoa e com muita ação será oficialmente revelada. A expectativa, porém, já está criada.
Mas vamos além das especulações. Se realmente estamos diante de um ARPG da Riot, quais seriam os elementos fundamentais que poderiam diferenciá-lo no mercado saturado? A resposta pode estar menos nos sistemas de combate – que, convenhamos, já são bastante refinados em títulos concorrentes – e mais na forma como a Riot pode integrar sua expertise em narrativa e construção de mundo. Afinal, o que é Arcane senão uma prova magistral de que eles sabem contar histórias dentro daquele universo?
Imagine, por um momento, uma campanha onde você não apenas luta contra hordas de minions, mas precisa fazer escolhas que influenciam sua reputação com diferentes facções de Runeterra. Aliar-se aos Noxianos pode abrir missões e recompensas exclusivas, mas fechar portas em Demacia. Um sistema de moralidade ou alinhamento, tão comum em RPGs, poderia ganhar uma camada extra de significado no mundo politicamente carregado de LoL. Seria uma forma brilhante de transformar o lore de fundo de cada campeão em algo tangível e jogável.
O legado dos "Riot Forge" e o que ele pode nos dizer
É impossível falar da expansão do universo de LoL sem mencionar a iniciativa Riot Forge, que publicou títulos como Ruined King e Song of Nunu. Embora sejam jogos de nicho (um RPG por turnos e um adventure), eles funcionaram como um laboratório fascinante. O que a Riot aprendeu com essas experiências? Primeiro, que o público está faminto por mais histórias dos campeões fora da Fenda. Segundo, que a qualidade do produto final precisa ser impecável para justificar o selo da marca.
Um ARPG desenvolvido internamente, no entanto, é uma aposta de escala completamente diferente. Enquanto a Riot Forge testou águas com estúdios parceiros, um projeto liderado pelo estúdio de Xangai sugere um investimento de longo prazo e um compromisso central com o gênero. A pergunta que fica é: eles vão buscar uma abordagem mais "arcade" e acessível, focada na ação pura, ou vão mergulhar de cabeça na complexidade de builds e endgame que os fãs hardcore do gênero exigem? A descrição das vagas, com ênfase em "sistemas profundos", parece inclinar a balança para a segunda opção.
E não podemos ignorar o componente online. Um ARPG moderno dificilmente é uma experiência solo. A cooperação é parte da alma do gênero. Como a Riot, uma empresa com o DNA online entranhado em seu código, vai implementar isso? Será um jogo totalmente online, com hubs sociais e masmorras em grupo, seguindo o modelo de Destiny ou Warframe? Ou terá uma campanha solo robusta com opções de cooperação drop-in/drop-out? A infraestrutura de servidores e anti-cheat da Riot, já testada em LoL e Valorant, seria uma vantagem colossal aqui.
O elefante na sala: a monetização e o "serviço ao vivo"
Todo mundo que acompanha a indústria sabe que o lançamento é só o começo. A verdadeira batalha de um ARPG acontece nos meses e anos seguintes, com atualizações de conteúdo, temporadas e expansões. A Riot é mestre nisso com League of Legends, um jogo que se reinventa constantemente há mais de uma década. Essa mentalidade de "jogo como serviço" poderia ser o seu trunfo definitivo.
Mas isso traz um desafio enorme de balanceamento. Em um MOBA, você nerfa ou buffa um campeão. Em um ARPG, você mexe em classes inteiras, itens lendários e sinergias de builds que os jogadores passaram centenas de horas criando. A comunidade é, digamos, passional quando se sente prejudicada. A Riot terá que aprender a navegar nessa sensibilidade específica do jogador de ARPG, que é diferente do jogador de MOBA.
E quanto ao modelo de negócios? O free-to-play com cosméticos é o caminho mais óbvio, mas será suficiente para financiar o desenvolvimento contínuo de um jogo AAA desse porte? Talvez vejamos um modelo híbrido: base gratuita, com expansões de história pagas (como em Guild Wars 2) e um passe de batalha sazonal recheado de cosméticos. A receita de Valorant e LoL prova que os jogadores estão dispostos a gastar em aparência quando se sentem engajados. A chave será não criar uma sensação de "pay-to-win" ou de que o progresso essencial está atrás de uma barreira monetária – um erro fatal para o gênero.
Enquanto aguardamos um anúncio oficial – que, convenhamos, pode demorar ainda anos –, o simples fato de essas especulações existirem mostra o quanto o universo de Runeterra é fértil. A Riot já nos mostrou que pode dominar o MOBA, o FPS tático, o card game e a animação. O Action RPG parece ser o próximo território lógico a ser conquistado. Resta saber se eles vão simplesmente ocupar esse espaço ou se vão redefini-lo, usando as lições de uma década de LoL para criar algo que seja, ao mesmo tempo, um ARPG digno do nome e uma experiência única de Runeterra. O potencial, sem dúvida, está lá, pulsando como o coração do Mundo Primordial.
Fonte: Dexerto









