O fim do LEC Versus, com a eliminação dos Los Ratones, gerou uma onda de desânimo entre os fãs europeus de League of Legends. Muitos declararam que abandonariam a liga, citando a franquia como um dos motivos para o declínio. Mas será que essa desistência é prematura? Após o desempenho do G2 no First Stand e com a Spring Split prestes a começar, há sinais de que o cenário europeu pode estar prestes a respirar novos ares. Vamos explorar o que ainda torna o LEC uma competição relevante e emocionante para acompanhar.

Por que o LEC ainda merece sua atenção após o fim do Versus

Mudanças no formato: Adeus aos Best of 1

Vamos começar pelo óbvio: a mudança no formato é, sem dúvida, a notícia mais positiva. A era dos Best of 1, com suas regras "fraudmaxxing" que geravam zebras intermináveis e performances inconsistentes, finalmente chegou ao fim. Aquele formato não apenas prejudicava a prática dos jogadores antes de torneios internacionais, como também ignorava completamente as novas regras do Fearless Draft e, francamente, produzia classificações para os playoffs que muitas vezes não refletiam a verdadeira força das equipes.

Agora, com a adoção de séries Best of 3, a liga se aproxima do modelo consagrado do LCK – algo que a comunidade europeia pedia há tempos. Isso permite desenvolver narrativas muito mais ricas. Será que times como o GX e o NAVI, que se destacaram nos Bo1, conseguirão manter o nível? O Vitality vai conseguir encontrar a tão sonhada consistência, em vez de oscilar brutalmente entre uma partida e outra?

E, talvez o mais importante, os jogadores terão muito mais experiência prática com o Fearless Draft ao longo da temporada regular, não apenas nos playoffs. É uma mudança fundamental para elevar o nível competitivo da região como um todo.

Claro, nem tudo são flores. O calendário ainda é um pouco bagunçado. O G2, por exemplo, só entra em campo na segunda semana. E, por conta dos roadshows e da tentativa de lotar estádios, eles acabam jogando três Bo3s na semana final – teoricamente, justamente contra seus principais rivais regionais. Não é perfeito, mas é um avanço significativo em relação ao que tínhamos.

26, 2026

O legado do First Stand e um G2 renascido

Se há um torneio internacional onde a Europa tem se mostrado consistentemente presente, é o First Stand. No ano passado, foi a Karmine Corp chegando à final. Nesta edição, coube ao G2 carregar a bandeira e enfrentar gigantes como a BLG. O que isso nos diz? Que a tal "depressão de inverno" europeia, tão amplamente comentada, pode não ser tão severa quanto pintamos.

O desempenho do G2 foi um balde de água fria – no bom sentido. Eles mostraram uma identidade de jogo clara, drafts coesos (quando decidiram não "dar int") e jogadores decisivos aparecendo nas séries mais importantes. Sim, levaram uma surra da BLG – uma rivalidade que parece transcender continentes agora –, mas o nível de experiência e evolução que trouxeram de volta para casa é inegável.

A grande questão que fica é: isso vai reacender a chama nas outras equipes do LEC? Ver o que é possível quando uma equipe europeia está focada e bem preparada deve servir de incentivo. Será que os outros times vão levar as lições do First Stand para o coração e se adaptar, ou vão continuar repetindo os mesmos erros? O sucesso, como um vírus, é contagioso. E torcemos para que ele infecte todo o ecossistema.

A (rara) estabilidade dos elencos e a promessa do futuro

Este é um ponto delicado. A Europa sempre se gabou de seu "viveiro de talentos", com uma escada solo queue robusta e um sistema de ERLs (Ligas Regionais Europeias) profundíssimo. Rookies promissores como Skewmond, Caliste, Yopa, Naak e Nakko surgem com certa frequência. O problema, na minha opinião, nunca foi a falta de talento, e sim a paciência para desenvolvê-lo.

Quantas vezes vimos uma organização descartar um rookie após um ou dois splits ruins? O ciclo era vicioso e autodestrutivo. Por isso, a Spring Split de 2026 traz um sinal animador: a estabilidade. Com apenas uma mudança de roster significativa (Stend saindo da posição de suporte do Heretics), a maioria das equipes manteve seus núcleos.