O cenário competitivo do VALORANT viveu mais um capítulo emocionante e, para a organização Paper Rex, um final amargo. Em uma partida crucial da chave inferior do VALORANT Champions Tour 2025, a equipe do Pacífico enfrentou seus rivais regionais da DRX. A vaga na final da repescagem estava em jogo, mas após uma série intensa, a DRX saiu vitoriosa por 2-0, encerrando a campanha da Paper Rex em Paris na quarta colocação. A derrota marca o fim de uma jornada repleta de altos e baixos para a equipe, que agora volta para casa com a promessa de um retorno fortalecido no próximo ano.
Uma virada decisiva e o fim da campanha
Tudo começou com um veto de mapas estratégico. A DRX removeu o Sunset, favorito da PRX, enquanto a Paper Rex baniu o Abyss, um dos pontos fortes coreanos. A escolha recaiu sobre Ascent (selecionado pela DRX) e Lotus (escolha da PRX), deixando Corrode como um possível desempate que nunca chegou a ser jogado.
No Ascent, a Paper Rex começou arrasadora. Com uma defesa disciplinada, construiu uma vantagem confortável de 9-3 no primeiro tempo. A vitória parecia encaminhada, mas os coreanos da DRX não desistiram. Liderados por um desempenho espetacular de HYUNMIN, eles iniciaram uma reação impressionante, round após round, até forçar a prorrogação. A virada foi consumida: 15-13 para a DRX. Aquele momento mudou toda a energia da série.
No Lotus, mapa da própria escolha da PRX, a DRX manteve o ritmo. Conseguiram uma vantagem de 7-5 no intervalo e, com MaKo e HYUNMIN continuando a brilhar em momentos decisivos, fecharam o mapa em 13-8. A varrida foi concluída, e com ela, o sonho do campeonato para a Paper Rex em 2025.
Reflexões pós-jogo: orgulho, família e a promessa de retornar
Na coletiva de imprensa após a partida, o clima era de decepção, mas também de muito orgulho. O técnico alecks foi direto ao ponto: "Se você ganha um troféu em qualquer ano, é um bom ano. Nós fomos bem no Champions, na minha opinião, perdendo apenas para os três melhores times. Estou muito orgulhoso do desempenho deles, especialmente da resiliência no começo do ano".
Ele também fez uma análise técnica franca, admitindo que as leituras de jogo da equipe no Lotus estavam "muito erradas". Às vezes, seus mapas fortes ficam um pouco mais fracos, e hoje foi um desses dias. É um lembrete cruel de como o mais alto nível do esporte exige perfeição constante.
Já f0rsakeN, o líder dentro do jogo, trouxe uma perspectiva mais pessoal e emocionante. Mesmo com a derrota, ele destacou o apoio da equipe e a presença de sua família em Paris. "Mesmo tendo perdido, eu sei que minha família está orgulhosa de mim. Nós podemos nos levantar novamente no próximo ano". Essa frase, simples, carrega o peso de toda uma temporada e a esperança para a próxima.
O legado de 2025 e os alicerces para 2026
Olhando para trás, apesar da desilusão em Paris, 2025 não foi um ano ruim para a Paper Rex. Eles conquistaram um troféu internacional e reconquistaram o trono do Pacífico. Eles construíram uma identidade de jogo agressiva e cativante que conquistou fãs ao redor do mundo.
O técnico mini talvez tenha resumido melhor o caminho a seguir: "Eles sabem qual é o estilo deles, qual é a identidade deles. É só uma questão de dar aquele 10 ou 15% a mais. Eles vão ser muito fortes no próximo ano". A receita parece clara: manter a essência que os tornou grandes e buscar aquele incremento marginal que separa os bons dos campeões.
A equipe se despediu de Paris com gratidão aos fãs e a determinação de voltar mais forte. A torcida, é claro, já aguarda ansiosamente por mais um capítulo dessa história em 2026. Enquanto isso, para acompanhar todas as novidades do VALORANT, fique de olho nas atualizações do THESPIKE.GG.
Mas o que exatamente significa "dar aquele 10 ou 15% a mais" em um cenário tão competitivo? Não se trata apenas de treinar mais horas. É sobre refinamento. É sobre transformar aquela agressividade característica, que às vezes beira a temeridade, em uma ferramenta cirúrgica. A Paper Rex tem um estilo de jogo que é uma faca de dois gumes: pode desmontar qualquer defesa em segundos, mas também pode entregar rounds de graça se a execução não for impecável.
Olhando para a série contra a DRX, alguns detalhes técnicos saltam aos olhos. No Ascent, após construir aquela vantagem monumental, a comunicação nos rounds econômicos pareceu vacilar. A DRX, uma equipe conhecida por sua disciplina férrea, explorou cada pequena brecha. Eles não venceram no talento bruto, mas na paciência e na leitura de jogo. HYUNMIN, em particular, teve uma atuação de outro mundo, mas foi o sistema da DRX que permitiu que ele brilhasse. É um contraste interessante com o estilo da PRX, que frequentemente depende de momentos de genialidade individual para criar oportunidades.
O desafio da evolução sem perder a identidade
Aqui reside talvez o maior desafio para a organização no próximo ano. Como evoluir taticamente sem apagar a centelha criativa que os define? Como incorporar mais estrutura e planos de contingência sem se tornar previsível ou lenta? Outras equipes que tentaram amadurecer seu estilo agressivo às vezes caíram no extremo oposto, tornando-se hesitantes. A Paper Rex precisa navegar por esse caminho estreito.
Alguns apontam para a necessidade de um repertório de mapas mais sólido. Ser dominante em Lotus e Sunset é ótimo, mas em um torneio de eliminação dupla, os adversários vão encontrar e explorar qualquer ponto fraco. O veto contra a DRX já mostrou isso. O desenvolvimento de estratégias mais robustas em mapas como Abyss ou Breeze pode ser uma área de foco crucial durante a off-season. Não se trata de abandonar seus melhores mapas, mas de não ter "mapas mortos" no bolso.
E o elenco? A química entre f0rsakeN, something, Jinggg (que retornou com força neste ano), e os demais é palpável. Eles jogam com uma confiança que só vem de anos de parceria. Manter esse núcleo intacto será vital. No entanto, a pressão competitiva é enorme, e o mercado de transferências não para. A organização terá que trabalhar não apenas no aspecto técnico, mas também no mental e no físico para manter esses jogadores no ápice. A jornada de um profissional de esports é desgastante, e o desgaste pode ser um inimigo silencioso.
O cenário competitivo em 2026: mais difícil do que nunca
Enquanto a Paper Rex planeja seu retorno, o resto do mundo não vai ficar parado. A região do Pacífico está mais forte do que nunca. A própria DRX, agora finalista da repescagem, mostrou um nível assustador. Times como a Gen.G, a T1, ou a nova potência chinesa, a EDG, continuam a evoluir. E não podemos esquecer das hegemonias estabelecidas das regiões EMEA e das Américas.
O meta do jogo também está em constante fluxo. Novos agentes, ajustes de balanceamento, mudanças nos mapas – tudo isso redefine o que é "jogar bem" a cada temporada. A equipe que for mais ágil em se adaptar a essas mudanças leva vantagem. A Paper Rex tem histórico de ser criativa com as composições de agentes, mas será que essa criatividade pode ser sistematizada? Em vez de apenas inventar, será que podem prever e moldar o meta?
Além disso, há uma pressão psicológica que só cresce. Chegar tão perto e não conseguir é uma experiência que marca qualquer competidor. Como essa memória da derrota em Paris será processada? Pode se tornar um fantasma que assombra os momentos decisivos, ou pode ser o combustível para uma fome ainda maior de vitória. A forma como a liderança da equipe, de alecks e mini aos veteranos, gerenciar essa narrativa interna será fundamental.
O apoio dos fãs, sem dúvida, será um pilar. A torcida da Paper Rex é uma das mais barulhentas e apaixonadas do mundo. Essa energia, canalizada da maneira certa, pode criar uma fortaleza mental. Mas também impõe expectativas. A pergunta que fica no ar, enquanto embalam as malas em Paris, é complexa: o que precisa mudar para que em 2026 a celebração não seja pelo quarto lugar, mas pelo topo do pódio? A resposta não é simples, e a busca por ela já começou.
Fonte: THESPIKE

