Pela primeira vez na história da organização, o GIANTX (GX) garantiu sua vaga nos playoffs do VALORANT Champions Tour 2025 - Valorant Champions. Após uma vitória convincente por 2-0 sobre a Throwing Academy, o sentimento no time é de conquista, mas também de consciência de que há muito mais a mostrar. Em entrevista exclusiva ao THESPIKE, o jogador westside abriu o jogo sobre os altos e baixos da temporada, a evolução do time e até mesmo sobre um possível acessório inusitado para os jogos decisivos.

Um começo lento e uma mentalidade resiliente

O caminho até aqui não foi linear. Westside admite que o time tem uma tendência a começar os jogos de forma instável, precisando de algumas rodadas para "aquecer" e encontrar seu ritmo. "Quando estamos perdendo, não vou mentir, estamos um pouco acostumados", confessou o jogador, referindo-se ao primeiro mapa contra a Throwing Academy, onde estiveram atrás no placar. Mas eis a chave: a mentalidade do grupo é tratar cada rodada como um BO1, um jogo único e independente. Isso os ajuda a não carregar o peso dos erros passados e a focar apenas no momento presente, uma estratégia que foi crucial para virar o jogo e fechar a série.

Curiosamente, westside acredita que o desempenho contra a Throwing Academy ficou aquém do potencial real da equipe. Ele estima que mostraram apenas 60% do seu verdadeiro nível, enquanto na vitória anterior contra a poderosa Paper Rex (PRX), esse número foi de 80%. É uma declaração que mistura humildade com uma confiança silenciosa. Eles sabem que vencer é importante, mas também sabem que precisam elevar seu jogo para enfrentar os melhores do mundo nos playoffs.

Ajustes táticos, estilo pessoal e a força do coletivo

A entrevista também mergulhou nos detalhes técnicos. Westside, que atua como controlador/sentinela, falou sobre a complexidade de jogar com Cypher contra composições agressivas, como a enfrentada no mapa Ascent. Ele explicou como precisa antecipar os movimentos inimigos, posicionando suas armadilhas e "cages" (barreiras) em locais que dificultem os avanços rápidos e explorem a vantagem de distância quando o time está com equipamento superior.

Mas nem tudo é tática pura. Westside também revelou seu lado mais descontraído, falando sobre seu icônico boné de "Wingman" que usa durante as partidas. O acessório, que começou como uma forma de se divertir e quebrar a rotina do boné padrão, virou uma espécie de amuleto. Ele até brincou sobre a possibilidade de usar um boné do Cypher nos playoffs, se for permitido. "Acho que seria muito divertido", disse. Para além do estilo, ele destacou o conforto prático, que ameniza a pressão dos fones de ouvido durante longas sessões de jogo.

Quando o assunto é a força do time, westside foi claro sobre o impacto das recentes adições: ara e Flickless. Enquanto ara tem chamado a atenção com atuações explosivas (como na partida decisiva), Flickless traz um elemento diferente e igualmente vital: a calma. "Ele é super tranquilo, quase não mostra emoções quando a rodada está em curso", descreveu westside. "Quando há caos, sempre nos diz para nos acalmarmos, que ele tem o controle." Essa serenidade é um antídoto crucial contra times que jogam em um ritmo frenético, como a XLG.

E o próprio westside, qual é sua maior contribuição? "Acho que trago muita alegria", responde. Seu papel é manter o ânimo do time alto, gritar, incentivar os colegas e destacar os momentos de brilhantismo de cada um. É o catalisador emocional, aquele que injeta confiança e garante que o time jogue unido, não apenas no servidor, mas também no lado psicológico.

O desejo por novos desafios e a mensagem para os fãs

Olhando para os playoffs, westside não esconde seu desejo por confrontos emocionantes. Ele descarta times da própria região (EMEA), achando que seria "chato", e expressa vontade de uma revanche contra a PRX. No entanto, seu olho brilhou ao mencionar a NRG. "Jogar contra o NRG nos playoffs seria divertido", afirmou, sem saber que, ironicamente, seu desejo seria atendido. O destino colocou o GIANTX justamente contra a NRG no primeiro confronto dos playoffs, marcado para 26 de setembro.

Por fim, westside deixou uma mensagem sincera para a torcida do GIANTX, agradecendo pelo apoio incondicional. Ele se desculpou por não ter conseguido atender a todos os fãs para autógrafos e fotos após os jogos, mas prometeu se esforçar mais na próxima oportunidade. "Se vocês vierem da próxima vez, tentarei fazer tudo o que puder por vocês", finalizou, com carinho.

A jornada do GIANTX nos playoffs do Champions Paris está apenas começando. Com uma mistura de habilidade tática, resiliência mental, união e um toque de personalidade única, eles buscarão surpreender o mundo. Toda a cobertura pode ser acompanhada no THESPIKE.GG.

O que esperar do confronto contra a NRG: uma análise mais profunda

Então, o desejo de westside se concretizou. O GIANTX enfrentará a NRG, uma das potências da região das Américas, e não será uma tarefa simples. Mas por que exatamente esse confronto parece tão atrativo para ele? Vamos além da superfície. A NRG, liderada por nomes como s0m e crashies, é conhecida por um estilo de jogo que é, ao mesmo tempo, estruturado e imprevisível. Eles não são apenas mais um time agressivo; eles são agressivos com um propósito tático muito claro.

Em minha experiência acompanhando os campeonatos, times que jogam "no caos" como a XLG podem ser contidos com uma defesa sólida e paciência. Mas a NRG? Eles criam o caos de forma inteligente. Eles forçam erros através de utilidades coordenadas e exploração de timing, não apenas através de duelos brutais. É um desafio de um nível diferente, que testará a capacidade do GIANTX de se adaptar em tempo real, algo que westside mencionou ser uma jornada contínua para a equipe.

E essa adaptação será crucial no mapa de escolha da NRG. Se eles levarem o GIANTX para um Split ou um Bind, por exemplo, como a defesa de Cypher do westside se comportará contra as infiltrações rápidas de um duelista como s0m? Será que a "calma" de Flickless será suficiente para organizar a retomada de um site sob uma pressão tão bem orquestrada? São perguntas que só o servidor responderá, mas que certamente estão sendo estudadas nos treinos.

O peso da primeira aparição nos playoffs e a pressão invisível

É fácil subestimar o fator psicológico. Sim, westside falou sobre tratar cada rodada como um BO1, uma mentalidade fantástica para partidas regulares. Mas os playoffs do Champions são outra coisa. É o palco mundial, com milhões de espectadores, e a primeira vez da organização nessa fase. A pressão é uma entidade invisível que se instala nos ombros, mesmo que os jogadores não queiram admitir.

Eu acredito que aí reside uma das maiores forças—ou armadilhas—para o GX. A alegria contagiante que westside traz pode ser um escudo poderoso contra essa pressão, mantendo o ambiente leve. Por outro lado, há o risco de a euforia da classificação mascarar a seriedade absoluta necessária para avançar. O equilíbrio entre comemorar a conquista e manter a fome por mais será fundamental. A fala de westside sobre ter mostrado apenas 60% do seu potencial contra a TA é reveladora: é um time que sabe que não pode se contentar.

E os fãs? Eles são parte dessa equação. O apoio incondicional que westside agradeceu é um combustível, mas também cria uma expectativa. A torcida brasileira e europeia do GX estará vibrando a cada clutch, sofrendo a cada round perdido. Gerenciar essa energia externa, transformando-a em motivação sem se deixar sobrecarregar, é uma habilidade que separa bons times de grandes times em momentos decisivos.

Além do jogo: a evolução contínua e o legado em construção

O que mais me chamou atenção na entrevista foi a clara noção de evolução. Westside não falou do time como um produto finalizado. Ele falou de percentuais (60%, 80%), de ajustes contra composições específicas, da integração de novos jogadores. Isso indica uma mentalidade de crescimento, não de estagnação. Vencer a TA e chegar aos playoffs não é o ponto final; é um degrau.

Pense nisso: ara e Flickless ainda estão se entrosando. Cada série disputada nesse nível alto é uma lição inestimável. A sinergia entre a explosividade de um e a serenidade do outro, mediada pela alegria vocal de westside e pela experiência do resto do elenco, é uma fórmula que ainda está sendo refinada. Os playoffs, mesmo que terminem em uma derrota para a NRG, oferecem uma aceleração brutal nesse processo de aprendizado. É como um curso intensivo contra os melhores do mundo.

E o tal boné do Cypher? Pode parecer uma piada, um detalhe bobo. Mas não subestime o poder dos rituais e da identidade pessoal em um ambiente de alta pressão. Esses pequenos elementos de conforto e personalidade são âncoras que mantêm os jogadores conectados a si mesmos, evitando que se tornem apenas robôs executando estratégias. Se westside conseguir usar seu boné temático, será mais do que uma brincadeira; será uma afirmação de que ele está lá para jogar seu jogo, do seu jeito.

Agora, o cenário está armado. De um lado, a NRG, uma instituição com vasta experiência em palcos finais. Do outro, o GIANTX, o recém-chegado cheio de energia, personalidade e uma fome não totalmente saciada. Westside queria diversão? Ele a terá. Mas a pergunta que fica é: a diversão do GX será a de quem aprecia o desafio, ou a de quem supera o obstáculo? A resposta começa a ser escrita no servidor, em Paris.



Fonte: THESPIKE