O cenário competitivo de VALORANT tem um novo campeão mundial. Em uma série que será lembrada por muito tempo, a equipe norte-americana NRG superou a europeia Fnatic em um emocionante confronto de cinco mapas para levantar o troféu do VALORANT Champions Tour 2025 em Paris. A final foi um verdadeiro teste de nervos, estratégia e resiliência, com ambas as equipes demonstrando por que estavam na decisão do maior torneio do ano.
O caminho até a grande final
A jornada da NRG até a final foi, para ser sincero, impressionantemente dominante. Eles chegaram ao último ato do campeonato sem perder uma única série, um feito que poucos alcançam em um torneio com o nível de competitividade do Champions. Do outro lado, a Fnatic teve uma trajetória mais acidentada, mas igualmente heroica. A equipe europeia precisou se adaptar a adversidades significativas, como a ausência de seu jogador Alfajer em uma partida crucial contra a Paper Rex, substituído de forma emergencial por Doma. Ainda assim, mostraram uma força mental tremenda para chegar à final e buscar a revanche contra a NRG, que os havia enviado para a chave inferior anteriormente.
Uma série de extremos
Os primeiros mapas foram uma demonstração de força absoluta da NRG. No Corrode, escolha deles, a vitória foi avassaladora por 13 a 3, com o jogador brawk comandando as estatísticas com 24 abates. A dominância continuou no Lotus, mapa escolhido pela Fnatic, que caiu por 13 a 6. A essa altura, com a NRG liderando por 2 a 0, muitos espectadores já consideravam a série decidida.
Mas eis que o esporte eletrônico nos surpreende. No terceiro mapa, Abyss, a NRG abriu um placar absurdo de 11 a 1 no primeiro half. A vitória parecia inevitável. No entanto, a Fnatic protagonizou uma das maiores viradas da história recente de VALORANT. Eles não apenas recuperaram o atraso de 10 rounds, como forçaram uma prorrogação e venceram o mapa, levando a série para um quarto jogo. A experiência e a frieza dos veteranos da Fnatic brilharam em Ascent, onde igualaram a série em 2 a 2 e levaram a decisão para um quinto e último mapa: Sunset.
O mapa decisivo e a coroação
O Sunset carregava um peso psicológico enorme para a NRG. Curiosamente, ao longo de todo o ano de 2025, eles não haviam vencido uma única partida nesse cenário, acumulando um recorde de 0 vitórias e 5 derrotas. O fantasma de uma nova virada, após o susto em Abyss, pairou no ar quando a NRG abriu 9 a 3 no primeiro half.
Foi aí que a liderança dentro do jogo fez a diferença. Ethan, o IGL (In-Game Leader) da NRG, assumiu o controle para garantir que a história não se repetisse. Com 23 abates e uma atuação decisiva, ele guiou sua equipe à vitória por 13 a 8, garantindo seu segundo título de VALORANT Champions. O novato brawk, com seu estilo agressivo e definidor de meta usando a Odin, foi coroado o MVP (Jogador Mais Valioso) do torneio.
A vitória da NRG tem um significado histórico para a região das Américas. Este é o terceiro título mundial da região, seguindo os triunfos da LOUD em 2022 e da Evil Geniuses em 2023. Com o fim do Champions Paris, as equipes agora se voltam para uma temporada de entressafra, se preparando para as mudanças e novos desafios que o formato do VCT 2026 trará.
O que fez a diferença nos momentos decisivos?
Analisando a série friamente, alguns fatores-chave emergem. A NRG, em minha opinião, demonstrou uma preparação tática superior nos mapas iniciais. Suas execuções no Corrode e no Lotus eram quase cirúrgicas, com utilidades sincronizadas de forma a sufocar qualquer espaço para a Fnatic respirar. Você podia ver a confiança nos movimentos deles. Mas, sabe como é, confiança em excesso pode ser uma armadilha perigosa.
O que me impressionou na Fnatic foi a capacidade de adaptação mental. Após serem esmagados nos dois primeiros mapas, a moral de qualquer time poderia ter ido por água abaixo. Em vez disso, eles pareciram se desprender do peso da final e simplesmente jogar. Foi como se dissessem: "Já estamos 2 a 0 para baixo, o que temos a perder?" Essa mentalidade libertou jogadores como Derke e Leo para fazerem jogadas individuais incríveis que iniciaram a virada em Abyss. Às vezes, a maior pressão não é perder o título, mas quase tê-lo nas mãos e vê-lo escapar.
E falando em Abyss, aquela virada não foi apenas sobre abates. Foi uma aula de economia de rounds, de compras inteligentes quando o dinheiro estava curto, e de paciência. A Fnatic venceu rounds que, estatisticamente, eram deles para perder. Eles transformaram situações de 3v5 em vitórias. Isso não é só habilidade mecânica; é química de equipe e uma crença inabalável, peça por peça, até que o impossível se tornou realidade. Foi lindo de se ver, mesmo para um torcedor neutro.
O legado dos jogadores e o futuro das franquias
Esta final também serviu como um ponto de virada para várias carreiras. Para Ethan, da NRG, este é seu segundo título de Champions, mas o primeiro como o líder inquestionável e o "cérebro" da operação. Ele saiu da sombra de outros IGLs lendários e escreveu seu próprio capítulo na história. Já pensou na pressão que ele sentiu no Sunset, sabendo do histórico terrível da equipe naquele mapa e com o fantasma do colapso em Abyss ainda fresco? Sua atuação ali foi de um veterano que entende que momentos assim definem legados.
E o brawk? Caramba. Um novato sendo coroado MVP do maior torneio do mundo. Sua agressividade controlada, especialmente com a Odin, redefiniu o que significa ser um "sentinel" ou um "controlador" em certos momentos. Ele não estava apenas segurando um site; ele estava ditando o ritmo do jogo, forçando a Fnatic a gastar utilidades preciosas só para lidar com ele. É um estilo de jogo que certamente será estudado e copiado por aspirantes nas próximas temporadas.
Do lado da Fnatic, a série solidificou a reputação de Derke como um dos duelistas mais frios e consistentes do mundo, capaz de carregar nos momentos mais sombrios. E a atuação emergencial de Doma, que entrou no time em um momento crítico do torneio, merece um reconhecimento à parte. Ele não era um substituto qualquer; ele era um peça fundamental na engrenagem que quase conquistou o mundo.
Com o fim do VCT 2025, o burburinho sobre o formato de 2026 já começou. Rumores sobre mudanças no sistema de franquias, possíveis trocas de jogadores entre regiões, e novas metas para as equipes que ficaram de fora deste Champions. A vitória da NRG reafirma a força das Américas, mas a resistência feroz da Fnatic e de outras equipes da EMEA (como a FUT Esports, que teve uma campanha sólida) mostra que o equilíbrio de poder global está mais tênue do que nunca. A janela de transferências que se abre agora será crucial. Quem conseguirá se reforçar para desafiar a nova campeã? Quem manterá a base vencedora?
Além disso, o meta do jogo continuou a evoluir durante o torneio. Vimos a ascensão de certos agentes em mapas específicos e a queda de outros que eram considerados "must-pick". A forma como a NRG utilizou a estratégia da Odin no Sunset, por exemplo, pode inspirar uma reavaliação geral sobre o valor de armas pesadas em situações de defesa de bomba. Os analistas e treinadores terão material de estudo para meses. E isso é o que torna VALORANT tão fascinante: não é um jogo estático. A equipe que parar de inovar, mesmo sendo campeã, será rapidamente ultrapassada.
O que esta final em Paris nos deixou, no fim das contas, foi a prova de que o esporte eletrônico de alto nível é um drama humano em sua essência. É sobre superação, sobre lidar com o fracasso iminente (tanto para a Fnatic, que estava perdendo, quanto para a NRG, que quase deixou escapar), e sobre a busca por grandeza não apenas individual, mas coletiva. A atmosfera no Accor Arena, com a torcida cantando e vibrando a cada round decisivo, mostrou que essas histórias ressoam muito além dos computadores. Elas criam memórias. Para os jogadores no palco, para os fãs nas arquibancadas e para todos que assistiam de casa, aqueles cinco mapas em Paris foram mais do que um jogo; foram uma narrativa inesquecível sobre resistência.
Fonte: THESPIKE

