A MIBR, uma das organizações mais tradicionais do cenário brasileiro de VALORANT, deu um passo significativo na reformulação de seu elenco para 2026. De acordo com informações apuradas pelo THESPIKE Brasil, a organização comunicou aos jogadores artzin, cortezia e xenom que eles estão liberados para negociar com outras equipes. O aviso foi dado na última quarta-feira (1), marcando o fim da "lua de mel" da formação atual, que obteve resultados expressivos em 2025.

O cenário de incertezas e a espera por aspas

O que torna essa movimentação particularmente interessante é o contexto. A liberação do trio acontece enquanto a MIBR aguarda, com certa ansiedade, a decisão de seu principal astro, aspas. O duelista, considerado por muitos como um dos melhores do mundo – o próprio FNS, ex-jogador e agora analista, já o chamou de "GOAT" (Greatest of All Time) –, tem contrato apenas até o fim desta temporada.

A estratégia da organização, pelo que se apurou, é clara: priorizar a permanência de aspas, juntamente com Verno (que também tem vínculo temporário), e só então definir o plano completo para a janela de transferências. É uma aposta alta. Afinal, perder aspas não seria apenas a saída de um jogador excepcional – o primeiro a atingir a marca de +1000 kills no VCT –, mas sim de uma peça central do projeto. Caso ele decida sair, todo o cenário interno da MIBR pode ser revisto, possivelmente alterando o destino dos próprios artzin, cortezia e xenom.

Detalhes contratuais e o futuro do trio

A situação de cada jogador liberado é um pouco diferente, o que afeta diretamente suas possibilidades no mercado. artzin, por exemplo, vai se tornar um "free agent" de fato, podendo assinar com qualquer organização sem a necessidade de um acordo prévio de transferência. Já para xenom e cortezia, a história é outra.

Ambos têm contrato com a MIBR válido até o final de 2026. Isso significa que, mesmo estando liberados para conversar com outros times, qualquer mudança dependerá de uma negociação financeira entre a MIBR e a organização interessada. É um detalhe crucial que pode acelerar ou complicar a saída de cada um. Em um cenário competitivo cada vez mais acirrado, ter um jogador sem custo de transferência (como artzin) é sempre mais atrativo.

Quando questionada oficialmente sobre o assunto, a MIBR manteve a postura padrão do mercado, informando ao THESPIKE Brasil que "não comenta rumores de mercado". Uma resposta esperada, mas que não diminui o peso da notícia.

O legado de uma formação vitoriosa

É um tanto irônico pensar que essa possível dissolução vem logo após uma das melhores campanhas internacionais da história da MIBR no VALORANT. A equipe, com essa formação, alcançou um honroso 5º-6º lugar no VALORANT Champions 2025, sendo eliminada pela poderosa DRX. Ao longo de 2025, eles também garantiram o 3º lugar tanto no Americas Kickoff quanto no Americas Stage 2, conquistando vaga para o Masters Toronto.

Foram resultados sólidos, que mostravam uma equipe coerente e competitiva. Mas, no cenário de esports, especialmente no nível de investimento do VCT, a pressão por títulos e por evolução constante é enorme. A sensação que fica é que, apesar dos bons momentos, a organização acredita que é hora de uma mudança, de buscar uma nova fórmula para chegar ainda mais longe. Resta saber se essa fórmula incluirá aspas como pedra fundamental.

Enquanto isso, o mercado brasileiro e internacional certamente ficará de olho nesses três talentos agora disponíveis. artzin, com sua flexibilidade, xenom e cortezia, com contratos de longo prazo, se tornam peças interessantes no tabuleiro de xadrez das contratações. A janela de transferências promete.

Mas vamos pensar um pouco além do óbvio. Essa movimentação da MIBR não é apenas sobre três jogadores. É um reflexo de uma pressão que vem de cima, da própria Riot Games e do formato do VCT. A janela de transferências é curta, os orçamentos são analisados com lupa, e ficar parado pode significar ficar para trás. Outras equipes das Américas, como a Loud e a FURIA, também devem entrar em um período de ajustes. É um dominó. Quando uma organização do calibre da MIBR mexe suas peças, o tabuleiro inteiro treme.

O valor de mercado: quanto vale um jogador de VCT hoje?

Aqui entra um ponto que pouca gente discute abertamente, mas que todo manager conhece bem: a precificação de talentos. artzin, como free agent, tem um valor imediato diferente de xenom e cortezia. Para uma organização de médio porte que quer um upgrade rápido sem desembolsar uma multa rescisória, ele é uma opção dourada. Já xenom e cortezia... bem, aí a conta é outra. A MIBR pagou por eles, investiu em sua formação, e vai querer um retorno financeiro. Não é simples.

E o que define esse preço? Performance em torneios internacionais, claro. Mas também visibilidade, engajamento nas redes sociais, potencial de crescimento. Um jogador como xenom, que teve momentos brilhantes no Champions, carrega um "selo" de qualidade que infla seu valor. Cortezia, por sua vez, é visto como um suporte sólido e confiável – o tipo de jogador que não faz manchetes todos os dias, mas que é absolutamente essencial para qualquer equipe que almeje consistência. São perfis complementares, e isso também será levado em conta pelos possíveis compradores.

Aliás, você já parou para pensar como o mercado de transferências de esports se tornou quase tão complexo quanto o do futebol? Tem cláusulas, bônus por performance, acordos de imagem... É um negócio sério.

E os outros nomes do elenco? O que dizem as entrelinhas

A comunicação oficial fala em três jogadores liberados. Mas e o resto? A postura da MIBR em focar em reter aspas e Verno deixa uma pergunta no ar: o que acontece com o quinto integrante? A formação que disputou o Champions tinha artzin, xenom, cortezia, aspas e Verno. Se três saem e dois (talvez) ficam, quem completa o time?

Rumores não confirmados – aqueles que sempre pipocam em servidores de Discord e fóruns – já começam a circular. Alguns mencionam a possibilidade de a MIBR mirar em um jogador estrangeiro, buscando uma mescla de estilos para surpreender as equipes das Américas. Outros falam em promover um talento da academia ou do cenário secundário brasileiro, que está cheio de jovens famintos por uma chance. É uma aposta mais barata, mas com um risco maior.

O silêncio sobre esse ponto é, talvez, a parte mais estratégica de toda essa história. Enquanto a atenção se volta para artzin, xenom e cortezia, a diretoria de esports da MIBR pode estar trabalhando nos bastidores em negociações que vão definir o verdadeiro rumo de 2026. Eles aprenderam, com certeza, que no VCT não se pode mostrar todas as cartas de uma vez.

E não podemos esquecer do fator humano em tudo isso. São jovens, muitos ainda na casa dos 20 anos, vendo suas carreiras mudarem de rumo por um e-mail ou uma reunião. artzin postou uma foto nas redes sociais há alguns dias, sem legenda, apenas um emoji pensativo. Xenom manteve o perfil profissional, agradecendo pela temporada. São reações diferentes para uma mesma notícia. O lado psicológico de uma janela de transferências é brutal – a incerteza, a espera, a sensação de estar "à venda". A pressão para performar em eventuais tryouts é imensa. Um dia você é herói de uma equipe, no outro você está mostrando seu valor para estranhos em uma partida personalizada. É um teste de resiliência tanto quanto de habilidade no jogo.

O que me surpreende, olhando para trás, é a velocidade. Parece que foi ontem que essa formação da MIBR estava conquistando o Brasil e causando problemas para as gigantes internacionais. O ciclo de vida de um roster de sucesso no VALORANT está ficando cada vez mais curto. A janela de oportunidade para ganhar um título mundial é minúscula, e as organizações estão cada vez menos dispostas a esperar. Se não deu certo em uma ou duas temporadas, a mudança é inevitável. É um ambiente de alta performance, mas também de pouca paciência.

E então, voltamos à pergunta inicial, que agora parece ainda mais crucial: e o aspas? Toda essa estratégia de liberar três jogadores e reformular o time ao redor dele faz sentido se – e somente se – ele renovar. Caso contrário, a MIBR pode se ver não apenas sem seu astro, mas também sem três jogadores de valor que já estão com um pé fora da porta. É um jogo de pôquer de alto risco. A organização está apostando todas as fichas na sua capacidade de convencê-lo de que o futuro ainda é preto e laranja. Enquanto ele não assinar um novo contrato, cada rumor sobre uma oferta milionária de uma equipe asiática ou norte-americana vai ecoar como um trovão nos corredores da MIBR.

O próximo capítulo dessa história não será escrito nos servidores do jogo, mas nas salas de reunião e nos contratos. E, para os fãs, resta acompanhar, torcer e tentar decifrar cada movimento nesse complexo xadrez estratégico. A sensação é que estamos apenas no começo de uma longa e movimentada offseason.



Fonte: THESPIKE