O rifler eslovaco Matúš "MATYS" Šimko não esconde o alívio e a felicidade por finalmente ter alguns dias de descanso após uma maratona exaustiva de competições de Counter-Strike. A equipe da G2 viveu semanas intensas, voando diretamente de Londres para Belgrado sem tempo para comemorar sua vitória no BLAST Open London.

Da vitória em Londres para os desafios em Belgrado

Logo após conquistar o título em Londres, a equipe pegou um voo direto para a Sérvia para participar do FISSURE Playground 2. A transição foi tão abrupta que não houve tempo para celebrações ou recuperação. "Estamos extremamente felizes. Depois de muito tempo, vamos ter dois, três dias de folga. Parece Natal", confessou MATYS em entrevista exclusiva ao HLTV.

O cansaço era visível, especialmente no primeiro mapa contra a GamerLegion, onde a equipe sofreu uma derrota expressiva. MATYS foi sincero ao admitir: "Jogamos tão mal como time e como indivíduos, tudo estava fora de sintonia. Eu joguei muito mal, então foi difícil superar".

Superando adversidades e o desafio do Overpass

O mapa Overpass tem sido particularmente desafiador para a G2 recentemente. MATYS reconhece que a equipe perdeu três partidas consecutivas nesse cenário, mas rejeita a ideia de que sejam ruins no mapa. "Talvez de fora pareça que somos muito ruins no Overpass, mas isso não é verdade. Sabemos como consertar os erros e o que precisamos fazer melhor para o próximo jogo".

Ele atribui parte da dificuldade ao fato de huNter- ter pouca experiência no mapa - apenas 30 partidas em toda sua carreira. "Em uma partida oficial, isso pode fazer diferença, especialmente para ele individualmente, já que é o mapa que ele menos jogou", explica MATYS.

Olhando para os playoffs e o possível confronto com Falcons

Com a classificação garantida para a fase eliminatória, MATYS já antecipa um possível confronto contra a Falcons como o mais desafiador. "Para a G2, tem que ser a Falcons, porque eles têm dois ex-jogadores da G2, m0NESY e NiKo".

Ele não mede elogios aos adversários: "Eles têm indivíduos extremamente bons e são um bom time, então vai ser uma luta infernal se acontecer o confronto". A possibilidade de enfrentar ex-companheiros adiciona uma camada extra de rivalidade e expectativa para as eliminatórias.

Os dois dias de descanso chegam em momento crucial para a recuperação física e mental da equipe. MATYS enfatiza a importância desse período: "Vamos ser realmente felizes e tirar o melhor proveito desses dois ou três dias, com certeza".

A equipe demonstrou resiliência ao se recuperar da péssima atuação no primeiro mapa contra a GamerLegion. "Mostramos um espírito incrível e conseguimos voltar quase instantaneamente no mapa seguinte, no Ancient. Parecia que o primeiro mapa nunca tinha acontecido", relembra o jogador.

O que muitos não percebem é o desgaste mental que essas maratonas de torneios causam nos jogadores. MATYS compartilhou um detalhe interessante: "Quando você está nesse ritmo há semanas, até coisas simples como escolher o que comer no café da manhã se tornam decisões difíceis. Sua capacidade de tomar decisões fica comprometida, e isso afeta diretamente o jogo".

O impacto da rotina exaustiva no desempenho individual

Durante nossa conversa, MATYS foi bastante transparente sobre como a fadiga influencia seu desempenho individual. "Há momentos em que meu tempo de reação fica visivelmente mais lento, e eu sei que não é falta de prática ou habilidade. É puro cansaço acumulado". Ele mencionou que, em situações normais, certas jogadas que ele faria quase automaticamente exigem um esforço consciente quando está exausto.

O que me surpreendeu foi ouvir sobre os pequenos detalhes que fazem diferença. "Às vezes, esqueço callouts básicos ou demoro um segundo a mais para processar informações. São frações de segundo que, no nível em que competimos, significam a diferença entre ganhar ou perder um round crucial".

A dinâmica da equipe sob pressão constante

MATYS também falou sobre como a dinâmica da equipe é testada durante esses períodos intensos. "Quando todos estão cansados, a comunicação pode ficar mais tensa. Pequenos mal-entendidos que normalmente seriam resolvidos rapidamente podem escalar". Ele destacou, porém, que a G2 desenvolveu uma resiliência notável. "Aprendemos a reconhecer quando o cansaço está afetando nossa comunicação e fazemos ajustes".

Um aspecto interessante que ele mencionou foi a importância de manter o moral alto mesmo durante as derrotas. "Depois daquele primeiro mapa desastroso contra a GamerLegion, poderíamos facilmente ter entrado em uma espiral negativa. Em vez disso, nos reunimos rapidamente, reconhecemos que havíamos jogado mal e focamos imediatamente no próximo mapa".

A equipe parece ter desenvolvido mecanismos de coping bastante eficazes. "Temos piadas internas que nos ajudam a aliviar a tensão. Às vezes, rir de uma morte ridícula ou de um erro óbvio é a melhor maneira de seguir em frente sem carregar o peso do round anterior".

Preparação para os playoffs: mais do que apenas descanso

Esses dias de folga não serão apenas sobre descanso físico. MATYS revelou que a equipe já está pensando estrategicamente sobre como aproveitar ao máximo esse tempo. "Vamos revisar alguns demos, mas de forma mais focada. Não queremos sobrecarregar nossas mentes com excesso de informação".

Ele enfatizou a importância do equilíbrio: "Passaremos tempo com familiares, faremos coisas normais que não envolvem Counter-Strike. Às vezes, afastar-se um pouco do jogo é exatamente o que você precisa para voltar com mais clareza mental".

Quando questionado sobre a possível preparação específica para enfrentar a Falcons, MATYS foi cauteloso: "Conhecemos bem o estilo de jogo deles, obviamente, mas também sabem como nós jogamos. Será um jogo de ajustes e de ver quem consegue surpreender o outro".

O que fica claro é que, apesar do cansaço, a competitividade permanece intacta. "Estamos ansiosos para os playoffs, especialmente depois desse descanso. Será nossa chance de mostrar que a recuperação não foi apenas física, mas também mental e estratégica".

A equipe parece consciente de que o sucesso nos playoffs dependerá tanto da preparação técnica quanto do estado mental. "Voltaremos com energia renovada e, mais importante, com vontade de jogar. Às vezes, quando você joga cansado por tanto tempo, esquece como é jogar com entusiasmo genuíno".

Com informações do: HLTV