A equipe da Categoria 2 que mudou o panorama do VALORANT Champions Tour 2026 - EMEA Stage 2 nos Play-Ins, a Enterprise Esports, chegou ao fim de sua jornada. Após o que só pode ser descrito como uma trajetória incrível como equipe Tier 2 na VCT, a Enterprise foi eliminada pela Team Liquid nos Playoffs. O THESPIKE sentou-se para conversar com MAGNUM, da Enterprise, sobre sua trajetória e o futuro da VCT EMEA.

magnum enterprise vct emea 2026 entrevista: Falhas nos fundamentos

A Enterprise foi uma das equipes do Tier 2 que derrotou alguns dos nomes mais importantes do cenário da VCT EMEA da Categoria 1 ao longo de sua trajetória na Stage 2. Após vencer Fnatic e Team Vitality, foi a Team Liquid quem finalmente se impôs sobre a equipe da VCL, já nas últimas rodadas dos playoffs. No confronto contra a Liquid, MAGNUM percebeu que faltavam fundamentos no jogo da Enterprise.

THESPIKE: Você pode me contar um pouco sobre o que deu errado hoje?

MAGNUM: "Acho que foram simplesmente problemas com os quais lidamos o ano todo e que se tornaram mais evidentes durante os últimos jogos porque os rivais os puniam com mais dureza. É assim que gerenciamos o estresse e como jogamos as recuperações, as situações após plantar a bomba e as vantagens. Acho que simplesmente não demos tudo durante os treinos, e isso apareceu aqui. Mas acho que o jogo de hoje, embora o placar fosse 4–13 em Lotus, na verdade foi muito mais disputado do que parece. Houve tantas rodadas que, se tivéssemos fechado, o jogo poderia ter ido em qualquer direção. Eles jogaram muito bem. É sempre a Liquid. Sempre perco para eles dessa maneira. Eles simplesmente conseguem fazer milagres no jogo."

Trajetória da Enterprise nos Play-Ins do VCT EMEA

THESPIKE: Vocês chegaram muito longe para uma equipe da Categoria 2. Isso é algo que vocês esperavam? Como vocês avaliam essa trajetória? Você está orgulhoso dos caras?

MAGNUM: "Claro que sim. Foi uma espécie de ano de revanche para nós. Depois de tudo o que passamos no ano passado, conseguir chegar até aqui e mostrar que podemos competir com os melhores é algo que me enche de orgulho. A equipe trabalhou muito, e cada vitória contra esses times grandes foi construída com muito esforço e dedicação. Não foi sorte — foi mérito."

O que torna essa jornada ainda mais impressionante é o contexto. A Enterprise não era considerada uma das favoritas antes do torneio. Muitos analistas esperavam que as equipes estabelecidas da Categoria 1 dominassem os Play-Ins sem grandes sustos. Mas a Enterprise provou que o cenário competitivo de VALORANT está mais aberto do que nunca.

E olha, não foi apenas uma vitória isolada. Foram duas — contra Fnatic e Vitality, dois gigantes da região. Isso não é coincidência. É consistência. E consistência é exatamente o que separa times bons de times memoráveis.

O que essa eliminação significa para o futuro da Enterprise

Com a eliminação, a Enterprise retorna para a VCL (VALORANT Challengers League) para a próxima temporada. Mas a pergunta que fica no ar é: será que veremos essa equipe novamente em um cenário de elite? A resposta curta é: depende. Depende de como a organização vai estruturar o elenco, de quais jogadores permanecerão e de como eles vão abordar a próxima temporada.

MAGNUM também comentou sobre as lições aprendidas: "Cada derrota nos ensina algo. Acho que o principal aprendizado é que precisamos ser mais consistentes nos treinos e mais fortes mentalmente em momentos decisivos. Contra times como a Liquid, qualquer vacilo é punido. Não podemos nos dar ao luxo de ter lapsos."

Para os fãs da VALORANT Champions Tour, a participação da Enterprise nos Play-Ins foi um dos momentos mais emocionantes do torneio. Ver uma equipe menor desafiar o status quo e quase chegar aos playoffs principais é exatamente o tipo de história que faz do esports algo tão especial.

E você, o que achou da campanha da Enterprise? Acha que eles mereciam mais sorte contra a Liquid? Deixe sua opinião nos comentários e continue acompanhando o THESPIKE para mais entrevistas e análises do cenário competitivo de VALORANT.

E essa história de revanche não é apenas retórica. Para quem acompanhou a Enterprise na temporada passada, o contraste é nítido. Em 2025, a equipe lutou para se firmar na VCL, oscilando entre resultados medianos e eliminações precoces. A chegada de novos jogadores e a reformulação da comissão técnica no final do ano mudaram completamente a mentalidade do time. MAGNUM, que já era uma peça central, assumiu um papel de liderança mais ativo, e isso transpareceu em quadra.

THESPIKE: Você mencionou que o time não deu tudo nos treinos. O que exatamente você acha que faltou? Foi mais uma questão de preparo mental ou de estratégia?

MAGNUM: "Acho que foi um pouco dos dois, mas se eu tivesse que apontar o principal, diria que foi a gestão de momentos de pressão. Nos treinos, a gente até ensaiava situações de pós-plantio e retomada, mas quando o jogo vale vaga em playoff, a cabeça pesa. A Liquid é um time que se aproveita disso muito bem. Eles não te dão tempo para respirar. Em Lotus, por exemplo, a gente perdia os duelos individuais porque estávamos sempre um passo atrás na leitura. Não é desculpa, é um fato. Precisamos evoluir nisso."

Essa honestidade é rara no cenário. Muitos jogadores preferem culpar a sorte ou o calendário, mas MAGNUM assume as falhas com uma maturidade que impressiona. E é exatamente essa postura que pode levar a Enterprise a um próximo nível. Porque reconhecer o problema é o primeiro passo para corrigi-lo.

Outro ponto que merece destaque é a questão do suporte da torcida. Durante os Play-Ins, a Enterprise contou com um número expressivo de fãs nas arquibancadas — muitos deles vestindo camisas personalizadas com o nome dos jogadores. MAGNUM não esconde a emoção ao falar sobre isso: "A energia da torcida foi algo surreal. A gente sentia que não estava jogando sozinho. Cada abate, cada rodada ganha, era como se a arena inteira vibrasse com a gente. Isso dá uma força que é difícil de explicar."

E não é só no Brasil que a Enterprise ganhou admiradores. Nas redes sociais, a hashtag #EnterpriseNoVCT chegou a ficar entre os trending topics de VALORANT na Europa durante a semana dos playoffs. Jogadores de outras equipes, como o treinador da Karmine Corp, elogiaram publicamente a campanha da equipe. Em uma postagem no X (antigo Twitter), ele escreveu: "A Enterprise mostrou que o Tier 2 não é só um degrau, é um trampolim. Respeito total."

Mas agora, o futuro. A Enterprise volta para a VCL, mas com um status diferente. Não é mais aquela equipe desconhecida que ninguém temia. Agora, todos os adversários vão querer derrubar o time que quase derrubou os gigantes. Isso traz uma pressão nova, mas também abre portas. Patrocinadores que antes não olhavam para a organização agora podem se interessar. Jogadores que estavam em times maiores podem ver a Enterprise como um projeto promissor.

MAGNUM, no entanto, prefere manter os pés no chão: "A gente não pode se iludir. O que fizemos foi importante, mas é só o começo. Se a gente achar que já chegou, vamos regredir. O próximo passo é voltar para a VCL, dominar a liga, e aí sim tentar de novo. Dessa vez, com mais experiência e menos erros."

E é exatamente essa mentalidade que pode fazer a diferença. Porque no esports, como na vida, o sucesso não é um destino — é uma jornada. E a Enterprise, ao que tudo indica, está disposta a continuar caminhando.

Fica a pergunta: será que a Riot Games vai olhar com mais carinho para o Tier 2 depois dessa demonstração de força? A VCL EMEA tem sido criticada por falta de investimento e visibilidade, mas a campanha da Enterprise pode ser o argumento que faltava para uma reformulação. Times como a Enterprise provam que o talento está lá fora, esperando por uma oportunidade. E quando a oportunidade chega, eles não decepcionam.

Enquanto isso, a Enterprise já começa a planejar a próxima temporada. MAGNUM revela que a equipe deve passar por algumas mudanças, mas que o núcleo principal deve permanecer: "A gente sabe que precisa de ajustes, mas a base é boa. O que a gente construiu aqui não pode ser jogado fora. Vamos sentar, conversar, e ver o que é melhor para o time."

E é isso que torna essa história tão cativante. Não é apenas sobre um time que venceu dois gigantes. É sobre um grupo de jogadores que acreditou em si mesmo quando ninguém mais acreditava. É sobre a resiliência de quem caiu, levantou, e voltou mais forte. A Enterprise pode não ter conquistado o título, mas conquistou algo talvez mais valioso: o respeito de toda a comunidade de VALORANT.

E você, o que espera da Enterprise na próxima temporada? Acha que eles conseguem repetir a dose e, quem sabe, ir ainda mais longe? O THESPIKE vai continuar de olho — e você pode ter certeza de que essa não é a última vez que ouvimos falar de MAGNUM e companhia.



Fonte: THESPIKE