Em entrevista exclusiva ao THESPIKE após a vitória na segunda etapa do VALORANT Champions Tour 2026 - EMEA contra o Eintracht Frankfurt, o jogador da GX westside falou sobre a série, a inclusão de times Tier 2 na disputa por uma vaga no VALORANT Champions 2026, as áreas que o time precisa melhorar e muito mais. A conversa aconteceu logo após uma vitória suada, que começou com uma dominância impressionante em Lotus, mas que exigiu muito do time nos mapas seguintes.

Análise da série contra o Eintracht Frankfurt

Quando questionado sobre a partida, westside foi honesto sobre a montanha-russa de emoções: "Para ser sincero, depois do primeiro mapa, pensamos que a série seria um pouco mais fácil, mas fomos surpreendidos pelo quão desafiadores foram os dois mapas seguintes. Acho que também houve momentos em que não jogamos tão bem quanto poderíamos. Começamos tanto o segundo quanto o terceiro mapa com uma desvantagem significativa de rounds, então sempre tivemos que lutar para voltar ao jogo. No geral, foi bom. Foi uma boa série."

Essa oscilação é um padrão que o time já conhece bem. E é exatamente esse tipo de inconsistência que pode custar caro em um campeonato tão disputado quanto o Champions. A resiliência mostrada é louvável, mas depender de viradas toda partida não é sustentável — e o próprio jogador parece ciente disso.

A inclusão dos times Tier 2 na corrida pelo Champions 2026

Um dos tópicos mais quentes desta temporada é a oportunidade dada aos times Challengers de competir por uma vaga no VALORANT Champions 2026. Sobre isso, westside foi enfático: "Se eu for honesto, acho que é realmente ótimo. Se eu estivesse no Tier 2, obviamente gostaria de ter a oportunidade de competir por uma vaga no Champions também. Acho que é ótimo para todos os jogadores, especialmente para os mais jovens do Tier 2 que querem dar o salto para o Tier 1 no futuro. Isso dá a eles a chance de mostrar o que podem fazer em um grande palco e provar seu valor contra a competição de alto nível. Acho que é uma oportunidade realmente boa para todos os times Tier 2."

Essa visão é interessante porque mostra uma maturidade rara. Em vez de enxergar os times menores como ameaças, ele os vê como parte essencial do ecossistema. E ele tem razão — a base do cenário competitivo depende exatamente dessa renovação constante. Times como GX, que subiram recentemente, sabem bem o valor dessa porta aberta.

O que precisa melhorar para o VALORANT Champions 2026

Com a classificação para o Champions 2026 cada vez mais próxima, perguntamos o que o time precisa focar para extrair o máximo do potencial do elenco. A resposta foi direta: "Eu diria que nosso foco principal deve ser vencer os rounds iniciais e evitar começos lentos. Como no ano passado, às vezes estávamos perdendo por 0-5 e tínhamos que lutar para voltar ao jogo, ou perdíamos o primeiro mapa e depois tínhamos que vencer os próximos dois. Acho que precisamos começar fortes desde o primeiro round, definir o ritmo..."

E é exatamente aí que mora o desafio. A GX westside tem talento de sobra — isso nunca foi o problema. O problema é a constância. Em um cenário onde cada round conta, começar atrás do placar contra times do calibre de Eintracht Frankfurt ou qualquer outro adversário do VCT EMEA é um luxo que poucos podem se dar.

O time mostrou caráter ao buscar as viradas, mas a pergunta que fica é: até quando essa abordagem vai funcionar? A janela para ajustes está se fechando, e a diferença entre uma campanha memorável e uma participação esquecível no Champions 2026 pode estar exatamente nesses primeiros rounds de cada mapa.

Com o relógio correndo, a GX westside precisa transformar essa autoconsciência em ação concreta. A base é sólida, o elenco é talentoso, e a oportunidade está aí. Agora, como o próprio westside disse, é uma questão de comprometimento — e de começar cada partida com o pé direito, sem dar espaço para a dúvida ou para a desvantagem inicial. O potencial para uma grande campanha no VALORANT Champions 2026 existe, mas só o tempo dirá se o time conseguirá desbloqueá-lo a tempo.

E essa preocupação com os inícios de partida não é apenas uma impressão. Olhando para os números da equipe no VCT EMEA 2026, fica claro que a GX westside tem um padrão: quando vence o primeiro mapa, a confiança flui; quando começa atrás, a pressão aumenta e o time precisa apelar para a resiliência. É um estilo de jogo que pode ser emocionante para o público, mas que desgasta mentalmente qualquer elenco. E em um campeonato de formato longo como o Champions, onde cada série pode ser a última, esse tipo de desgaste pode ser fatal.

Outro ponto que merece atenção é a adaptação tática. Durante a série contra o Eintracht Frankfurt, a GX mostrou um lado interessante: mesmo quando o plano inicial não funcionava, o time conseguia ajustar a abordagem no meio da partida. Isso é um sinal de maturidade, mas também levanta uma questão: será que esses ajustes estão sendo feitos rápido demais? Em alguns momentos, parecia que o time mudava de estratégia antes mesmo de dar tempo de testar a abordagem original. É um equilíbrio delicado entre ser flexível e ser consistente.

E não dá para ignorar o fator psicológico. Jogar no VCT EMEA é uma pressão constante, mas jogar pelo Champions é outro nível. A GX westside tem jogadores jovens, que estão vivendo o auge de suas carreiras, e isso pode ser tanto uma vantagem quanto uma armadilha. A energia e a vontade de provar algo são enormes, mas a experiência em palcos gigantescos ainda é limitada. O próprio westside comentou sobre isso em outras entrevistas, destacando que o time precisa aprender a controlar a ansiedade nos momentos decisivos.

E o que dizer do cenário Tier 2? A inclusão dos times Challengers na disputa pelo Champions 2026 é uma mudança que pode redefinir o equilíbrio de forças no VALORANT competitivo. Para times como a GX, que subiram recentemente, isso significa que a concorrência vai ficar ainda mais acirrada. Mas, como o próprio westside apontou, isso é ótimo para o ecossistema. Times menores terão a chance de mostrar seu valor, e isso pode revelar talentos que antes ficavam escondidos. A pergunta é: a GX está preparada para essa nova realidade?

No fim das contas, a GX westside está em uma posição privilegiada. Tem um elenco talentoso, uma comissão técnica que parece entender o jogo, e uma oportunidade real de fazer história no Champions 2026. Mas, como o próprio jogador disse, tudo se resume a comprometimento. E comprometimento não é apenas sobre treinar mais ou estudar mais os adversários. É sobre ter a disciplina de executar o plano desde o primeiro round, sem dar espaço para a dúvida. É sobre confiar no processo, mesmo quando as coisas não saem como planejado. E é sobre entender que, no VALORANT, cada round é uma batalha, e quem começa vencendo as batalhas iniciais tem muito mais chances de vencer a guerra.

O próximo desafio da GX no VCT EMEA será um teste de fogo. Enfrentar times como Fnatic, Team Heretics e Karmine Corp, que estão voando nesta temporada, vai exigir mais do que talento. Vai exigir consistência, maturidade e, acima de tudo, a capacidade de começar cada partida com o pé direito. Se a GX conseguir resolver esse problema, pode ser uma das grandes surpresas do Champions 2026. Se não, pode acabar ficando pelo caminho, como tantos outros times que tinham potencial, mas não conseguiram transformá-lo em resultados.

E é exatamente essa a sensação que fica: a GX westside está no caminho certo, mas o caminho é longo e cheio de obstáculos. A equipe mostrou que sabe lutar, que sabe sofrer, e que sabe vencer. Agora, precisa mostrar que sabe começar. E essa é uma lição que só o tempo e os treinos podem ensinar. A torcida, com certeza, está ansiosa para ver o que vem por aí.



Fonte: THESPIKE