goddess fala sobre aposentadoria e transição para manager no MIBR
Lara "goddess" Baceiredo, ex-capitã do MIBR e uma das maiores jogadoras do cenário feminino de CS:GO, decidiu encerrar sua carreira como atleta profissional. Em entrevista exclusiva à Dust2 Brasil, a multicampeã revelou os motivos por trás dessa decisão e seus planos para o futuro.
"Apesar de amar competir e ter feito isso por muitos anos, depois que fui colocada na reserva, comecei a refletir bastante", contou goddess. "Cheguei à conclusão de que não fazia sentido recomeçar em um novo time como jogadora inexperiente, considerando toda a bagagem que tenho."
O cenário atual e a decisão de parar
A veterana também destacou como o momento do cenário feminino influenciou sua decisão:
Redução significativa de campeonatos nos últimos dois anos, especialmente em LANs
Diminuição do investimento das organizações
Apenas três times (MIBR, FURIA e Atrix) mantendo investimento consistente
"Se eu fosse recomeçar, teria que praticamente criar um projeto do zero, buscar organização e negociar", explicou. "Não me via passando por todo esse processo novamente."
Transição natural para novas funções
Diferente de muitos atletas que sofrem com o momento da aposentadoria, goddess afirma estar tranquila com a decisão:
"Nos últimos dois anos já vinha conversando com amigos e familiares sobre o que faria depois de parar. Queria continuar nos esports, mas em outras funções que aproveitassem minhas habilidades de comunicação e liderança desenvolvidas como jogadora."
Agora como manager do MIBR, goddess terá a oportunidade de aplicar toda sua experiência em um novo desafio. Sobre sua saída do time principal, ela foi categórica: "Foi uma decisão estratégica do MIBR. Como veterana, entendo que mudanças acontecem e não levei para o lado pessoal."
Ao avaliar sua trajetória, a ex-jogadora demonstra satisfação: "O título mundial seria a cereja do bolo, mas vivi coisas incríveis - viagens, premiações, indicação no HLTV Awards. Foi tudo muito especial."
Desafios e oportunidades no cenário feminino
goddess não se limita a falar sobre sua própria transição, mas também compartilha uma análise perspicaz sobre o estado atual do cenário competitivo feminino. "Muitas pessoas não percebem o quanto o ecossistema mudou desde que comecei", reflete. "Antes tínhamos mais torneios, mais visibilidade, mas também menos estrutura. Hoje é o oposto - menos eventos, mas as organizações que permanecem estão muito mais profissionais."
Ela destaca três pontos críticos que precisam ser endereçados para o crescimento sustentável do cenário:
Necessidade de mais competições internacionais para elevar o nível técnico
Importância de criar pipelines de desenvolvimento para novas talentos
Falta de patrocínios específicos para equipes femininas
Lições de liderança aplicadas à nova função
Como ex-capitã, goddess acumulou experiência valiosa em gestão de equipes - conhecimento que pretende levar para seu novo papel como manager. "Na posição de capitã, você acaba sendo meio psicóloga, meio treinadora, meio amiga", explica. "Aprendi a ler o clima do time, saber quando pressionar e quando dar espaço. Essas soft skills são transferíveis para qualquer posição de liderança."
Ela compartilha um exemplo concreto: "Lembro de um campeonato onde estávamos perdendo feio no primeiro mapa. Percebi que algumas jogadoras estavam visivelmente nervosas. Em vez de focar em erros técnicos, mudei a abordagem para aliviar a pressão. Resultado? Viramos a série. Como manager, pretigo usar essa mesma sensibilidade para criar um ambiente onde as jogadoras possam performar no seu melhor."
O peso da representatividade e legado
Questionada sobre seu papel como uma das principais representantes do cenário feminino brasileiro, goddess demonstra consciência do impacto que teve. "Quando comecei, não tinha muitas referências femininas no topo. Se minha trajetória inspirou pelo menos uma garota a acreditar que poderia chegar lá, já valeu a pena."
Ela também reflete sobre como a percepção sobre jogadoras mulheres evoluiu: "Antes era comum ouvir que 'jogava bem para uma mulher'. Hoje, felizmente, o discurso mudou para simplesmente 'joga bem'. Mas ainda há muito trabalho pela frente."
Como manager, goddess pretende continuar influenciando positivamente o ecossistema: "Quero ajudar a construir estruturas que permitam que as próximas gerações tenham ainda mais oportunidades do que eu tive. O MIBR já está fazendo um trabalho incrível nesse sentido."
Com informações do: Dust2


