Veterana do Counter-Strike encerra carreira como jogadora e assume cargo técnico

Lara "goddess" Baceiredo, ex-capitã do MIBR, anunciou nesta quinta-feira sua aposentadoria como jogadora profissional de Counter-Strike. A decisão chega quase um mês após a rifler ter sido colocada no banco de reservas da organização. Mas a veterana não está deixando o cenário competitivo - ela assume agora como manager de performance das equipes femininas de CS e da academy de VALORANT do MIBR.

Em comunicado emocionado, goddess refletiu sobre sua trajetória: "Foram anos incríveis competindo, no qual eu vivi, e muito bem vivido, o meu sonho, além de ter conhecido pessoas que vou levar para o resto da minha vida". A transição para o lado técnico mostra como a experiência acumulada em quase uma década no cenário pode ser valiosa para a formação de novas gerações.

Trajetória marcante no cenário brasileiro

goddess surgiu no competitivo em 2018 pelo Santos e rapidamente se tornou uma das principais nomes do cenário feminino. Sua carreira inclui passagens por:

  • Vivo Keyd Stars

  • FURIA

  • Black Dragons

  • B4

  • Fluxo

  • MIBR

Nos últimos sete anos, a jogadora acumulou impressionantes 17 títulos nacionais, incluindo dois em LAN. Entre suas principais conquistas estão:

  • Brasil Game Cup 2019

  • MEG 2022

  • Duas edições da Gamers Club Masters

  • Copa Rio 2024

Além disso, goddess teve participações em etapas mundiais da ESL Impact, representando o Brasil no cenário internacional. Sua experiência em diferentes organizações e formatos de competição certamente será um diferencial em seu novo papel.

MIBR já busca substituta

Enquanto goddess inicia sua transição para o cargo técnico, o MIBR já trabalha para preencher sua vaga no time principal. Segundo apuração da Dust2 Brasil, a organização negocia com Olga "olga" Rodrigues.

O cenário feminino de Counter-Strike no Brasil passa por um momento de transição, com veteranas assumindo novos papéis e uma nova geração de talentos emergindo. Em matéria recente, jogadoras analisaram as diferentes fases do competitivo feminino, destacando justamente essa evolução constante.

O impacto de goddess no cenário feminino

A saída de goddess das competições ativas marca o fim de uma era para o CS feminino brasileiro. Sua influência vai muito além dos títulos conquistados - ela foi uma das primeiras jogadoras a defender publicamente melhores condições para as equipes femininas. Em 2021, durante sua passagem pela FURIA, goddess foi vocal sobre a necessidade de salários mais justos e estrutura adequada para as atletas.

Seu legado inclui também a mentoria informal de diversas jogadoras que hoje são destaques no cenário. Julia "julih" Oliveira, atual capitã do B4, já declarou em entrevista: "A goddess sempre foi referência para mim, tanto dentro quanto fora do jogo. Ela tinha essa postura de líder natural que inspirava todo mundo ao redor".

Desafios do novo cargo

Como manager de performance, goddess enfrentará desafios diferentes dos que estava acostumada como jogadora. Seu papel agora inclui:

  • Desenvolver programas de treinamento individualizados

  • Monitorar o desempenho físico e mental das atletas

  • Trabalhar em conjunto com psicólogos esportivos

  • Analisar dados de desempenho para ajustes estratégicos

O timing dessa transição coincide com um momento crucial para o MIBR feminino. A equipe busca se consolidar no topo do cenário nacional após conquistar a Copa Rio 2024, mas ainda enfrenta dificuldades contra as principais equipes internacionais. A experiência de goddess em competições globais será fundamental para reduzir essa lacuna.

Fontes próximas à organização revelaram que a ex-jogadora já está trabalhando em um novo modelo de treinos que integra as equipes de CS e VALORANT. A ideia é criar sinergia entre os dois jogos, especialmente em aspectos como comunicação e tomada de decisão sob pressão.

O futuro do competitivo feminino

A aposentadoria de goddess levanta questões importantes sobre a longevidade das carreiras no cenário feminino. Enquanto no masculino é comum ver jogadores competindo até os 30 anos ou mais, no feminino as aposentadorias costumam acontecer mais cedo. Especialistas apontam vários fatores para essa diferença:

  • Estrutura menos consolidada nas equipes femininas

  • Menos oportunidades de transição para cargos técnicos

  • Pressão social adicional sobre atletas mulheres

  • Diferenças nos investimentos em categorias de base

Nesse contexto, a transição de goddess para um cargo técnico em uma organização do porte do MIBR pode abrir portas para outras jogadoras no futuro. "É importante mostrar que há vida após a carreira de jogadora", comentou Ana "anan" Oliveira, analista da ESL. "Quando veteranas assumem papéis de liderança, isso cria um ciclo virtuoso para todo o ecossistema".

Enquanto isso, as especulações sobre sua possível substituta no time principal continuam. Olga "olga" Rodrigues, principal candidata ao cargo, tem um estilo de jogo agressivo similar ao de goddess, mas com menos experiência em competições internacionais. A adaptação ao sistema do MIBR e à liderança da nova capitã, Letícia "let" Motta, será crucial nos próximos meses.

Com informações do: Dust2