Em entrevista exclusiva à Dust2 Brasil, Victor "gafolo" Andrade analisou a eliminação precoce do DENDELE no open qualifier da Esports World Cup. A derrota para a JiJieHao na primeira rodada dos playoffs pegou muitos de surpresa, mas para o jogador, o resultado reflete um problema claro: a falta de constância durante as partidas.

"Começamos no primeiro lado da Inferno muito bem, fizemos 9 pontos se não me engano. Depois perdemos alguns rounds que não era para ter perdido, foram três rounds que deveríamos ter convertido e iria virar a história do jogo", explicou gafolo, destacando os momentos decisivos que mudaram o rumo da partida.

O que aconteceu no confronto contra a JiJieHao?

A equipe do DENDELE entrou em quadra (ou melhor, no servidor) com confiança após vencer a SAW na fase anterior. Mas algo simplesmente não funcionou contra a JiJieHao. O jogador foi direto ao ponto: "Ganhamos o primeiro armado de TR mas no segundo saímos um pouco mal da base, estávamos distraídos. Acho que não estávamos na mesma sintonia que estávamos nos outros dias."

É frustrante ver um time com tanto potencial cair logo na primeira rodada dos playoffs. E olha que a Inferno começou bem para eles — 9 pontos no lado CT é um número respeitável. Mas no CS2, como em qualquer esporte, consistência é tudo. Três rounds perdidos por detalhes podem custar uma classificação inteira.

Análise: o que falta para o DENDELE evoluir?

Quando questionado sobre as expectativas para o torneio, gafolo não escondeu a decepção: "Obviamente queríamos mais. Para mim, tínhamos bastante chance de classificar. Sendo sincero, não era uma obrigação na nossa cabeça, mas esse primeiro jogo nós tínhamos que ter ganhado sim."

O saldo, porém, não é totalmente negativo. "O saldo positivo é que ganhamos de uma boa equipe que é a SAW, mas obviamente saímos com um gostinho de quero mais", completou o jogador.

Essa declaração de gafolo sobre a falta de constância do DENDELE levanta uma questão interessante: será que o problema é mental, tático ou apenas uma questão de entrosamento? Pelo que o jogador descreveu, a equipe estava distraída em momentos cruciais — o que sugere mais um problema de foco do que de habilidade técnica.

Vale lembrar que o cenário competitivo de CS2 está cada vez mais disputado. Times como a JiJieHao vêm se reforçando e surpreendendo favoritos em qualificatórios abertos. Para o DENDELE, a lição fica: ou a equipe encontra uma forma de manter o mesmo nível de intensidade durante toda a partida, ou continuará sofrendo com eliminações precoces em torneios importantes.

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A temporada continua e o DENDELE terá novas oportunidades de mostrar seu valor. A pergunta que fica é: quando veremos esse time jogando com a constância que gafolo tanto cobra?

E não é só no servidor que essa inconsistência aparece. Nos bastidores, a equipe vem passando por ajustes na comissão técnica e na rotina de treinos. Fontes próximas ao time indicam que o DENDELE testou diferentes formações táticas na semana anterior ao qualifier, o que pode ter contribuído para a falta de sincronia em momentos decisivos. Mas gafolo prefere não usar isso como desculpa: "A gente vem treinando bastante, sim. Mas treino é uma coisa, jogo é outra. No treino você pode errar e tentar de novo. No jogo, o erro custa a vaga."

O jogador também comentou sobre a pressão de jogar um torneio com a visibilidade da Esports World Cup. "A gente sabia que ia ter bastante gente assistindo, principalmente por ser um qualifier aberto. Qualquer time pode aparecer. Isso mexe com a cabeça, principalmente dos mais novos. Eu já passei por isso, então tento ajudar, mas nem sempre dá tempo de ajustar durante o jogo."

E essa experiência de gafolo é um ponto que merece atenção. Com passagens por equipes como RED Canids e diversos campeonatos internacionais, ele é um dos jogadores mais experientes do elenco. Quando ele fala em "constância", não é só um termo técnico — é uma filosofia de jogo que ele tenta implementar no dia a dia do time. "A gente tem que ter uma espinha dorsal. Não pode depender de estar num dia bom. Tem que ter um padrão de jogo que funcione mesmo quando as coisas não estão fluindo."

No duelo contra a JiJieHao, esse padrão falhou justamente nos momentos em que mais precisava aparecer. No segundo half da Inferno, o DENDELE chegou a abrir 12-9, mas permitiu uma sequência de rounds perdidos em situações de 2v2 e 3v2. "Foram detalhes. Um smoke que não veio, um flash que cegou a gente em vez do adversário, uma decisão errada de rotação. Coisas que a gente treina, mas que na hora do jogo, com a adrenalina, acabam saindo diferente."

Outro ponto levantado por gafolo foi a questão da comunicação. "Tem horas que a gente fala demais e horas que a gente fala de menos. No primeiro half, a gente estava muito falante, todo mundo dando call, e isso ajudou. Depois, parece que o pessoal se fechou. Aí você começa a duvidar das suas próprias decisões."

Essa oscilação na comunicação não é exclusividade do DENDELE, claro. Muitos times brasileiros sofrem com isso, especialmente em competições internacionais, onde a pressão é maior. Mas a diferença entre os times que se destacam e os que caem cedo está justamente na capacidade de manter a calma e o diálogo mesmo sob pressão.

O próximo compromisso do DENDELE já tem data marcada: a equipe disputará a seletiva fechada para a próxima etapa do circuito nacional. E gafolo já projeta o que precisa ser feito: "Vamos sentar, ver o demo, ver onde erramos, e trabalhar em cima disso. Não adianta ficar remoendo. O que passou, passou. Agora é focar no próximo desafio."

Mas será que apenas assistir aos demos e ajustar a tática é suficiente? Na minha visão, o problema pode ser mais profundo. A falta de constância muitas vezes está ligada à confiança. Quando um time não acredita plenamente que pode vencer, ele tende a hesitar nos momentos cruciais. E hesitação em CS2 é quase uma sentença de derrota.

O próprio gafolo reconhece que o time ainda está em construção. "A gente se montou há pouco tempo. Ainda estamos nos conhecendo, descobrindo os pontos fortes de cada um. Isso leva tempo. Mas no cenário competitivo, tempo é um luxo que a gente nem sempre tem."

E é verdade. Com a agenda cheia de campeonatos e a constante evolução do meta, os times precisam evoluir rápido ou ficam para trás. O DENDELE mostrou que tem potencial — a vitória sobre a SAW não foi sorte. Mas potencial sem consistência é como um foguete que explode na plataforma de lançamento: impressiona, mas não chega a lugar nenhum.

Para os fãs que acompanham a equipe, a esperança é que essa eliminação sirva como um aprendizado. E gafolo parece pensar o mesmo: "Se a gente tirar uma lição disso, já valeu. Mas lição a gente tira todo dia. O que a gente precisa é de resultado. E resultado vem com trabalho. Então é isso: trabalhar."

O cenário de CS2 no Brasil está cada vez mais competitivo, com equipes como FURIA, MIBR e Fluxo dominando as manchetes. Mas times como o DENDELE mostram que há espaço para surpresas — desde que consigam manter o nível de jogo que apresentam em seus melhores momentos. A pergunta que fica no ar é: quando veremos esse time jogando com a constância que gafolo tanto cobra? Talvez na próxima seletiva, talvez daqui a alguns meses. O importante é que a cobrança vem de dentro, e isso já é um bom sinal.



Fonte: Dust2